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Iniciada a fase de douração no restauro da igreja de Santa’Ana

Essa fase é “a mais delicada e longa” e deverá durar aproximadamente um ano
Iniciada a fase de douração no restauro da igreja de Santa’Ana
Igreja do Mosteiro de São Bento entra na fase final do restauro. Crédito da foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS (7/8/2018)

Após um ano de trabalho, o restauro do interior da igreja de Santa’Ana do Mosteiro de São Bento se aproxima da etapa final: a douração, como é chamada a técnica de aplicação de finíssimas folhas de ouro sobre os ornamentos de madeira. Esta fase, de acordo com a profissional responsável pela restauração, é “a mais delicada e longa” e deverá durar aproximadamente um ano.

Os detalhes do processo de restauro do mobiliário artístico da igreja foram apresentados à população na manhã de ontem pela restauradora Katia Magri, que coordena uma equipe composta por cinco profissionais. A palestra foi uma ação de prestação de contas e contrapartida social do projeto aprovado no Programa de Ação Cultural (ProAC-ICMS) da Secretaria Estadual de Cultura, com patrocínio da empresa Flex.

Para um público de cerca de 30 pessoas, entre fiéis, estudantes de arquitetura e interessados em restauro de prédios tombados, a profissional mostrou fotografias e revelou detalhes sobre a restauração do mobiliário sacro, que inclui os púlpitos, os altares laterais, o arco do cruzeiro e o altar mor.

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Iniciada a fase de douração no restauro da igreja de Santa’Ana
Katia Magri coordena a restauração da igreja. Crédito da foto: Felipe Shikama

Ao remover o retábulo, como é chamada a estrutura de madeira ao fundo do altar, os restauradores encontraram uma parede de taipa com uma janela, fechada por tijolos possivelmente em meados do século 19. “Foi uma grande surpresa”, revelou Katia. Todas as centenas de peças de madeira ornamentadas foram desmontadas para a limpeza, descupinização, decapagem (remoção de resíduos) e nova pintura.

A restauradora disse que para preservar as características originais das peças, que sofrerem diversas intervenções ao longo do tempo, amostras de camadas de tinta foram submetidas a análises científicas de pigmentação. Parte das peças, deterioradas pela ação de cupins, foram reconstituídas com aplicação de resina especial e as mais comprometidas tiveram de ser reproduzidas em cedro rosa. No momento, todo o mobiliário está sendo remontado já que, segundo a restauradora, a aplicação das folhas de ouro de 24 quilates será feita in loco, conforme a técnica italiana tradicional.

O mosteiro

O Mosteiro de São Bento foi fundado em 1660 mas, segundo a restauradora Katia Magri, a origem do mobiliário atual é incerta e “carece de documentação histórica”. Segundo ela, a versão mais aceita é de que as peças principais tenham sido trazidas de Santana do Parnaíba durante o Primeiro Reinado.

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O projeto de restauro do mobiliário da igreja tem autorização para captar R$ 980.715,71 junto à iniciativa privada, por meio de incentivo fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo o produtor cultural Lúcio Martini, que é coordenador geral do projeto, aproximadamente 50% deste montante foi captado em 2018 com patrocínio da empresa e Flex. “A expectativa é de que o restante seja investido ainda neste ano”, diz.

Iniciada a fase de douração no restauro da igreja de Santa’Ana
Ornamentos de madeira receberão folha finíssima de ouro. Crédito da foto: Felipe Shikama

A reforma do mobiliário da igreja é parte integrante da restauração total do complexo arquitetônico de Mosteiro de São Bento aprovado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condeplhaat) em 2005. O tombamento engloba não apenas as edificações e os mobiliários, mas também imagens sacras, telas e lampadários que fazem parte do conjunto. Estes últimos itens, segundo o monge beneditino dom Rocco Fraioli, responsável pelo Mosteiro, estão em boas condições e permanecerão guardados até a conclusão do restauro.

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Segundo dom Rocco, a prioridade é a conclusão do restauro dos mobiliários, para que a igreja — que foi reaberta em março de 2018 após sete anos fechada — retome plenamente as suas atividades. “Como a parte de estrutural e de telhado já foi estabilizada [por meio de aporte de cerca de R$ 3 milhões da Lei Rouanet], a gente decidiu focar no interior, até para não ter mais de uma frente de trabalho”. Segundo Martini, um outro projeto, para o restauro da fachada, aprovado pela Lei Rouanet, do governo federal, tem autorização para captar R$ 1,8 milhão. (Felipe Shikama)

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