Votorantim
Dengue coloca Votorantim em situação de emergência
Entre os dias 1º de janeiro e 10 de fevereiro deste ano, 106 pessoas tiveram confirmação da doença no município
Votorantim está em situação de emergência para a dengue desde sexta-feira (10). O decreto foi assinado pela prefeita Fabíola Alves, por conta do rápido aumento no número de casos positivos. Entre os dias 1º de janeiro e 10 de fevereiro deste ano, 106 pessoas tiveram confirmação da doença no município. Em igual período de 2022 nenhum caso foi registrado. A dengue é transmitida pelo Aedes Aegypti, mosquito menor do que os insetos comuns e caracterizado pela cor preta e listras brancas.
De acordo com levantamento do setor de Zoonoses, realizado em janeiro de 2023, 39 dos 601 imóveis visitados possuíam larvas do mosquito. O estudo da equipe mostrou que a Avaliação de Densidade Larvária (ADL) no município é de 6,49.
O índice ADL possui três classificações: satisfatório (menor de 1%), alerta (entre 1,1% e 3,9%) e alto risco (a partir de 4%). A ADL é feita de forma trimestral e, além de mensurar a infestação de larvas na cidade, serve também para a Zoonoses direcionar algumas ações em áreas com mais criadouros.
Com tais números, um dos objetivos do decreto é despertar a atenção de toda a comunidade para a importância dos cuidados contra a dengue dentro das próprias casas. Por isso, a Secretaria de Saúde orienta as pessoas a eliminar os pratinhos dos vasos de plantas, retirar do quintal objetos que acumulem água, limpar a calha do telhado e deixar a caixa d’água sempre tampada. Porém, há moradores que já têm essa consciência e tomam medidas de combate durante o ano inteiro.
Apaixonada por plantas e com muitas espécies em casa, a aposentada Solange Aparecida Pereira, de 60 anos, sabe como manter o quintal em ordem para evitar a proliferação do mosquito. “Eu coloco pratos com areia e não deixo acumular água de jeito nenhum, estou sempre de olho”, disse. Entretando, próximo à casa de Solange, no Jardim Toledo, uma situação que potencializa os criadores é a sujeira e o mato alto existentes ao lado de uma torre da CPFL. “A gente cuida, mas o problema mesmo é com a torre de energia, porque o pessoal nunca limpa e fica acumulando entulho. Complicado isso aí”, desabafou. Por meio de nota, a companhia elétrica informou que, mesmo o entulho estando fora da área de sua responsabilidade, recolheu todo o lixo e objetos do local.
Trabalho preventivo
Mas, como medida intensiva de combate à dengue, ações diárias são feitas em Votorantim. Estima-se que são cerca de quatro mil bloqueios e controles de criadouros e 1.200 nebulizações anuais, desenvolvidos pelos agentes de Controle de Endemias da Secretaria de Saúde do município. O trabalho é feito em imóveis e áreas públicas da cidade situados em regiões com casos suspeitos ou confirmados da doença. Os agentes também orientam cada morador a proteger o seu imóvel contra a doença.
Proteção individual
Além de evitar os criadouros das larvas, a população também deve aplicar medidas de proteção individual contra o transmissor da dengue. Uma dica é proteger as áreas do corpo que o mosquito possa picar, com o uso de calças e camisas de mangas compridas.
O uso do repelente à base de DEET, IR3535 ou de Icaridina nas partes expostas do corpo também é recomendado. A utilização deve seguir as indicações do fabricante em relação à faixa etária e à frequência de aplicação. Não é recomendado o uso de repelente sem orientação médica.
Orientação médica
Diferente da Covid-19, por exemplo, a infeccção da dengue se dá através da picada do mosquito Aedes Aegypti, que também é responsável pela disseminação da Chikungunya e Zika. A dengue é uma doença, na maioria das vezes, assintomática ou apresenta sintomas leves. Porém, há a possibilidade do caso se agravar, podendo levar a óbito.
Para que a população preste atenção aos primeiros sintomas, o infecctologista Eduardo Leite Croco, lista os sinais característicos da doença: febre iniciando entre o segundo e terceiro dia de infeccção, dor de cabeça e nas articulações. No terceiro dia o paciente pode sentir uma leve melhora e em seguida observar manchas pelo corpo, por isso é necessário ter avaliação médica para saber o tratamento adequado.
Entretanto, outros sinais de alerta devem ser levados em conta, pois pode ser o início de uma infecção mais grave. “Dores abdominais de forte intensidade, vômito de difícil controle, sonolência, sangramento (de fezes ou nasal), pressão baixa e irritabilidade nas crianças não são tão comuns. Então (se aparecerem) é preciso que o paciente procure o serviço de saúde o mais rápido possível”, explicou o médico.
Ainda segundo o médico, não há tratamento específico para a dengue. Ele é basicamente tratado de acordo com os sintomas. Já nos casos graves é utilizada a hidratação intravenosa. Em alguns casos pode ser necessário até a transfusão de sangue. Porém, nestas situações o paciente precisa ser internado.
Cuidado é o melhor remédio
Os medicamentos auxiliam no tratamento da doença e são eficazes nesse aspecto, mas para Croco, o melhor cuidado ainda é o controle dos criadores. “No Brasil, ainda não tem vacina para a dengue, então é importante que cada um zele pelo seu espaço, em sua residência, para que nessas épocas de calor e chuva, não tenhamos ainda mais casos de dengue”, finalizou o infectologista. (Thaís Marcolino)