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Perímetro do crime

Apreensões evidenciam rota do tráfico na região

Drogas vindas da Bolívia, Paraguai, Peru e Equador usam interior do Estado de São Paulo como passagem

17 de Dezembro de 2024 às 21:29
Vinicius Camargo [email protected]
Cargas de entorpecentes são transportadas pela Raposo Tavares e Castelo Branco
Cargas de entorpecentes são transportadas pela Raposo Tavares e Castelo Branco (Crédito: DIVULGAÇÃO)

As apreensões de drogas na região de Sorocaba estão cada vez mais comuns, pois a área faz parte da chamada rota do tráfico. Em 2024, o 5º Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv) apreendeu 14 toneladas até agora. Além disso, só a Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba recolheu mais 1,4 tonelada e incinerou 1,2.

Segundo o capitão Edinaldo Joaquim de Souza Gaidukas, do 5º BPRv, as principais apreensões na região são de cocaína e maconha. A primeira geralmente vem da Bolívia, Equador e Peru. A segunda também provém de produtores bolivianos e paraguaios. O policial diz que a mesma cocaína enviada ao Brasil vai para países da África e Europa. Já a maconha seria produzida especificamente para venda em território nacional.

Os entorpecentes entram no País pela tríplice fronteira — Brasil, Argentina e Paraguai —, principalmente pela região de Foz do Iguaçu (Paraná). Entrando no Brasil, de acordo com Gaidukas, a droga tem São Paulo como destino central, pelo fato de o Estado ser o maior consumidor e pela estrutura logística disponível. A malha viária, os portos e aeroportos acabam sendo usados na rota do tráfico. “Eles favorecem o escoamento das riquezas e também dos ilícitos. O que é bom para a economia formal também é bom para o crime”, diz o capitão.

Conforme ele, estradas da região de Sorocaba fazem parte dessa estrutura usada para o transporte de drogas. Por isso, nessa área, são recolhidas tanto substâncias que seriam distribuídas em nível local, quanto nacional e mundial. Já houve, por exemplo, interceptação de cargas destinadas ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e até para a região Nordeste.

Combate

De acordo com o capitão da Polícia Rodoviária, fiscalização é constante nas vias e essa é a ação primordial para o combate ao tráfico. “Os policiais são treinados para identificar o modus operandi dos traficantes, condutas que levantam suspeita”, explica. Esse trabalho é feito em parceria com as Polícias Federal e Militar, além da Receita Federal. Para Gaidukas, o trabalho conjunto aumenta a efetividade dos resultados. “Essa integração é muito importante, traz muitos frutos para a nossa atividade. Com ela, estamos conseguindo tirar muita droga de circulação e vemos que isso é benéfico para a população de São Paulo. É menos droga para desvirtuar os jovens, para estragar as famílias.”

Deic

A Deic também atua continuamente contra a venda de drogas. Segundo a delegada titular da unidade, Luciane Bachir, além de receber denúncias, a Polícia Civil monitora pessoas e localidades com histórico ou suspeita de tráfico. Com confirmação do crime, feita a partir de diversas frentes investigativas, operações são desencadeadas para desarticular os pontos de comercialização e prender os envolvidos.

Nessas ações, conforme Luciane, são apreendidos vários tipos de entorpecente — a maioria para distribuição regionalizada. Mas, esse não é o único resultado. Multidimensionais, as intervenções ajudam a polícia a erradicar outros delitos relacionados ao tráfico. É possível, elenca a delegada, desarticular associações ou organizações criminosas, esquemas de lavagem de dinheiro e de cooptação de menores de 18 anos, assim como retirar armas de circulação.

Além disso, a descoberta de uma ramificação do tráfico subsidia a identificação de outras, pois elas costumam estar ligadas, diz a delegada. Assim, as ações para enfraquecer toda a estrutura tornam-se sucessivas. “O foco do trabalho não é só em uma biqueira, é na rede”, frisa a titular da Deic de Sorocaba.

 

 

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