Votorantim
Transporte público de Votorantim gera queixas de usuários
Passageiros reclamam de mudança de horário e de que os ônibus são menores, porém elogiam o conforto
O início das operações da City Transporte, de modo emergencial, ainda não resolveu o problema de falta de horários no transporte público municipal de Votorantim. Passageiros afirmam que os itinerários continuam reduzidos, com quadro semelhante ao vigente durante a gestão da Auto Ônibus São João. Uma das promessas da prefeitura da cidade e da concessionária era justamente melhorar essa situação. Outro problema apontado pelos usuários é o fato de os ônibus da nova empresa serem menores. Por conta do tamanho, a lotação nos veículos teria aumentado.
A coletora de recicláveis Solange Queiroz, de 46 anos, disse ter havido mudanças nos horários, mas não ampliação. Ontem (31), pela manhã, ela aguardava, desde às 9h40, a linha 3116 -- Itapeva via Jataí, cujo horário de saída foi às 10h45. A espera de Solange para voltar para casa após uma consulta médica foi de 1h05.
Segundo ela, moradora em um bairro distante da região central, não há opções de itinerários alternativos. Por isso, a única saída é aguardar. “Tem o Parque São João, só que, se eu pegar ele, vou ter que andar de 15 a 20 minutos até o Itapeva”, disse. Ainda conforme a passageira, as alterações de horários não foram adequadamente comunicadas e causaram transtornos.
Na viagem de ida, ela esperou o ônibus da linha 3102 -- Itapeva no horário habitual, às 8h10. Porém, ele passou depois, às 8h30. Com isso, se atrasou para o compromisso. “Uma moça (que estava) no ponto me avisou que não tinha mais às 8h10 e que, agora, é às 8h30”, contou.
Apesar disso, Solange elogiou o conforto dos novos veículos. As poltronas instaladas na frente dos veículos para que quem estiver sem passagem possa se sentar, também chamaram a atenção dela. “O meu cartão não passou, por causa de 10 centavos, e eu tive como sentar na frente, para pagar aqui (no terminal). Antes, tinha que vir em pé no ônibus”.
Para o operador de caixa Mizael de Oliveira Queiroz, 29 anos, os ônibus também são melhores. “Dos ônibus, não tenho do que reclamar, mas o quadro de circulação continua a desejar”. Queiroz entra no trabalho às 7h e, para não chegar atrasado, precisa sair de casa 1h40 antes. Isto porque ele tem de pegar o Itapeva de 5h20, pois, depois, só há outros às 6h e às 6h30.
No retorno, quando utiliza o itinerário 3103 --São Lucas/Carrefour via Jataí, a situação é pior. Ele chega a aguardar mais de 1h20 no ponto. “Saio do trabalho às 15h20 e, quando chego no ponto, o (ônibus) de 15h55 já foi. Daí, só tem às 17h25. Se colocassem um intermediário entre as 16h e 17h, ajudaria muito”, sugeriu. De acordo com ele, na volta, a grande aglomeração é mais um impasse. “(O ônibus) está vindo muito lotado, não sei se é por causa do horário. Quando pegava antes, não vinha tão cheio”.
Aos fins de semana, conforme a técnica de enfermagem Aparecida de Jesus Pinto, 59 anos, o cenário fica mais crítico. Ela usa a linha Itapeva todos os dias para ir ao seu emprego. “No domingo, tenho que acordar às 4h30, para pegar o ônibus das 5h, porque entro às 7h, e o próximo é só 6h50”, reclamou.
Troca
A City começou a atuar em Votorantim no domingo (29), em caráter emergencial, pelo período de seis meses. A São João deixou as linhas municipais após mais de 20 anos, mas segue responsável pelas intermunicipais. Uma licitação para a concessão definitiva do serviço está suspensa. O Executivo votorantinense prevê concluir o processo até o término ou antes do fim do contrato de urgência. Isto é, em até 180 dias.
O contrato mensal com a nova concessionária custará R$ 250 mil a mais do que o valor pago à anterior. A São João recebia, mensalmente, cerca de R$ 400 mil, enquanto o repasse à City será de R$ 650 mil. Além do custo, o modelo contratual também mudou. Anteriormente, a empresa recebia uma taxa de subsídio por passageiro; agora, será por quilômetro rodado.
A municipalidade alega que, embora mais caro, o novo contrato é mais vantajoso e econômico. De acordo com a Prefeitura, antes, o custo mensal era variável e vinha sendo reajustado desde o início de 2021. A partir de agora, será fixo. Além disso, outro argumento apresentado foi o fato de o número de usuários ter aumentado, após a melhora da pandemia de Covid-19. Com isso, manter o acordo antigo tornou-se inviável. A reportagem do Cruzeiro do Sul questionou a Prefeitura e a City sobre as reclamações dos usuários do sistema de transporte coletivo, mas até o fechamento desta edição não recebeu as respostas. (Vinicius Camargo)