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Familiares e amigos pedem prisão de suspeito pela morte de Geovanna

30 de Novembro de 2018 às 21:13

Mãe de Geovanna diz que mandado de prisão é uma vitória. Crédito da foto: Emidio Marques

Foi expedido o mandado de prisão de Jackson Silva dos Santos, de 21 anos, que teria confessado o assassinato da ex-namorada, mas não foi preso devido à legislação eleitoral. A informação chegou aos familiares e amigos da vítima, Geovanna Crislaine Soares da Silva, de 17 anos, no momento que realizavam um protesto na tarde desta sexta-feira (30) pedindo a prisão do suspeito. O corpo de Geovanna foi encontrado nas proximidades do bairro Caputera, no dia 27 de outubro, com três marcas de faca e ele teria confessado o crime na manhã do dia 28, na Delegacia de Votorantim. O rapaz seguia foragido até a noite desta sexta-feira.

Embora tivesse confessado o crime, segundo a polícia, a legislação eleitoral determina que ninguém seja detido, somente em caso de flagrante, cinco dias antes e até 48 horas depois do encerramento das eleições — que ocorreram justamente no dia 28. Com isso, o rapaz, que é ajudante geral, aguardava em liberdade o andamento das investigações. A situação causou revolta aos familiares e amigos da adolescente, que criaram a campanha “Justiça pela Geovanna e todas as mulheres que sofreram crimes brutais”.

Protesto foi feito pelas ruas do Campolim. Crédito da Foto: Emidio Marques

Com cartazes, faixas e camisetas, o grupo protestou em frente à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no bairro Campolim, em Sorocaba. Os gritos de “justiça” e “queremos o assassino na cadeia” marcaram a manifestação, que pedia explicações sobre os rumos da investigação. Os pais da vítima foram recebidos pela delegada que teria informado para a família sobre o encerramento das investigações policiais e que a Justiça já havia expedido o mandado de prisão na quinta-feira (29). Policiais teriam feito buscas pelo suspeito, mas ele ainda não havia sido localizado. “Agora ele está foragido. Então, peço a todos que, se virem ele, comuniquem à polícia”, afirma a mãe de Geovanna, Cristina Soares, de 34 anos.

Pais de Geovanna pedem a prisão do suspeito pela morte da filha. Crédito da foto: Emidio Marques

Os mais de trinta dias entre o assassinato e a expedição do mandado de prisão foram de luta, conforme relata a família. “Aqui, está meu esforço porque eu ficava dia e noite no celular, pedindo ajuda”, diz. Após a reunião na delegacia, Cristina exibiu uma cópia do documento aos manifestantes, que aguardavam do lado de fora. O momento foi de comemoração e emoção. “Isso é uma vitória muito grande para nós”, desabafa a mãe.

A mobilização contou com a ajuda de amigos, familiares, membros de uma igreja e do Partido Socialismo e Liberdade (Psol). Nas faixas e camisetas, o pedido era também de justiça para outras vítimas de feminicídio. “Estamos aqui não só por ela, mas gritando justiça por todas”, afirma Cristina. Ela relata que Jackson e Geovanna namoraram por três anos e dois meses, mas que a moça terminou o relacionamento após uma crise de ciúmes do rapaz há dois meses. O crime teria ocorrido após Jackson buscar Geovanna no trabalho afirmando que queria conversar com a vítima. “A gente jamais imaginaria que isso fosse acontecer. A gente tratava ele muito bem, como se fosse um filho. Ele convivia conosco em nossa casa. Então, isso foi uma facada não só nela, mas em nós também”.

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