Atendimento pediátrico
População protesta contra mudança da UPA Infantil em Votorantim
Prefeitura alega que houve uma realocação da unidade para UPA Central
A decisão da Prefeitura de Votorantim de mudar a UPA Infantil para a UPA Central gerou protestos e críticas na manhã desta quarta-feira (3). A manifestação, realizada em frente à Câmara Municipal, reuniu moradores, lideranças comunitárias e vereadores, que cobraram mais diálogo e planejamento da atual gestão.
Para os participantes, o encerramento do atendimento pediátrico representa não apenas a perda de um serviço essencial, mas também o reflexo de uma administração marcada por desequilíbrios orçamentários e falta de transparência.
Segundo uma das organizadoras do ato, Sandy Domingues, a indignação é resultado de uma série de problemas acumulados nos últimos meses. “Já aconteceram muitos escândalos em relação a contratos superfaturados e promessas não cumpridas. Agora, diante da ameaça de fechar a UPA Infantil, entendemos que era hora de dar um basta. O serviço público é essencial para quem não pode pagar convênio e precisa de um atendimento com qualidade”, afirmou.
Outro manifestante, Luciano Silva, professor de 44 anos, destacou que a crise tem origem no mau planejamento das contas municipais. “A UPA Infantil é consequência de um desequilíbrio orçamentário que já vem desde o início do mandato. A LDO foi copiada do ano anterior, houve remanejamentos equivocados, contratos emergenciais caros e sem licitação. Resultado: faltam medicamentos, falta planejamento para manter serviços, e a população é a mais prejudicada”, criticou.
O vereador Fernando Fernandes (Progressistas), presente na manifestação, confirmou que a decisão da Prefeitura pegou a todos de surpresa, inclusive o Legislativo. “Infelizmente não houve diálogo. Foi uma situação que pegou todo mundo de surpresa. Votorantim tem um dos IPTUs mais altos do Estado e, ainda assim, quem sofre é a população, principalmente as nossas crianças. O diálogo com o prefeito é muito difícil”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a Câmara já estuda medidas para apurar as denúncias. “A casa está cumprindo seu papel, fiscalizando, cobrando, e já existe a possibilidade de abertura de uma CPI para investigar a situação e dar espaço para que o prefeito se explique”, completou.
Apesar de pacífica, a manifestação evidenciou o clima de tensão entre moradores, vereadores e a Prefeitura. Os organizadores afirmaram que novas mobilizações devem ocorrer caso não haja recuo na decisão de encerrar o funcionamento da UPA Infantil.
Mães reclamam da mudança no atendimento
Após a mudança da UPA Infantil de Votorantim, muitas famílias passaram a buscar atendimento nas unidades de saúde que concentram adultos e crianças no mesmo espaço. Para mães que utilizavam a pediatria exclusiva, a mudança representa uma perda significativa na qualidade do serviço.
A cabeleireira Angélica Santos Pereira, de 36 anos, que levou a filha para atendimento nesta semana, afirmou que a alteração trouxe mais riscos e insegurança. “Para mim foi uma mudança negativa. Na UPA infantil tinha mais cuidado para as crianças, tudo separado. Agora junta todo mundo, até com adultos, e isso é ruim, porque as crianças ficam mais expostas. Na pediatria era bem melhor, tinha mais atenção para elas”, lamentou.
Outra mãe, Caroline Martins, contou que já havia passado pela pediatria com a filha, mas agora enfrentou pela primeira vez o atendimento em conjunto. A mulher, afirma que preferia o antigo espaço, visto que para ela, as crianças tem mais riscos ao serem atendidas juntamente com adultos.
Para as famílias, a mudança representa mais que uma questão de logística: trata-se de segurança e acolhimento em um momento delicado. A concentração de atendimentos de diferentes perfis em um mesmo ambiente é vista como retrocesso, especialmente para quem depende exclusivamente do sistema público de saúde.
A Prefeitura de Votorantim foi questionada para comentar o assunto, mas ainda não respondeu. O espaço segue aberto.
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