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Emprego

Jovens devem priorizar experiências na escolha do primeiro emprego

Taxa de desocupação entre trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos atingiu 29,8%

29 de Abril de 2021 às 17:43
Da Redação [email protected]
Felipe Emanuel de Lima no supermercado
Felipe Emanuel de Lima no supermercado (Crédito: Divulgação)

No dia 17 de janeiro de 2017, Felipe Emanuel de Lima estava bem nervoso ao entrar na unidade da Rede Bom Lugar da Rua Salvador Leite Marques, no bairro Éden, em Sorocaba. Recém chegado de Apiaí, o jovem de 16 anos estava prestes a começar o primeiro dia de emprego. A função de empacotador o colocava em contato direto com os consumidores, o que era motivo de ansiedade para o recém-contratado.


“Eu tinha muita vergonha de conversar com o cliente. Praticamente não falava nada”, relembra Felipe. “Com o tempo, fui compreendendo bastante sobre atendimento e como lidar com as pessoas. O aprendizado até me ajudou a melhorar o meu relacionamento fora do ambiente profissional, por exemplo, na hora de participar das aulas na escola.”


Enfrentar a ansiedade e buscar o desenvolvimento das relações interpessoais são dois dos principais desafios de quem entra no mercado de trabalho. Com a pandemia, surgiu mais um: a diminuição na oferta de vagas. Segundo o levantamento realizado pela Kairós Desenvolvimento Social, com base nos microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, entre abril e novembro de 2020, 86.731 vagas para jovem aprendiz foram fechadas no País.


E não são só os mais jovens que enfrentam dificuldades. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no quarto trimestre de 2020, apontam que a taxa de desocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos atingiu 29,8%. Com o aumento da disputa, quem pretende entrar no mercado de trabalho precisa saber exatamente o que procurar.

Para Paulo Paiva, consultor e diretor executivo da Contexto Gestão Empresarial, empresa especialista em comportamento humano e organizacional, mais do que buscar por um alto salário, é preciso escolher pela oportunidade de aprendizado.

Paulo Paiva, consultor e diretor executivo da Contexto Gestão Empresarial - Divulgação
Crédito: Divulgação / Descrição: Paulo Paiva, consultor e diretor executivo da Contexto Gestão Empresarial

 


“É a chance de aprender novas habilidades, compreender como responder um e-mail, ajustar a comunicação para uma forma mais profissional. O primeiro emprego é fundamental para o jovem trabalhar com as diferenças e entender que não existe só uma forma de pensar e agir”, aponta o consultor. “Eu comecei como office boy, aos 14 anos, e foi lá que eu aprendi sobre organização, planejamento, ser mais educado, além de desenvolver a maturidade e a noção de obrigações.”


Para o consultor, também não existe uma melhor idade para começar a trajetória. Muitas vezes, começar antes dos 20 pode acelerar a maturidade, mas também pode resultar em deficiências por não viver todos os aspectos da juventude. O recomendado é que o jovem consiga finalizar os estudos, com uma especialização técnica, e até um ensino superior, para buscar a primeira oportunidade.

Retenção do funcionário depende da empresa

Uma vez que o trabalhador seja contratado, e com as habilidades necessárias desenvolvidas, o próximo passo é começar a planejar uma carreira. Nessa hora, muitos empregadores creditam às gerações mais novas o hábito de não permanecerem muito tempo na mesma instituição.


“Hoje, os jovens buscam o propósito no caminho e não necessariamente no final. Não há tanta preocupação com a aposentadoria e uma busca maior pelo reconhecimento durante toda a trajetória”, esclarece Paulo. “A liderança e o ambiente são fundamentais para a continuidade do empregado. Eles precisam se sentir acolhidos e integrados.”


Foi o que aconteceu com o Felipe. O jovem passou de empacotador para assistente de hortifruti. Hoje, ele já é o encarregado do setor e tem a responsabilidade de orientar uma equipe composta por seis pessoas. Apesar da se sentir realizado na posição, Felipe ainda sonha com novas responsabilidades.


“Eu peguei amor pelo hortifruti. Como eu venho do sítio, acabo lidando com os produtos que eu já tinha experiência”, revela o encarregado. “Mas eu penso em ir adiante, quem sabe uma oportunidade como gerente”.


Quem se inspira no Felipe para começar uma carreira, uma dica é se inscrever em instituições recrutadoras ou no próprio site da empresa desejada. A Rede Bom Lugar Supermercados, por exemplo, conta com uma página para receber currículos. Depois, é aguardar que logo a primeira oportunidade deve surgir.

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