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Fibras ajudam a combater o mau colesterol

15 de Agosto de 2018 às 13:45

Priscila Fernandes

Que a alimentação saudável e os exercícios físicos regulares são importantes para combater o colesterol alto, a maior parte das pessoas já sabe. Isso, no entanto, não impede que muitos -- e cada vez mais entre a população jovem -- acabem descobrindo que estão com os níveis de colesterol acima do recomendado. Além dos fatores genéticos para a alteração, os maus hábitos ainda são prevalentes. "Em geral, elas acham que não comem errado", relata a professora de endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) São Paulo, campus Sorocaba, Maria Helena Senger. "Às vezes a pessoa acha que o fato de manter uma dieta sem muita fritura, por exemplo, ela estaria protegida. Isso não é verdade", aponta a médica.

Maria Helena: pessoas com excesso de peso são mais propensas a ter colesterol ruim - ARQUIVO JCS

Maria Helena: pessoas com excesso de peso são mais propensas a ter colesterol ruim - ARQUIVO JCS

O problema está no excesso alimentar, especialmente de carboidratos como farinhas brancas, e no sobrepeso. A médica conta ainda que há condições familiares que dificultam a metabolização do colesterol. O sedentarismo também constituiria um fator de risco. A médica afirma que não é preciso se tornar um atleta, mas há sim a necessidade de se exercitar com regularidade. "Toda vez que você não gasta o que está ingerindo, o corpo vai transformar isso em gordura. É isso que as pessoas precisam entender, não é só uma dieta rica em gordura que vai dar colesterol. Todo o indivíduo com excesso de peso tem risco aumentado para ter colesterol", explica.

O colesterol alto é silencioso e a condição por si só raramente teria sintomas distintos. Porém, a sua existência contribui para condições graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais. "A gente não tem um grande sintoma de excesso de colesterol. Os sintomas vem das consequências disso", diz. O colesterol em excesso pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos, e com um processo inflamatório, provocar a obstrução do fluxo sanguíneo. "Não basta só você ter colesterol alto, tem que ter um ambiente propício para que exista esse processo inflamatório", pondera.

O bom e o mau

O colesterol é apresentado em sua medida total e em suas frações, sendo duas delas o HDL (high density lipoprotein) e o LDL (low density lipoprotein). O LDL é considerado o "colesterol mau", que favorece o aparecimento de doenças. Enquanto o HDL, o "bom" aumenta com a adoção de hábitos adequados. "Esse colesterol, chamado bom, aumenta com uma dieta saudável e atividade física constante", diz. Há ainda o triglicérides, que também é prejudicial para a saúde cardiovascular. Para saber os níveis do colesterol é preciso fazer uma exame laboratorial, recomendado especialmente a partir dos 40 anos, mas para pessoas mais jovens também se houver histórico familiar da condição.

De acordo com a médica, o tratamento costuma ter resposta satisfatória. Senger conta, no entanto, que é preciso achar a medicação ideal para o paciente e ainda fazer o convencimento da importância de mudar a rotina. "Na maior parte dos casos, a resposta é muito boa a essa associação de medicamentos e uma vida mais saudável", observa.