GCM impede entrada de motoristas no Paço
Os motoristas que trabalham com o transporte de passageiros por meio de aplicativos em Sorocaba fizeram um protesto na manhã de ontem contra o decreto do prefeito José Crespo (DEM), que cria uma série de regras que devem ser seguidas pelos interessados em explorar o serviço. Os motoristas iniciaram a manifestação a partir de uma concentração no Parque das Águas, no Jardim Abaeté, às 8h, e em seguida seguiram em carreata pelas ruas da cidade, o que atrapalhou o trânsito. Logo após às 11h, o comboio de veículos seguiu em direção ao estacionamento do Paço Municipal, onde foram impedidos de entrar por meio de viaturas da Guarda Civil Municipal (GCM) e também da Polícia Militar, que fecharam o acesso da principal entrada da Prefeitura de Sorocaba. Com isso, os motoristas estacionaram os veículos nas avenidas Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes e Rudolf Dafferner, e seguiram a pé até o Paço Municipal, onde protestaram. Os manifestantes chegaram a bloquear o trânsito por alguns minutos enquanto caminhavam pela avenida Carlos Reinaldo Mendes.
Motoristas de aplicativos são impedidos de entrar no estacionamento do Paço Municipal - FÁBIO ROGÉRIO
Em frente ao Teatro Municipal Teotônio Vilela (TMTV), os manifestantes gritaram “fora Crespo”. No local estava ocorrendo um evento do Tribunal de Contas do Estado, onde prefeitos de várias cidades da região estavam participando, inclusive o de Sorocaba. Porém, no momento do protesto dos motoristas Crespo já não estava mais no local. Segundo os próprios manifestantes, uma reunião entre eles e a Prefeitura de Sorocaba estava marcada para às 14h.
Decreto prejudica
De acordo com o presidente da Associação de Sorocaba e Região dos Motoristas por Aplicativos Privados, Rogério Cruz, os motoristas protestaram contra o decreto municipal, que prejudica a categoria. Entre as determinações, a empresa interessada precisa fazer um credenciamento com validade de cinco anos e com renovação anual, ter matriz ou filial em Sorocaba, fornecer dados das viagens à Urbes e pagar mensalmente 5% da viagem como outorga pelo uso da malha viária. Quem descumprir as normas pode pagar multa que varia de R$ 70 até R$ 260. Os carros credenciados deverão rodar com selo identificador no painel fornecido pela Urbes.
Cruz disse ainda que considera o decreto “altamente restritivo e proibitivo”. Segundo ele, o documento praticamente inviabiliza a atividade de transporte por aplicativo em Sorocaba. “Aumenta o valor da tarifa com redução do número de veículos. Isso é péssimo para o passageiro”, acrescenta. De acordo com Cruz, são 10 mil corridas por dia e ao menos 2 mil motoristas que exercem a atividade em Sorocaba. “Estão decretando o aumento no nível do desemprego e dando um corte na economia”, critica.
Segundo Cruz, um total de 500 motoristas participaram do protesto, enquanto a PM contabilizou 150 pessoas. Os motoristas foram também à Câmara Municipal, onde se reuniram com os vereadores Péricles Régis (MDB) e Fausto Peres (Podemos). Péricles é autor de um “antidecreto”, que foi protocolado na semana passada na Câmara para barrar os efeitos do decreto de Crespo e buscar maior discussão do assunto. Porém, a proposta tem que passar pelas comissões da Câmara antes de ir à votação, ou seja, ainda não há data definida para o projeto de Decreto Legislativo ser votado em plenário.
A empresa Uber, por meio de nota, informou que a regulamentação do transporte individual privado em Sorocaba impõe uma série de restrições e proibições à atividade dos motoristas parceiros de aplicativos, ao mesmo tempo em que aumenta de forma significativa o custo das viagens para os usuários. “A Uber espera que o Poder Público possa promover mudanças importantes no sentido de uma regulação moderna, que integre de fato a tecnologia para o benefício da cidade”, diz a empresa.