Sorocaba e Região

MEC passará a avaliar creche em 2019

A notícia que as creches contarão com sistema de avaliação por parte do Ministério da Educação (MEC) a partir do ano que vem foi recebida com aplausos e receios por educadores de Sorocaba. Ao contrário das outras etapas, as crianças das creches e pré-escolas não terão que fazer nenhuma prova. A avaliação será por meio de questionários aplicados a professores, dirigentes e equipe escolar. Serão avaliadas, por exemplo, questões de infraestrutura e formação dos professores. Entram no cálculo, entre outras questões, a oferta de brinquedos.

Especializado em avaliação do ensino superior e integrante do Conselho Municipal de Educação, Rafael Ângelo Bunhi Pinto, doutor em Educação e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), afirma que esse tipo de avaliação tem de ter papel mais qualitativo do que quantitativo. Conforme ele, não adianta a escola ter ou solicitar muitos brinquedos, mas não usar, não ter destinação pedagógica para eles. Outra preocupação é que, se os próprios funcionários das escolas responderão as questões, as verdades podem ser escondidas.

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Vanessa Negrão e colegas já fazem avaliação das creches - ARQUIVO JCSVanessa Negrão e colegas já fazem avaliação das creches – ARQUIVO JCS

Na opinião de Rafael, esse sistema de avaliação poderia ser aos moldes do ensino superior, que consiste em três etapas, sendo uma delas o deslocamento de uma equipe técnica para avaliar in loco. “Uma crítica que faço é com relação à questão dos índices. O que se vê muito hoje são as escolas preocupadas com as classificações, as metas, sem pensar realmente na qualidade do ensino”, explica Rafael.

Rafael Ângelo Bunhi Pinto - ACERVO PESSOALRafael Ângelo Bunhi Pinto – ACERVO PESSOAL

Vanessa Marconato Negrão, que é professora da educação infantil da rede municipal e já foi orientadora, afirma que em Sorocaba, ela e os colegas já fazem avaliação das creches e educação infantil há bastante tempo. “Mas os resultados só ficam numa base de dados, não são divulgados”, diz. Isso ocorre apenas em nível local. “Se o resultado das avaliações servir de parâmetro para melhorias, é ótimo. Que não seja só pra ficar na gaveta”, opina.

Celia Guedes - ACERVO PESSOALCelia Guedes – ACERVO PESSOAL

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Na rede municipal, Vanessa comenta que após as avaliações, as equipes são convidadas a refletirem e buscar respostas. “Há escolas, por exemplo, que ainda não são completamente acessíveis, que precisam de reformas para receber cadeirantes, ou outras deficiências. Isso é apontado. As solicitações são atendidas de acordo com a disponibilidade do município.”

Adesão facultativa 

As avaliações não serão obrigatórias para as escolas particulares, mas aquelas que quiserem poderão aderir ao sistema. O que existe é a coleta de dados amostrais. Celia Guedes, educadora há 25 anos, desde a educação infantil até a universidade, já passou pela rede pública e atualmente é gestora de uma escola particular. Para ela, as escolas públicas fazem as avaliações por diversas razões, exceto ver efetivamente o que precisa melhorar. “As escolas públicas “preparam” os alunos para fazer essas avaliações. Mas, se é para avaliar o processo educacional, para que preparar? A avaliação externa deveria auxiliar no processo educacional e na formação de professores. E não apenas pontuar índices.”

As escolas privadas são orientadas pelos supervisores de ensino da Diretoria de Sorocaba e até o momento, Celia afirma que não houve nenhuma orientação específica. “Creio que brevemente irão se manifestar, mas independentemente das avaliações, a educação básica deve ser valorizada pela sociedade como um todo, para que de fato, haja interesses reais para a melhoria da Educação.”

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Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a intenção é que os pais e responsáveis das crianças também possam fazer parte da avaliação. A expectativa é que isso ocorra a partir de 2021.

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