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Sorocaba e Região

Itu sedia o 1º Fórum do Berço da República

Promotor de Justiça, Antonio Domingues Farto Neto falou sobre crime organizado, corrupção e democracia
Itu sedia o 1º Fórum do Berço da República
Da esquerda para a direita: João Carlos Pestana, Fernando Dainese, Diogo da Luz e Antonio Domingues Farto Neto. Crédito da foto: Emidio Marques (23/11/2019)

Ao participar ontem do 1º Fórum do Berço da República, no Círculo Ítalo-Brasileiro “Dante Alighieri”, de Itu, o promotor de Justiça Antonio Domingues Farto Neto, disse que os brasileiros têm hoje dois grandes temas de importância nacional: “O crime organizado, aí estamos falando de tráfico de entorpecentes, e a corrupção. São os dois crimes que mais atingem a família brasileira, atingem todos os lares, direta ou indiretamente.”

Farto deixou claro que, ainda que muitas pessoas consigam escapar dos problemas causados pelo tráfico de drogas em virtude de não ter o núcleo familiar envolvido nessa questão, “da corrupção dificilmente você escapa, ela atinge a todos”. Lembrou que teve o privilégio de trabalhar durante três anos no Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dentro do Ministério Público – órgão onde atua há 29 anos.

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Dentro do Gaeco alguns promotores são voluntários e são chamados a estabelecer política de segurança pública regional e cada promotor tem a atribuição de combater a criminalidade individualmente. Em relação ao combate à corrupção, Farto Neto informou que a legislação avançou bastante e permitiu a existência da Operação Lava Jato com formato novo de trabalhar, que inclui o instrumento da delação premiada: “A corrupção é muito ruim para o empresariado: ela quebra a livre concorrência, quebra o princípio de que aquele que é competente vai produzir mais por menor preço e vender mais, a corrupção inverte isso.”

Essa constatação levou a cuidados tomados pelo empresariado. Segundo Farto Neto, a maioria das empresas está muito preocupada em fazer observação do movimento político que começa nos municípios com projeções de longo prazo para “tentar evitar esse câncer que se chama corrupção”.

Lembrou que a corrupção se autoalimentava a partir do momento em que políticos solicitavam arrecadação entre empresários para despesas de campanha.: “A partir do fenômeno da Lava Jato as grandes empresas do Brasil tomaram uma consciência maior.”

“Esse é um tema primordial à nossa existência hoje”, salientou o promotor de Justiça. Também admitiu que existe corrupção em outros países, mas acrescentou que “a punição e os mecanismos de controle em outras nações são mais avançados que os nossos, precisamos avançar”.

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O promotor falou no painel de abertura do Fórum, que abordou o tema “A redescoberta republicana liberal nas políticas públicas liberais”. Os outros dois debatedores desse painel foram o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) em São Paulo, Fernando Dainese, e o empresário Diogo da Luz, que foi candidato ao Senado pelo partido Novo. A mediação foi do coordenador do MBL em Itu, João Carlos Pestana.

A programação teve outros painéis de debates, dos quais deveriam participar também o deputado federal Alexis Fonteyne (Novo) e o deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, além de Renan Santos, fundador e coordenador do MBL nacional. O coordenador do MBL em Sorocaba, Ítalo Moreira, presente no evento, avaliou o público em 190 pessoas.

Farto Neto também falou sobre as relações de constituição do Estado brasileiro: “A sensação que eu tenho é de que não se inventou uma forma de democracia mais eficaz do que a alternancia de poder.” Nesse contexto, disse que a sociedade precisa avaliar se foi um acerto ou erro adotar a figura da reeleição para cargos eleitorais em que o político é eleito e no dia seguinte à sua posse já começa a trabalhar pelo seu projeto de tentar se reeleger. (Carlos Araújo)

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