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Família arrecada doações para motoboy que ficou acamado após acidente

12 de Março de 2021 às 12:26
Wilma Antunes [email protected]

Esposa de Felipe diz que o dia mais feliz de sua vida foi quando o marido recebeu alta do hospital. Crédito da foto: Divulgação

O motoboy Felipe Ramos Rosa da Silva, de 21 anos, viu sua vida mudar completamente após um acidente de trânsito, em 11 de janeiro de 2020. Ele sofreu lesões neurológicas, ficou acamado e não consegue mais falar, após ter sido atingido por uma caminhonete Hilux, na avenida Dom Aguirre, em Sorocaba. Para encarar o desafio, a família realiza campanha de arrecadação para ajudar a cobrir os gastos com os cuidados necessários do rapaz.

Silva teve uma fratura exposta na perna esquerda e foi acometido por uma forte hemorragia. Socorrido e levado ao Hospital Regional de Sorocaba, a equipe médica recomendou uma cirurgia de emergência, mas, antes mesmo do procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória por cerca de 12 minutos, que ocasionou em uma hipóxia cerebral difusa — insuficiência no fornecimento de oxigênio para o cérebro.

Atualmente, o jovem está em acamado e com sequelas neurológicas. Silva não tem controle dos movimentos, não fala e se alimenta por uma sonda GTT. A esposa Thaináh Silva, de 20 anos, lembra com pesar dos 52 dias que o marido passou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e dos dois meses no quarto do hospital. “O dia mais feliz de nossas vidas foi em 21 de abril, quando ele finalmente recebeu alta e voltou para casa”, conta emocionada.

Depois do acidente, o casal teve que se mudar para a casa dos pais de Felipe, onde moram cinco pessoas: a mãe do motoboy, Vanessa Silva, 40 anos; o pai Samuel Silva, 47 anos; a irmã Larissa Silva, 17 anos; Felipe e Thaináh. No momento, somente o pai está empregado.

Vanessa conta que saiu do trabalho para ajudar Thaináh a cuidar do filho. “Não tinha cabeça para focar no serviço. Só pensava no meu filho. Expliquei a situação e pedi para sair. Eu e a Thaináh o acompanhamos em tudo. Banho, troca de fraldas, consulta médica.”

Segundo a mãe do jovem, ele chegou a receber auxílio do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) no valor de R$ 1045, por cerca de seis meses. O suporte foi interrompido para dar entrada na aposentadoria por invalidez. O processo está em andamento.

Felipe faz tratamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, neurologista, terapeuta ocupacional e neurofisioterapeuta. Mesmo com a situação difícil, o rapaz já mostrou melhoras significativas. Vanessa diz que o filho chegou na casa sem nenhum estímulo e, agora, já consegue esboçar sorrisos. “Hoje o olhar dele não é tão vazio. Ele mexe a cabeça quando a gente chama e até sorri.”

Os médicos não sabem informar se Silva voltará, ou não, a ter uma vida normal. “Eles dizem que já viram pacientes na mesma situação que o meu filho voltarem ao normal, mas também já viram não voltar. Tudo depende da reabilitação dele”, conta a mãe do rapaz.

As doações são primordiais para manter a qualidade de vida e a reabilitação do motoboy. De acordo com a família, a dieta enteral é cedida pela Prefeitura de Sorocaba. Já as fraldas, medicamentos, materiais hospitalares e dinheiro são arrecadados por amigos, igrejas e pessoas que se mobilizam com a história do jovem.

Toda ajuda é bem-vinda. Os interessados podem fazer as doações por meio da Vakinha (vakinha.com.br/vaquinha/ajudem-o-nosso-guerreiro-felipe); via Pix, chave: (15) 99109-4970 ou em contato com a Thaináh, pelo mesmo número.

Atualmente, o motoboy está acamado e se alimenta por uma sonda GTT. Crédito da foto: Divulgação

Rifa solidária

Comovido com a história, Carlos Alberto Junior, de 31 anos, proprietário da Batataria e Açaíteria Dr. Batata, soube do caso e resolveu fazer uma rifa solidária para ajudar a família. O ganhador levará uma batata suíça e uma mini barca de açaí.

A cartela tem 100 nomes e cada um custa R$ 10. Até o fechamento desta matéria, 23 nomes já haviam sido escolhidos. Quem quiser comprar a rifa, pode entrar em contato com o estabelecimento pelo telefone (15) 3035-6617.

O empresário conta ter feito um grupo no WhatsApp para facilitar a organização dos pagamentos. Os interessados em participar podem pedir ao dono da batataria para serem inseridos no grupo. Todo o dinheiro arrecadado será destinado ao tratamento do motoboy.

“Fiquei sensibilizado pela história e decidi fazer a rifa. Temos que ajudar o próximo. Se cada um ajudar um pouquinho, conseguimos fazer a diferença”, finaliza Junior. (Wilma Antunes)