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Sorocaba registra menor índice de crimes violentos desde 2014

23 de Agosto de 2020 às 00:01
Marcel Scinocca [email protected]

Índice sobre crimes violentos é o menor em Sorocaba desde 2014 Crédito da foto: Arte JCS

O Índice de Exposição a Crimes Violentos (IECV) de Sorocaba é o menor desde 2014, segundo o Instituto Sou da Paz, que desenvolve o trabalho anualmente. Os dados foram divulgados na quarta-feira (20) e contemplam informações de cidades acima de 50 mil habitantes. Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), Salto apresenta o melhor índice.

Entre os 139 municípios analisados no Estado, Sorocaba ficou na posição de número 76, com o índice de 3,62. A cidade ficou entre Sumaré -- 3,55 -- e Mairiporã -- 3,63. O município com o pior índice no estado foi Itanhaém, com 7,97. Já a melhor foi a cidade de Matão, com apenas 0,80. No índice, quanto maior o resultado, maior é a exposição, indicando mais casos de violência.

No histórico, Sorocaba apresenta a seguinte situação no IECV: no ano passado, a cidade teve o resultado um pouco maior, de 3,88. Em 2018, foi de 4,73. Já em 2017 era ainda maior, de 5,09, mas menor que em 2016, quando atingiu 5,19. Em 2015, o índice apresentado da cidade foi de 4,33. No primeiro ano do estudo, o índice foi de 4,59.

Na RMS, o melhor resultado foi apresentado pela cidade de Salto, com 1,59. Itu aparece na sequência, com 2,94. Na terceira melhor posição aparece a cidade Porto Feliz, com 3,26. Depois de Sorocaba, vem a cidade de Votorantim, com 3,97. Boituva teve índice de 4,09. Itapetininga apresentou 4,12, seguida de São Roque, com 4,15. Tatuí tem 4,54. Com 5,03, Ibiúna é a cidade da RMS que apresentou o pior desempenho. Vale lembrar que os dados levam em consideração apenas as cidades com mais de 50 mil habitantes.

Comissão de Direitos Humanos

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Sorocaba, Hugo Bruzi Vicari, comentou os dados do Sou da Paz. Conforme ele, além do isolamento em face do momento pandêmico, os números também mostram o resultado do trabalho das forças de segurança na cidade. Ele ainda defendeu que os índices apresentem ainda mais redução e que a criminalidade seja combatida da forma mais ampla possível, com os meios legais e respeitando as garantias legais dos cidadãos. “O combate à violência precisa continuar, mas respeitando a dignidade da pessoa humana”, lembra.

Citando a desigualdade social, ele opinou no sentido de que muito da violência vem do desespero do cidadão. O advogado defendeu uma renda básica ao cidadão, em especial em momentos críticos, como em uma pandemia, e elencou o auxílio emergencial do governo federal como medida importante e acertada. Bruzi Vicari ainda aposta que haja mais redução nesses índices. “Creio que essa redução continuará. O trabalho da polícia sorocabana é bom e tende a apresentar resultados ainda mais positivos”, projeta.

Índice sobre crimes violentos é o menor em Sorocaba desde 2014 A cidade de Sorocaba está em 76º lugar entre os 139 municípios pesquisados pela entidade. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (5/8/2020)

Por fim, ele comentou o resultado no IECV de Sorocaba frente a outras cidades da Região Metropolitana. De acordo com Bruzi Vicari, por ser cidade sede da RMS, Sorocaba recebe pessoas de todo o Brasil. Para ele, muitas dessas pessoas buscam oportunidade na cidade, mas se deparam com questões sociais, o que pode impactar nos reflexos dos índices de violência.

Márcia Luzetti De Oliveira Leite, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), comenta que os números podem ser maiores, incluindo o da violência sexual, cujo índice aumentou no primeiro semestre deste ano, segundo o Sou da Paz. “Entendo que esses números, infelizmente talvez sejam maiores. Justifico: nesse período de pandemia as subnotificações são constantes, não apenas no caso de agressões sexuais, mas no contexto geral. Devido ao isolamento social, muitas mulheres podem estar sendo agredidas e não tendo condições de fazer a denúncia”, afirma.

“Nesse aspecto, cabe a nós do CMDM o papel de apoiadoras, orientadoras e fiscalizadoras. Entendo que a prevenção ainda é a maior arma que temos em favor a nós mulheres, face ao cenário de descaso de muitos setores da sociedade, com total inércia aos crimes de agressão às mulheres”, lamenta. Na cidade, quando é analisado o ítem IECV Dignidade Sexual, Sorocaba sobe para 6,50. Ainda assim, é o menor que no mesmo período do ano passado.

Como o índice é calculado

O IECV é calculado a partir da média ponderada de três subíndices: crimes letais (homicídio e latrocínio), crimes contra a dignidade sexual (estupro) e crimes contra o patrimônio (roubo, roubo de veículo e roubo de carga). Com essas matrizes, chega-se ao IECV Geral. São analisados, segundo esses critérios, os 139 municípios do estado com ao menos 50 mil habitantes.

“Devido à quarentena, houve uma profunda mudança na circulação e comportamento das pessoas que afetou o fenômeno criminal, tornando necessário um olhar detalhado e uma maior atenção dos gestores públicos para o período”, comenta Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

Estado

Entre os índices que sofreram alteração no estado no semestre, segundo a instituição, estão os crimes patrimoniais, com queda de 31% dos roubos de veículos, por exemplo, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os homicídios, entretanto, subiram 4,5% no Estado no primeiro semestre de 2020. Os estupros no estado apresentaram queda de 14% durante o semestre. “Mas os números podem ser maiores, já que este é um crime sujeito à subnotificação”, adverte Carolina.

Lançado em 2018, o IECV tem como objetivo, conforme a instituição, analisar diferentes tendências criminais e permitindo uma comparação das estatísticas entre cidades e distritos policiais ao longo do tempo, para que se possa fazer a comparação do nível de exposição da população a esses crimes. (Marcel Scinocca)