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Custo de vida

Arroz e feijão caem de preço, mas consumidores não sentem alívio

Mesmo com deflação de quase 16% nos cereais, pessoas relatam que carne, leite e hortifruti continuam pressionando o orçamento

03 de Outubro de 2025 às 21:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
Feijão teve queda de -11,51%, mas isso não está sendo sentido na prática por quem compra
Feijão teve queda de -11,51%, mas isso não está sendo sentido na prática por quem compra (Crédito: ALISSON ZANELLA)

A tradicional combinação brasileira, arroz com feijão, ficou mais barata nos supermercados paulistas ao longo dos últimos meses, mas o reflexo no bolso da população ainda é pequeno. Para muitos consumidores, a sensação foi de que os preços seguem altos, e o alívio ainda não chegou à mesa.

De acordo com o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a subcategoria de cereais registrou queda de 2,33% em agosto. No acumulado de 12 meses, a deflação é de 15,95%, com destaque para o arroz (-19,14%) e o feijão (-11,51%).

Apesar dos números, consumidores como Diego Muniz, de 34 anos, afirmam que o arroz e o feijão aumentaram. “Eu senti que subiu, sim. No mês passado pagamos R$ 5 e pouco, agora já está R$ 7,79 em alguns lugares”, relatou.

Embora os clientes afirmarem que não sentiram a queda no valor do arroz e do feijão, todos dizem que esses alimentos não insubstituiveis. Diego conta que faz compras maiores uma vez por mês, mas precisa repor a mistura, como carnes e proteínas, semanalmente. Mesmo diante dos aumentos, ele não abre mão do arroz com feijão e mantém a mesma marca, mesmo que o preço suba.

Maria Rita Cardoso também diz que não troca os cereais. “O arroz e o feijão, mesmo se tiver caro, não tem como substituir, tem que comprar”, afirma. Outro item que pesou no bolso da cabeleireira foi o leite. “A gente gosta de leite, parece criança, mas está caro. Pesou mesmo”, disse. Já a carne, para ela, se tornou quase um luxo. “É impossível comer carne hoje em dia. Está tudo muito caro”.

A estratégia de Diego para economizar inclui escolher os dias certos para comprar: “Terça, quarta e quinta são os melhores dias. Sexta, sábado e domingo os preços vão lá na altura”, afirma. Ele também divide suas compras entre supermercados da região, priorizando promoções em hortifruti e carnes.

Outros relatos reforçam que, embora os cereais tenham recuado, os preços de outros alimentos seguem altos. Célia Aparecida Corrêa, moradora de Sarapuí, conta que não sentiu diferença no bolso: “baixa uma coisa, mas sobe outra. No fim, não muda muito”. Para economizar, ela opta por frutas da estação e substitui o limão por vinagre quando o preço dispara. A mulher, que trabalha na área rural, diz que o custo de vida está tão alto que teve de mudar completamente sua forma de comprar. “Antes eu fazia compra do mês. Hoje em dia não posso mais. Compro picadinho, só o que está faltando e onde está mais barato”.

Inflação segmentada

A queda nos preços dos cereais é reflexo direto da safra recorde de grãos no Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção para 2024/25 deve alcançar 339,6 milhões de toneladas, um crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior, com excedente de 42,2 milhões de toneladas.

“O momento continua favorável porque o setor está produzindo mais. Além da boa safra no Brasil, a grande oferta de grãos no mundo e a procura menor fizeram os preços caírem ainda mais”, explica Bruno Faulin, diretor regional da Apas em Sorocaba.

Ainda assim, como apontam os depoimentos, o consumidor médio não está sentindo esse “momento favorável” refletido em sua rotina. Leite, carne, hortaliças e produtos de limpeza seguem entre os mais citados entre os protuodos com aumento do orçamento.

O cenário nos supermercados

O setor supermercadista paulista teve um bom desempenho em 2024, com faturamento de R$ 328 bilhões, representando 9,7% do PIB estadual e crescimento real de 3% sobre o ano anterior. Com mais de 669 mil empregos diretos e 34 mil novas vagas previstas, o setor mostra força, porem enfrenta o desafio de tornar os preços mais acessíveis no varejo.

Enquanto isso, consumidores como Diego seguem atentos às promoções e ajustando hábitos para conseguir manter o básico no prato: “tem que ir onde está mais barato e comprar na hora certa, mas carne mesmo, está impossível”. (Lavínia Carvalho - programa de estágio)