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Economia

Energia elétrica sobe 12,40%, em média

Nova tarifa começa a vigorar amanhã em Sorocaba e mais 14 cidades que integram a Região Metropolitana

22 de Outubro de 2021 às 00:01
Marcel Scinocca [email protected]
Tendência é que consumidor reduza consumo de outros bens e serviços para compensar maior gasto com a conta de luz.
Tendência é que consumidor reduza consumo de outros bens e serviços para compensar maior gasto com a conta de luz. (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO (21/10/2021))

A conta de energia elétrica ficará em média 12,40% mais cara para quem usa o serviço em Sorocaba e em mais 14 cidades da Região Metropolitana. É que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, durante reunião extraordinária novo reajuste médio nas tarifas da CPFL Piratininga, do grupo CPFL Energia, que atende 1,8 milhão de unidades consumidoras. A nova tarifa passa a vigorar a partir de amanhã (23).

De acordo com o decidido, para os consumidores em alta tensão, o efeito médio será de 5,69%, enquanto para os consumidores de baixa tensão, o impacto médio será de 16,40%. As informações foram divulgadas ontem (21). De acordo com o diretor e relator do processo, Efrain Cruz, o reajuste acontece em um momento de indicadores inflacionários pressionados e de escassez hídrica nos reservatórios das hidrelétricas, por isso houve a necessidade de ações pela Aneel para evitar um reajuste elevado, por conta dos custos do despacho térmico.

No ano passado, o aumento no calendário tarifário foi de 9,82%, o mesmo de 2019. Em 16 de outubro de 2018, o aumento foi bem mais salgado. Na ocasião, a agência reguladora aprovou reajuste médio de 19,25% para os clientes da concessionária, sendo 18,70% para a baixa tensão (residenciais e pequenos comércios) e 20,18% para os consumidores da alta tensão (indústrias e grandes comércios). Em 2017, foram dois aumentos autorizados.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 10,25%, portanto, menor que o índice aplicado na conta de luz. Em setembro, porém, o índice foi de 1,16%.

A CPFL Piratininga, do grupo CPFL Energia, atende 1,8 milhão de unidades consumidoras nos municípios do interior e litoral do Estado de São Paulo. No total, são 27 cidades. Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), além da cidade sede, são atendidos Alumínio, Araçariguama, Araçoiaba da Serra, Boituva, Capela do Alto, Ibiúna, Iperó, Itu, Mairinque, Porto Feliz, Salto, Salto de Pirapora, São Roque e Votorantim.

Bandeira

No final de agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a criação de uma nova classe tarifária na conta de luz, chamada de bandeira de escassez hídrica. É essa que está prevalecendo desde 1º de setembro. A taxa extra é de R$ 14,20 para cada 100 kilowatt-hora (KWh) consumidos. Essa cobrança extra ficará vigente até abril do ano que vem. O novo patamar representa um aumento de R$ 4,71, cerca de 50%, em relação à bandeira vermelha patamar 2, até então o maior patamar, no valor R$ 9,49 por 100 kWh.

A conta

Gás de cozinha, carne, combustível, energia elétrica. Os aumentos sucessivos registrados nos últimos meses aumentam a inflação e reduzem o poder de compra dos brasileiros. Com isso, as famílias precisam fazer malabarismo orçamentário para arcar com os novos custos. “Além da energia elétrica ser um bem essencial para as famílias, não tem produtos substitutos. Por isso, os economistas dizem que ela é inelástica em relação ao preço. Ou seja, o aumento do seu preço leva a uma pequena redução na demanda. No fim das contas, o consumidor acaba reduzindo o consumo de outros bens e serviços para compensar o maior gasto com a conta de luz”, afirma o professor e economista Lincoln Diogo Lima.

Ele diz ainda que a situação pode levar a um quadro dramático, penalizando a população de baixa renda. “Isso se torna mais dramático com as famílias de baixa renda, devido: o gasto com a conta de luz representar uma parcela maior da renda dessas famílias; por essas famílias terem menos margem para reduzir o consumo de energia, afinal eles não consomem energia para esquentar a piscina ou chuveiros super potentes, por exemplo; e porque as famílias de baixa renda já são aquelas que mais estão sofrendo com o desemprego, queda da renda e aumento do preços de alimentação”, garante. (Marcel Scinocca)