Sorocaba
Volume útil da represa de Itupararanga caiu para 46,37% nesta quinta-feira (26)
Após atingir 50,15% de seu volume útil em abril, o reservatório voltou a apresentar queda por conta da estiagem
A estiagem volta a baixar os níveis dos mananciais que abastecem Sorocaba e as cidades da região, como Salto, Mairinque, Araçoiaba da Serra e Piedade. A represa de Itupararanga, que abastece Sorocaba e mais sete cidades, voltou a cair.
Segundo a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), responsável pela gestão do reservatório, nesta quinta-feira (26) o volume útil estava em 46,37%. Houve queda de 1,15% em 10 dias. No último dia 16, o volume estava em 47,52% e caiu para 46,37% no dia 26. Após atingir 50,15% no mês passado, a quantidade de água da represa segue baixando por conta da falta de chuvas.
Já em relação aos mananciais de Sorocaba, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade informa que os sistemas Ferraz/Castelinho opera com 70% e o Ipaneminha com 75%. No último dia 16 deste mês, o Saae informou que o sistema Ipaneminha operava em 66% de sua capacidade e o Ferraz/Castelinho em 75%, ou seja, um aumento de volume e o outro apresentou queda de 5% no período.
Segundo o Grupo de Trabalho de Crise Hídrica do Comitê de Bacia, a recuperação do nível da represa observada no início de abril, que fez seu volume útil chegar em 50,15%, no dia 11 do mês passado, não se manteve. Com a falta de chuvas, Itupararanga fechou abril com a vazão afluente (água que entra) em 30% da média histórica para este período. E a expectativa para maio é seguir em declínio.
O Comitê de Bacia informa ainda que a represa encerrou o mês de abril na cota 821,31 metros acima do nível do mar, com 48,67% de seu volume útil. “A vazão afluente, que deveria ser de 11,33 m³/s para este período, chegou a apenas 3,4m³/s”, destaca.
“Os 12 dias sem nenhuma chuva no mês passado se refletem nestes resultados, que comprovaram que a estiagem foi maior do que as expectativas, e alertam ainda mais o grupo, pois já estamos com volumes de chuvas muito abaixo do que se espera para este período”, ressalta o Comitê.
O Saae de Sorocaba informa que avalia como satisfatório o nível atual dos mananciais e, junto com o Comitê interno, vêm avaliando constantemente os dados, sempre visando tomar as melhores decisões acerca da captação e da distribuição dos recursos hídricos. “A implantação de um novo rodízio na cidade está descartada no momento. A autarquia segue monitorando os níveis, analisando os dados e avaliando o volume das chuvas previstas, com o objetivo de abastecer a população, sempre com qualidade e eficiência”, informa a autarquia.
No início do ano, Sorocaba teve racionamento de água para ajudar na recuperação do volume útil da represa de Itupararanga, mas a medida foi encerrada no início do abril.
Estiagem preocupa RMS
A falta de chuvas também preocupa outras cidades da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) como Salto, Mairinque, Araçoiaba da Serra e Piedade.
O Saae de Salto informou na semana passada que o município retomou o rodízio de água em uma região e foi publicado decreto no Diário Oficial do Município dizendo que o plano de racionamento de água tem duração até 31 de outubro deste ano.
“Não significa que se vai ficar em esquema de rodízio ou racionamento durante todo esse tempo. Agora a medida está suspensa, mas o plano pode ser iniciado, reduzido, ampliado ou suspenso sempre que necessário. Neste momento, todas as regiões e bairros de Salto estão sendo abastecidas em tempo integral. Mas não sabemos até quando isso vai ser possível. A população será constantemente informada de todas as medidas tomadas através das redes sociais do Saae, pelo site e também pela imprensa”, destaca.
A Saneaqua de Mairinque também informa que o município entrou em temporada seca com as chuvas de abril em 56% abaixo da média histórica. Com isso, o manancial Carvalhal tem estado crítico, e a empresa tem plano de contingência estruturado para o enfrentamento da estiagem e orienta a população sobre a importância do uso consciente de água.
“Em 2021, por exemplo, Mairinque registrou 27% menos chuva que a média histórica dos últimos anos na cidade. E em 2022, a condição de atenção se mantém. Em abril, foram registrados apenas 18 milímetros de chuva; volume 41% abaixo do ocorrido no mesmo período do ano passado e 56% inferior à média histórica do mês no município, de acordo com dados da rede pluviométrica do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), responsável por medir o volume de chuvas em todo o estado de São Paulo”, aponta a empresa.
A estiagem também traz preocupação para as prefeituras de Araçoiaba da Serra e de Piedade, já que ambas dependem do Rio Pirapora. Conforme a Águas de Araçoiaba, a empresa está enfrentando problemas para abastecer a cidade diante da situação crítica de qualidade e quantidade das águas deste manancial, que também abastece a cidade de Piedade. (Da Redação)