Sinalização
Caminhão entalado reacende debate sobre altura em pontilhões
Sorocaba adota limitadores físicos, enquanto Itapetininga instala sensores eletrônicos para chamar a atenção dos motoristas
Um caminhão carregado de muçarela ficou preso ao tentar passar sob o pontilhão da avenida General Osório com a avenida Afonso Vergueiro, próximo à praça da Abolição, em Sorocaba, na tarde de segunda-feira (22). O veículo, que havia saído do Paraná com destino a Louveira (SP), parou na cidade para uma entrega antes do incidente, registrado por volta das 15h30.
Apesar do impacto, não houve feridos. Parte da carga caiu na via, mas em pequena quantidade. O motorista disse acreditar que o caminhão tinha três metros de altura, embora a placa no local indicasse o limite de 3,4 metros. A Guarda Civil Municipal informou que o veículo ultrapassava os três metros. O tráfego foi controlado rapidamente, e o caminhão foi retirado por guincho.
O episódio reforçou um problema recorrente nas grandes cidades: motoristas que ignoram a sinalização de altura acabam presos em pontilhões, provocando transtornos no trânsito. Sorocaba e Itapetininga têm investido em soluções diferentes para enfrentar esse desafio.
Dispositivos em Sorocaba
Em Sorocaba, a Secretaria de Mobilidade (Semob) afirmou que quatro limitadores de altura metálicos estão instalados em pontos estratégicos da região central, todos próximos a pontilhões de grande movimento: na avenida General Osório, próximo ao cruzamento com a avenida Afonso Vergueiro; na avenida Dom Aguirre, nas proximidades do Terminal São Paulo; na avenida Dom Aguirre, perto do cruzamento com a rua Porphyrio Loureiro (sentido bairro - centro); e na avenida Afonso Vergueiro, na praça da Abolição, no acesso à rua Luiz Gama.
De acordo com a Semob, de janeiro a agosto de 2025 foram registradas 25 autuações por excesso de altura, quase o dobro das 14 ocorrências do mesmo período do ano passado. O motorista que desrespeita o limitador está sujeito a multa de R$ 195,23, considerada grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além da perda de cinco pontos na CNH.
O funcionamento do sistema é simples: placas móveis, instaladas nos limitadores, são acionadas quando atingidas por caminhões acima da altura máxima permitida. Esse impacto serve como alerta imediato ao motorista, que deve desviar por rotas alternativas indicadas antes do pontilhão. Segundo a Semob, os limitadores funcionam como complemento à sinalização já existente.
“Em todos os locais onde foi instalado, o dispositivo tem se mostrado eficiente como medida preventiva contra incidentes e complicações no trânsito, que geram lentidão e riscos aos motoristas”, afirmou a pasta.
Mesmo assim, a secretaria reconhece que imprudência, negligência e imperícia ainda estão entre os principais fatores que levam a acidentes. A estratégia do município combina três frentes: engenharia de tráfego, fiscalização e educação para o trânsito.
Acidente como alerta
Guardas de trânsito precisaram ser acionados para orientar os motoristas na região após o incidente de segunda. Apesar disso, o tráfego seguiu sem grandes transtornos. O caminhão foi levado para um ponto de táxi próximo à praça da Abolição e, segundo a GCM, o motorista ainda precisou consertar uma peça quebrada para seguir viagem — a balança de suspensão.
Tecnologia em Itapetininga
Enquanto Sorocaba investe em limitadores físicos, Itapetininga deu início, no domingo (21), à instalação de um sistema eletrônico de alerta no “Pontilhão do Olho d’Água”, que liga bairros populosos à rodovia Gladys Bernardes Minhoto, a chamada “Estrada Velha Itapetininga-Tatuí”.
O dispositivo utiliza sensores eletrônicos para medir a altura dos veículos em movimento. Caso seja detectado excesso acima de 2,70 metros — altura máxima do pontilhão —, sinais sonoros e luminosos piscantes são acionados imediatamente, orientando o motorista a buscar outra rota.
Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito, o projeto foi desenvolvido internamente, com reaproveitamento de materiais, sem custos adicionais ao município. A instalação começou pelo sentido centro-bairro, que já está em funcionamento, enquanto o sentido contrário está em fase de finalização.
O trecho já havia recebido reforço na sinalização, com pintura zebrada e novas placas indicativas. Em média, 10 mil veículos passam diariamente pelo local, o que torna a medida estratégica para reduzir riscos e aumentar a fluidez.
Penalidades e responsabilização
Tanto Sorocaba quanto Itapetininga aplicam a multa prevista no CTB: R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Mas Itapetininga foi além: em caso de danos a estruturas públicas ou privadas, o motorista pode responder também nas esferas civil e criminal. A intenção é responsabilizar de forma mais rígida os condutores que, ao ignorar a sinalização, acabam causando prejuízos à coletividade.
Desafio das cidades
Apesar dos investimentos, especialistas em trânsito apontam que os limitadores — físicos ou eletrônicos — não resolvem o problema por completo. A imprudência de alguns motoristas, aliada ao desconhecimento da rota ou à pressa em concluir entregas, ainda leva a acidentes.
Para reduzir os riscos, além da infraestrutura, as cidades estudam reforçar campanhas educativas, ampliar a fiscalização e até desenvolver soluções tecnológicas de navegação, como aplicativos que avisem sobre restrições de altura em tempo real. (João Frizo - programa de estágio, com colabaração de Lavínia Carvalho - programa de estágio)