CVV
Demanda do Centro de Valorização à Vida aumenta em 25%
Dados referentes a setembro deste ano, mostram que espera pelo atendimento até aumentou; existe necessidade de mais voluntários
Em algum momento na vida, todo mundo precisa de alguém que possa ouvir, até que as coisas se alinhem por dentro, e isso faz toda a diferença para nos dar força para prosseguir apesar das dificuldades. A demanda de atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentou em 25%, desde o mês passado, quando foi realizada a Campanha de Setembro Amarelo. A ação abordou a prevenção ao suicídio, a importância de cuidar da saúde mental e procurar ajuda. A fila de espera por atendimento já chegou a ser de até uma hora e meia.
O CVV funciona 24 horas, sete dias por semana com opções de conversa por chat, e-mail no site ou por telefone, no número 188. O atendimento é um serviço de escuta e acolhimento para as pessoas que não tem com quem conversar. Para quem está precisando do serviço, uma hora pode ser muito tempo. Atualmente, a instituição conta com 83 voluntários, para atender a demanda, seria necessário pelo menos 200.
Segundo o coordenador de divulgação, Alcebíades Alvarenga da Silva, “imagine uma pessoa que está precisando desabafar, que está em uma angústia terrível. Procura o CVV e não tem plantonista para atender, porque ele já está atendendo outro. Nós fizemos uma campanha, estamos nessa campanha ainda, dos voluntários de fazer o maior número de horas, mas nem sempre isso é possível”, explica.
Curso para Voluntariado
O trabalho é realizado integralmente por voluntários. Neste ano, até julho, foram atendidas 43.992 pessoas. Com o intuito de aumentar o número de pessoas dispostas a ingressar no serviço, o CVV está oferecendo o curso para novos interessados.
O curso é gratuito e online, mas é necessário fazer a inscrição por meio do endereço www.cvv.org.br/seja-voluntario/sorocaba ou por meio do WhatsApp (15) 99723-7156. São nove encontros, uma vez por semana, com quatro horas de duração cada. A primeira turma teve início na segunda-feira (6), das 14h às 18h, a segunda tem início hoje (8), das 19h às 23h, e a terceira turma tem início no sábado (11), das 14h às 18h.
Para participar é necessário ter 18 anos e disponibilidade de três horas semanais para os plantões de atendimento. O curso abordará a compreensão, aceitação, confiança e o respeito no ato da escuta às pessoas que procuram pelo serviço.
Voluntariado e mudança de vida
O voluntariado é algo nobre, se doar em benefício de alguém sem receber nada em troca. Um dos voluntários começou em 1996, ficou por um ano e meio, mas precisou deixar o CVV porque mudou de cidade. Há seis anos, voltou para Sorocaba e para esse trabalho voluntário.
Segundo ele, ouvir as pessoas exige se despir de si, “você tem que se despir de conceitos. Então, se você tem conceito de querer direcionar, de querer criticar, para você, muitas vezes, é fácil falar, não, faça isso, faça aquilo, é tão simples. Não, é a pessoa, você tem que dissociar você da pessoa. É um trabalho, de acreditar na pessoa, você está com ela naquele momento, com a dificuldade que ela está trazendo. Converse com ela, esteja disponível pra ela, desabafando em qualquer forma e acreditando que ela vai superar isso”, conta.
O ato de ouvir as pessoas, de estar aberto e de vivenciar os conceitos do CVV de compreender, aceitar, confiar e respeitar o outro também muda os voluntários. “É um trabalho fantástico. Você tem que constantemente se rever, a postura de voluntário é um processo. Então, constantemente você se observa, se você está cumprindo a filosofia do trabalho, de não ter negatividade, de dar a pessoa a compreesão e você começa a se observar. É um ganho a ganho, vamos dizer assim. A pessoa que liga, ela tem essa oportunidade de ter esse acolhimento com a gente e nós, ao mesmo tempo,temos essa oportunidade de fazer essa troca de energia” conta o voluntário.
Segundo Alvarenga, estar aberto a ouvir o outro, traz mudanças pessoais, como ser um melhor pai, melhor marido, melhor profissional, uma pessoa melhor em todos os âmbitos.
O CVV não é composto por profissionais da psicologia, mas sim por pessoas disponíveis a ouvir e acolher aqueles que necessitam conversar, que estão em momentos de fragilidade e só precisam desabafar.