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Sorocaba

Especialistas falam sobre critérios técnicos para nova rodoviária

É necessário verificar as demanda das chegadas e partidas, deslocamentos por meio do transporte público e outros modais, região da cidade que mais utiliza a rodoviária, entre outros aspectos

18 de Novembro de 2021 às 00:01
Ana Claudia Martins [email protected]
Terreno onde será construída a nova rodoviária de Sorocaba, na zona oeste da cidade
Terreno onde será construída a nova rodoviária de Sorocaba, na zona oeste da cidade (Crédito: Fábio Rogério )

Especialistas ouvidos pelo Cruzeiro do Sul comentam sobre o novo local apresentado pela Prefeitura de Sorocaba para a construção da nova rodoviária da cidade. A escolha do local tem gerado polêmica na cidade, mas os especialistas concordam que a decisão precisa estar baseada em critérios e estudos técnicos, que apontem ao poder público a demanda, as chegadas e partidas das pessoas ao novo local, os deslocamentos por meio do transporte público municipal e outros modais, a região da cidade que mais utiliza a rodoviária, entre outros aspectos.

Renato Campestrini, especialista em trânsito. - ARQUIVO PESSOAL
Renato Campestrini, especialista em trânsito. (crédito: ARQUIVO PESSOAL)

Para o advogado Renato Campestrini, especialista em trânsito, mobilidade e segurança viária, os estudos técnicos, sobretudo do ponto de vista da mobilidade urbana e da acessibilidade, no sentido de atender, por diferentes modais, todos os públicos que utilizam uma rodoviária, por exemplo, precisam ser conhecidos pelo poder público e avaliados de forma criteriosa antes de tomar a decisão final. “Creio que o poder público está baseado em estudos técnicos para apresentar e definir o local. É preciso saber quais são as maiores demandas, quem mais utiliza, os horários de maior fluxo, entre outros aspectos, para que a decisão tomada seja a melhor possível. Vai ter linhas de ônibus para atender todas as regiões da cidade? Em quais horários? Que outros modais serão necessários?”, questiona.

Além disso, o especialista lembra que também é preciso levar em conta outras questões, como todos os demais equipamentos necessários pelo fato da nova rodoviária ser construída às margens de uma rodovia. “Será necessário mais alças de acesso, mais retornos, mais vias, nova sinalização, adequações viárias no entorno e nas entradas e saídas de bairros próximos. Todos esses aspectos precisam ser levados em conta, e vão além do projeto arquitetônico da nova rodoviária”, afirma Campestrini.

Renato Gianolla, professor de Transportes. - VINÍCIUS FONSECA / ARQUIVO JCS
Renato Gianolla, professor de Transportes. (crédito: VINÍCIUS FONSECA / ARQUIVO JCS)

Já o professor de Transportes da Facens e ex-presidente da Urbes, Renato Gianolla, afirma que é uma tendência que novas rodoviárias sejam construídas fora do centro das cidades e que às margens de rodovias são locais mais indicados, além do fato de tirar os ônibus rodoviários de circulação nas vias urbanas. Ele também aponta a vantagem do local escolhido não necessitar de desapropriação, como informou a Prefeitura.

Contudo o especialista também reforça a necessidade de estudos técnicos que apontem as reais necessidade em termos de fluxo de pessoas, destinos, quantidades de partidas e chegadas, qual região da cidade mais utiliza a rodoviária, quais são os principais destinos que chegam e saem de Sorocaba, entre outros aspectos. Gianolla disse ainda que o atual sistema de transporte público municipal tem capacidade de atender todas as regiões da cidade se o local escolhido for realmente na rodovia Raposo Tavares, ao lado do novo Hospital Regional e da Arena Multiúso. “Com o BRT e o atual sistema integrado do transporte urbano e o planejamento que deverá ser feito pela Urbes, é possível atender todas as regiões da cidade para chegar até a nova rodoviária”, destaca.

Ele comentou ainda que quando o Plano Diretor foi feito e indicado uma área na rodovia Celso Charuri, um dos motivos pela escolha do local era a questão do trem regional (Sorocaba/São Paulo) e o fato, na época, da maior demanda rodoviária da cidade ser exatamente as viagens entre a cidade e a capital paulista. “A Urbes faz a gestão da atual rodoviária de Sorocaba há um bom tempo, então, certamente a empresa pública tem dados sobre a demanda, as quantidades de viagens, o fluxo de passageiros, e demais dados para tomar a decisão”, diz Gianolla. Ele destacou ainda o fato do prefeito Rodrigo Manga abrir espaço para que a opinião pública se manifeste por meio do site da Urbes.

Heverton Bacca, presidente da AEAS. - CRUZEIRO FM
Heverton Bacca, presidente da AEAS. (crédito: CRUZEIRO FM)

O presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (AEAS), Heverton Bacca, também comentou sobre a questão e afirma que será difícil realmente escolher um local que irá agradar 100%. “Os estudos técnicos são realmente muito importantes e infelizmente pessoas que não têm conhecimento a respeito emitem opiniões que são mais baseadas em visões pessoais ou outros interesses”, ressalta. (Ana Cláudia Martins)

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