Buscar no Cruzeiro

Buscar

Ajuda fundamental

Resgatar projetos de vida faz parte do tratamento oferecido pelo Grasa

Atualmente, o Grasa disponibiliza 40 vagas, por meio de parceria com a Prefeitura de Sorocaba, sendo uma parte masculina e outra feminina

14 de Setembro de 2024 às 22:00
Beatriz Falcão [email protected]
Estratégia adotada pelo Grasa tem foco no indivíduo, ao invés da dependência química em si
Estratégia adotada pelo Grasa tem foco no indivíduo, ao invés da dependência química em si (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO (26/8/2024))

O Grupo de Combate à Droga e Álcool Santo Antônio oferece acolhimento e serviços para dependentes químicos. A coordenadora do Grasa, Gisele Furlan, relata que, há 30 anos, os idealizadores da entidade iniciaram com turmas de orientação às famílias do bairro Vila Haro.

“Com o tempo, eles sentiram a necessidade de montar um serviço de atendimento direto aos dependentes, uma vez que, na época, existiam poucas comunidades na região”, conta Gisele. “Ao montar a sua própria unidade, o Grasa sempre prezou pelo acolhimento digno e humanizado, respeitando o desejo das pessoas em permanecer ou não conosco”.

Segundo a coordenadora, um dos diferenciais do Grasa é o foco direcionado ao indivíduo, ao invés da dependência química. “Usar drogas ou não é apenas um dos pontos trabalhados no nosso serviço de acolhimento, mas, talvez, nem seja o mais importante. Nós entendemos que resgatar projetos de vida, destacar potencialidades, apresentar outros prazeres são estratégias essenciais para as pessoas permanecerem bem quando concluírem o período conosco”, aponta.

Para Gisele, os resultados positivos, muito além de motivação, também são ótimos para mudar a visão da sociedade. “Penso que se cada um olhasse com mais carinho, haveria menos preconceito com este público e também com as instituições sérias que atendem essa demanda, como é o nosso caso. Infelizmente, é muito comum encontrar barreiras para estabelecer parcerias”, afirma.

Patrícia das Graças Santos também trabalha no Grasa e acompanha diariamente os acolhidos. “Como psicóloga, eu auxilio na criação de um novo projeto de vida, porque a adicção não é somente um problema de álcool e drogas, é comportamental. Não adianta ele largar do vício e continuar se comportando como antes”, esclarece.

Após dois anos no grupo, a profissional nota cada vez mais a questão da vulnerabilidade social, que leva muitos jovens a entrar no mundo dos entorpecentes. “A maioria das histórias de vida já teve dependentes químicos na família, já vem de uma criação de poucas oportunidades, não tinha um lazer saudável e muito menos poder aquisitivo para praticar algum esporte. Portanto, essas situações colaboram para a pessoa chegar ao vício”, afirma.

Atualmente, o Grasa disponibiliza 40 vagas, por meio de parceria com a Prefeitura de Sorocaba, sendo uma parte masculina e outra feminina. Além do acolhimento e serviço de assistência psicológica, o grupo oferece atividades e cursos educativos, como construção civil, culinária profissional, manicure e pedicure.
“Às vezes, a pessoa está tão no automático lá fora, vivendo desregradamente e não consegue olhar para si mesma. Portanto, esses cinco meses de acolhimento são um momento para olhar para si, reconhecer o que não está legal e ter a oportunidade de mudar”, define Patrícia.

Mais informações estão disponíveis em https://grasasorocaba.com.br/, ou pelo telefone (15) 3237-6559. (Beatriz Falcão)