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Catedral e Arquidiocese fazem restrições à guarita

Obra está a menos de 10 metros da fachada principal da Catedral
Construção de guarita na praça é criticada
Crédito da foto: Fábio Rogério

O padre Tadeu Rocha Moraes, pároco da Catedral Metropolitana de Sorocaba, afirmou na sexta-feira (4) que tanto a Catedral como a Arquidiocese de Sorocaba veem a construção da guarita na praça Coronel Fernando Prestes “com muita restrição”. Ele acha “muito bem-vinda” e “muito positiva” a presença da Guarda Civil Municipal (GCM) na Praça, uma forma de o poder público se fazer presente. Outra questão, acrescentou, é como se fará isso. Ele criticou o ponto definido para a localização da guarita, em frente à Catedral: “É uma questão de lucidez, de bom senso, e de inteligência que aquele lugar é impróprio, está errado. Está a menos de 10 metros da fachada principal da Catedral, que é um patrimônio tombado, é um monumento, é um referencial urbanístico.” Padre Tadeu disse que a Catedral, além de um bem tombado pelo patrimônio histórico, é um monumento cheio de obras de arte e detalhes arquitetônicos e considera que e que “está tirando a visão” do local, “está atrapalhando a visão”. E afirmou que a questão não se trata simplesmente de obstruir a visão urbanística e arquitetônica da Catedral, mas considera que o fato é que a guarita “está no lugar errado”.

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Patrimônio Histórico não foi consultado

Padre Tadeu é vice-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (CDPH) de Sorocaba, onde tem assento como representante da Arquidiocese, e informa que o órgão não foi consultado pela Prefeitura. “O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico teria que ser ouvido, portanto ele está desconsiderado, desvalorizado, desqualificado pelo poder público, que não leva a sério a opinião de outros organismos que são importantes na cidade”, criticou padre Tadeu. O sacerdote também disse que todas as autoridades públicas municipais, estaduais e federais estão sujeitas a normas: “Eu também, como padre, não posso fazer o que eu quero na igreja, eu estou sujeito ao direito canônico.” Em outro exemplo, disse que até o presidente Jair Bolsonaro não pode fazer tudo o que gostaria, pois tem que cumprir a Constituição Federal. Isto significa, na sua análise, que o prefeito José Crespo também tem que cumprir a legislação municipal: “E uma das normas do patrimônio histórico é ouvir o Conselho de Defesa do Patrimônio.”

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“Vai terminar na mesa de um juiz”

Quando padre Tadeu viu o tapume na praça, pensou que era um trabalho de manutenção do local: “Para mim era inimaginável que fosse o que está sendo feito. Eu lamento profundamente sob todos os aspectos: sob o aspecto político da desconsideração dos organismos da sociedade civil, sob os aspectos legais de não respeitar as normas no que diz respeito ao patrimônio. Eu lamento profundamente essa falta de cultura e de cuidado.” Na sua avaliação, a guarita também vai atrapalhar eventos religiosos e de outros tipos na praça. Considerou que o tapume já atrapalhou a chegada da romaria de Aparecidinha na última terça-feira. “Existem outras soluções”, afirmou. E finalizou: “Isto com toda certeza vai terminar na mesa de um juiz. E a coisa pública vai sendo tratada desse jeito. E o dinheiro público, vai para onde? Paro o ralo, pela absoluta falta de critério e pelo absoluto descumprimento de normas.”
Em nota nesta semana, antes das manifestações contrárias, a Prefeitura informou que a construção da guarita segue orientação do prefeito José Crespo visando oferecer maior segurança à região central da cidade, tanto para a população quanto aos comerciantes.

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