Sorocaba
Prefeitura fez 748 atendimentos pós temporal
Ontem ainda havia bairros de Sorocaba sem energia elétrica e muita reclamação. CPFL garante que 99,9% do serviço foi reestabelecido
A Prefeitura de Sorocaba informou, ontem (8), que, desde a última sexta-feira (3), quando o vendaval atingiu a região e causou destruição em vários pontos da cidade, 748 ocorrências foram registradas no município. Há mais de 200 pessoas trabalhando na limpeza e remoção de árvores e galhos das vias. Funcionários da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo) ainda percorrem a cidade, com equipes da CPFL Piratininga, para providenciar a poda em locais onde há galhos de árvores em meio à fiação elétrica.
Em vários pontos da avenida Dom Aguirre, por exemplo, é possível ver amontoados de troncos caídos sobre a ciclovia, obstruindo a passagem. Ciclistas e pedestres precisam desviar passando muito próximo ao meio-fio da pista. A Prefeitura informou que a conclusão dos trabalhos de limpeza neste trecho da cidade -- muito utilizado pela população -- faz parte da lista de prioridades do município.
Sem energia elétrica
A falta de energia elétrica continuava a afetar imóveis de Sorocaba ontem (8), embora a CPFL Piratininga tenha se comprometido a restabelecer totalmente o serviço na cidade e em toda a Região Metropolitana até terça-feira (7). A situação perdura desde a última sexta-feira (3). O Cruzeiro do Sul recebeu reclamações de munícipes que moram nos bairros Chácara Recanto Silvestre, Jardim Wanell Ville V, Júlio de Mesquita Filho e Vila Santana. A empresa prometeu que resolveria os problemas restantes ainda ontem.
Segundo a jardineira e paisagista Emileide Aparecida Jardim, de 43 anos, na rua Édines Luiz Maragato, na Chácara Recanto Silvestre, apenas a sua casa está às escuras. Enquanto o problema não é resolvido, ela e os pais buscam água para tomar banho, carregam os celulares e jantam na residência de um vizinho ou pedem marmitex todos os dias. Após perder todos os alimentos armazenados na geladeira, a família parou de fazer compras.
Os 26 apartamentos do condomínio onde mora a recepcionista Lauren Stefanie Manoel, de 24 anos, na rua Elias Maluf, no Jardim Wanell Ville V, ainda seguem sem energia. Com isso, depois de passar pela mesma situação que Emileide, a munícipe também começou a pedir delivery para ela, o filho e a mãe diariamente. O gasto médio ultrapassa R$ 50 por dia. Para tomar banho, todos precisam se deslocar até a casa de uma tia, no Centro.
Além de comida, ela perdeu uma geladeira, um chuveiro e um modem de internet. Lauren ainda não calculou o prejuízo. Ela disse que não aguenta mais esse cenário, principalmente, porque o filho está abalado com a escuridão. “Tenho uma criança de 4 anos em casa que já está em pânico pelo tanto de dias sem energia”, disse.
Os filhos da autônoma Victória Ribeiro, 22 anos, -- uma menina de 7 anos e um menino de 1 -- também estão aflitos. “As crianças choram à noite, porque, desde sábado (4), somente a minha casa está sem energia”, contou ela, que mora, também, na rua Paes Leme, na Vila Santana. Toda a família tem tomado banho gelado e se alimentado nas casas de parentes. Às vezes, quando não há com que iluminá-la, a residência de Vitória fica completamente no escuro. “Não temos dinheiro para ficar comprando vela, a bateria do celular não dura nada e, à noite, ficamos dependendo da lanterna do celular”, falou.
“Chega a ser algo humilhante, pois ligamos na CPFL e a empresa faz pouco caso, como se fôssemos menos importantes”, desabafou Lauren. “Pagamos um absurdo de conta de energia e, quando precisamos, não somos atendidos”.
Na rua Nara Leão, no bairro Júlio de Mesquita Filho, a energia elétrica voltou parcialmente (meia fase) em alguns imóveis. Para conseguir ligar os eletrodomésticos, a aposentada Márcia Regina Fernandes, de 57 anos, utiliza a energia da casa de uma vizinha, por meio de uma extensão.
Em todos os casos, os munícipes relatam ter acionado a CPFL várias vezes. Conforme eles, a companhia sempre promete religar a energia até determinado horário, mas não cumpre. Por isso, todos criticam a demora e cobram providências da distribuidora.
Por meio de nota, a companhia afirmou que já restabeleceu a energia para 99,9% de seus clientes. (Colaborou Luiz Pio -- programa de estágio)