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Região Metropolitana de Sorocaba terá a sua própria 'Cetesb'

Instalada no PTS e com início previsto para este semestre, agência ambiental deverá agilizar projetos

16 de Março de 2023 às 23:01
Secretário estadual Jorge Lima participou do evento em que também foi anunciado um novo centro tecnológico
Secretário estadual Jorge Lima participou do evento em que também foi anunciado um novo centro tecnológico (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO (16/3/2023))

A Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) deve passar a contar com uma Agência Ambiental Regional ainda no primeiro semestre deste ano. Além disso, um novo centro de tecnologia será instalado no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), no segundo semestre. A empresa irá gerar 250 empregos diretos. Os anúncios foram feitos pelo prefeito Rodrigo Manga (Republicano), durante o 1º Encontro de Fomento ao Desenvolvimento Econômico da Região Metropolitana. O evento, realizado ontem (16), no PTS, teve a presença do secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima. A iniciativa foi da Prefeitura, em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Segundo Manga, a criação de uma agência ambiental local foi proposta pela Comissão de Desenvolvimento Econômico. O grupo é formado pelos prefeitos Péricles Gonçalves (PSDB), conhecido como Kéke, de Capela do Alto, e Matheus Marum (PSDB), de Salto de Pirapora. O chefe do Executivo sorocabano explicou que o órgão será uma versão regional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Manga antecipou a agência terá como foco a emissão de licenças ambientais para empresas interessadas em se instalar na RMS de forma mais rápida e desburocratizada. De acordo com ele, atualmente, esse processo é demorado, pois o empresário depende do aval do governo estadual, por meio da Cesteb. “Hoje, para conseguir uma licença ambiental, dependendo do tipo, um empresário demora até dois anos. Agora, essas aprovações vão ficar na nossa região. Não precisaremos mais do 'ok' da Cetesb, do Estado, para que tenhamos as liberações”, destacou. “Então, isso vai trazer uma agilidade importante. Uma liberação que demoraria dois anos, poderemos fazê-la em 45 ou até 60 dias”, completou.

Conforme o prefeito, a unidade receberá a aprovação da Cetesb, mas não será subordinada à companhia. Ele informou que os trâmites para conseguir a autorização da agência estadual já estão em andamento. “O próprio secretário já deu o 'ok' documentalmente”, comentou. A sede ficará em Salto de Pirapora e atenderá, inicialmente, a todas às cidades da Região Metropolitana. De acordo com Manga, dos 27 municípios, 26 já concordaram com projeto. Apenas Votorantim ainda o analisa. Depois, a intenção é estender a cobertura para toda a Região Administrada de Sorocaba, formada por 47 municípios, por orientação do secretário Jorge Lima.

A inauguração da unidade está prevista para junho deste ano. Antes disso, em abril, as Câmaras de Vereadores de todos os municípios da RMS deverão aprovar projeto de lei relativo à implementação do órgão regional.

Centro tecnológico

Outra novidade divulgada na ocasião foi a instalação do Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun no Parque Tecnológico. O grupo oferece serviços de pesquisa, desenvolvimento e inovação para negócios e instituições em geral.

Com investimento de R$ 100 milhões, a empresa abrirá 250 empregos diretos, segundo Manga. De acordo com o diretor do Wernher von Braun, Dario Sassi Thober, trata-se da terceira unidade no Brasil. Há outras em Campinas e São Carlos, no interior de São Paulo, além de Manaus, no Amazonas. Na planta sorocabana, haverá atividades diferentes daquelas realizadas nos demais laboratórios, com foco no desenho e a prototipagem de semicondutores (materiais condutores de energia elétrica). Está prevista, por exemplo, a fabricação de materiais para o controle de mísseis.

De acordo com Thober, o desenvolvimento dessas etapas no âmbito nacional, aliado ao uso de matéria-prima brasileira, agilizará a produção dos materiais. “Nós queremos reduzir drasticamente o tempo de prototipagem e atender, aqui, no parque, ao Estado, e, pelo que dimensionamos, até o Brasil em demanda de prototipagem para semicondutores”.

O processo para a abertura do centro está em fase de estudo de viabilização, obtenção das licenças ambientais e avaliação de adequação do terreno, se necessário. “Como são elementos químicos relacionados à fabricação de semicondutores, nós temos que atender à legislação local e, às vezes, mudar todo o contexto”, pontuou Thober. Além disso, acrescentou ele, os empresários do conselho do grupo vão avaliar o projeto do ponto de vista dos investimentos. Os trabalhos devem ser iniciados no segundo semestre deste ano.

Estado prevê ações para fortalecer a cadeia produtiva

O encontro realizado ontem no PTS também debateu as ações e investimentos necessários para impulsionar o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). No evento, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, discorreu sobre os planos do governo paulista nesse sentido.

Segundo Lima, estão previstas ações a curto, médio e longo prazo. Ele disse que os objetivos são fomentar a vocação regional e oferecer condições de crescimento da cadeia produtiva. Para o titular da pasta, a viabilização dessas iniciativas depende da captação de investimentos para a RMS. Por isso, indicou este como o principal foco atual do Estado, assim como a instauração de coalizões empresariais.

De acordo com o secretário, esse trabalho se dá, principalmente, por meio do programa Investe SP. Criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, ele apresenta aos empresários as vantagens de se investir no Estado, como forma de incentivo.

Ainda conforme Lima, a captação de novos investimentos deve considerar a demanda e a vocação locais. O levantamento desse panorama, acrescentou ele, depende do contato direto entre Estado, os próprios empresários e autoridades políticas. O secretário destacou a importância da participação de todos esses agentes, sobretudo, das empresas, nas frentes de captação de recursos. “O empresário é fundamental, porque é ele quem coloca o investimento”, acrescentou.

Lima também citou outras variáveis a serem consideradas nesse âmbito. Segundo ele, é preciso analisar, por exemplo, se as medidas vão prover desenvolvimento e atender às necessidades da população. Citou que o governo paulista possui uma política chamada de 3D, responsável por nortear o desenvolvimento de políticas públicas. “O primeiro é D é de desenvolvimento -- bem ligado à nossa pasta --, que atua para fomentar políticas de atração de investimento, geração de emprego e renda e riqueza regional. O segundo é de dignidade. Precisamos oferecer às pessoas oportunidades com programas voltados aos mais necessitados. E o terceiro é de diálogo, com todos os atores, sejam eles empresários, organizações, prefeitos, deputados, independentemente dos partidos que representam”, elucidou Lima.

Jorge Lima ressaltou ainda o fortalecimento dos polos em torno das empresas como igualmente essencial para a formação dessa coalização. (Vinicius Camargo)