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Sorocaba

Escorpiões levam medo aos residentes do Santa Cecília

29 de Maio de 2021 às 00:01
Vinicius Camargo [email protected]
De janeiro a abril deste ano, foram registrados 15 casos de picadas de escorpião e três de aranha, em Sorocaba.
De janeiro a abril deste ano, foram registrados 15 casos de picadas de escorpião e três de aranha, em Sorocaba. (Crédito: CORTESIA / ALAIR BERNARDES)

Uma infestação de escorpiões no Jardim Santa Cecília, na zona norte de Sorocaba, preocupa moradores do bairro. Segundo os residentes, os animais são encontrados até dentro das casas. De acordo com a Secretaria da Saúde (SES), de janeiro a abril deste ano, foram registrados 15 casos de picadas de escorpião e três de aranha, na cidade.

Já em 2020, ao todo, foram 138 acidentes com escorpiões e 38 com aranhas. Neste ano, a família da dona de casa Ruzevania Gomes da Silva Bueno, de 38 anos, moradora do Jardim Santa Cecília, quase entrou para as estatísticas, diversas vezes. Ela já encontrou vários espécimes dentro da sua residência. Foram tantos que até perdeu a conta.

Ruzevania mora no bairro há sete anos. Conforme ela, o aparecimento de escorpiões no local é recorrente. Porém, recentemente, a situação se intensificou. “Está fora do normal. Toda semana, sempre aparecem (escorpiões) dentro de casa, no quarto, nas paredes, em todos os lugares. Na rua, nós também sempre vemos eles andando”, relata. A aflição aumenta porque ela tem quatro filhos, sendo três crianças, de 4, 6 e 7 anos, e um adolescente de 15 anos.

Preocupado com a segurança dos vizinhos, outro residente, o autônomo Alair Bernardes, de 37 anos, decidiu carpir um área verde do bairro. Segundo ele, os animais vivem nesse espaço. No local, encontrou 15 aracnídeos, em um espaço de apenas um metro. Também achou um exemplar dentro de sua casa, na porta do quarto da filha de 7 anos.

De acordo com Bernardes, a área onde os animais se concentram está com mato alto e bastante entulho. Conforme ele, diversas crianças moram bairro e costumavam brincar nas ruas. Mas, a insegurança gerada nos moradores por conta da infestação mudou a rotina. “O pessoal nem deixa mais as crianças brincarem na rua”, conta.

Para os residentes, o problema seria resolvido se a Prefeitura fizesse a roçagem e retirasse os entulhos do terreno. Em nota, a Secretaria de Conservação, Serviços Públicos e Obras (Serpo) disse ter ido ao local, na manhã de quarta-feira (26), para averiguar a situação. A pasta municipal prometeu roçar e retirar os detritos do espaço já nos próximos dias.

Cuidados

Já as SES orienta a população a tomar alguns cuidados, para prevenir acidentes. Conforme a secretaria, dentro de casa, é importante afastar os móveis há, pelo menos, um palmo da parede. Outra recomendação é verificar roupas e calçados antes de usá-los. Mais uma dica é usar tampas estilo “abre e fecha” em ralos e os manter fechados, quando não estiverem em uso. As ações ainda incluem vedar frestas de portas e janelas, colocar proteção em interruptores e evitar o acumulo de sujeira e lixo.

Nunca tocar no animal

Além disso, segundo a pasta, se encontrar um escorpião, a pessoa nunca deve tocá-lo. Para eliminá-lo, o conselho da SES é usar um objeto, com o cuidado de manter distância entre a mão e o animal. “Os escorpiões somente picam quando são tocados e se sentem ameaçados”, informa a pasta.

É contraindicado usar inseticidas para matar aracnídeos, pois eles são resistentes aos produtos. É ineficaz aplicar nele essa substância. É um animal muito resistente, que consegue permanecer meses sem se alimentar e em condições adversas.

Também é possível acionar a Divisão de Controle de Zoonoses, pelo telefone 156, via site da Prefeitura (http://www.sorocaba.sp.gov.br/atendimento/#/Home/Solicitacao), ou registrar a ocorrência em uma das Casas do Cidadão. Após o acionamento, uma equipe técnica vai ao local, faz a inspeção da área e monitora o motivo da infestação.

Atendimento médico

Já se a pessoa for picada, deve procurar atendimento médico imediatamente. De acordo com a SES, o paciente pode ir às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Prontos Atendimentos (PAs), Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Nas unidades de saúde, o médico avaliará o caso e definirá a conduta correta a ser tomada. Se houver indicação de aplicação do soro antiescorpiônico, o atendido é encaminhado ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS).

Animal prefere os dias quentes; picada pode levar à morte

As infestações de escorpiões tendem a ocorrer, geralmente, no verão. Conforme explica Marcos Tokuda, biólogo do Parque Municipal Zoológico Quinzinho de Sorocaba. Isso acontece, justamente, por conta das altas temperaturas. O calor confere mais energia a esses aracnídeos, por eles serem invertebrados. “O metabolismo dele (escorpião) depende da temperatura externa do ambiente. Então, quando a temperatura está mais quente, esses animais ficam com o metabolismo mais acelerado e, consequentemente, mais ativos”, detalha.

Por outro lado, em estações mais frias, tendem a ficar inativos e entocados. Desta forma, não são vistos com frequência em dias frios. O caso do aparecimento dos animais no Jardim Santa Cecília em pleno outono, uma estação mais fria, é explicado pelo fato de os dias ainda serem quentes e somente as noites estarem geladas, segundo Tokuda.

Conforme o especialista, o escorpião possui um aguilhão, que é injetado nas presas, por meio do qual ele libera um veneno. Quando uma pessoa é picada acidentalmente pelo animal, acaba recebendo essa substância. No geral, ela causa dor no local da picada, náusea e vômito. Pode, ainda, ocasionar alteração da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Já em situações mais graves, pode levar à morte, principalmente, de pessoas mais vulneráveis. “Crianças e idosos são mais sensíveis ao veneno do escorpião, se comparado com adulto não idoso. (Assim), o veneno pode ter um efeito maior”, esclarece. (Vinicius Camargo)