Sorocaba e Região

Evento discute trabalho e infância roubada que envolve mais de 2 milhões de pessoas

A pesquisa “Pobreza na Infância e na Adolescência” feita pelo Unicef trouxe dados alarmantes sobre o trabalho infantil
Evento discute trabalho e infância roubada
Estudantes também participam do seminário realizado no Teatro Municipal. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A infância roubada pelo trabalho ilegal foi o tema de um seminário realizado nesta terça-feira (11) em Sorocaba em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado nesta quarta-feira (12). No evento, realizado no Teatro Municipal, estiveram presentes o desembargador do Trabalho, João Batista Martins César, o procurador do Trabalho, Ronaldo José de Lira, além de vereadores, representantes do Executivo e estudantes. O titular da Secretaria de Igualdade e Assistência Social (Sias), Jefferson Calixto, informou que neste ano, em abordagens sociais realizadas pelas equipes da pasta, foram constatadas 95 crianças trabalhando em semáforos da cidade.

A pesquisa “Pobreza na Infância e na Adolescência”, feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), trouxe dados alarmantes sobre o trabalho infantil. Cerca de 2,5 milhões de brasileiros entre 5 e 7 anos, estão nesta condição. O desembargador João Batista afirma que o trabalho infantil ainda ocorre porque há uma má interpretação da sociedade para com o assunto. “A comunidade ainda defende que trabalhar desde cedo é bom, mas não enxerga os transtornos que isso pode causar e um dos mais graves é a evasão escolar, que usurpa toda a expectativa de vida dessa criança”, disse durante o evento. O desembargador também exaltou a importância dos professores na construção de uma sociedade mais igualitária.

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Segundo as leis brasileiras, o trabalho é liberado para adolescentes acima dos 14 anos dentro do programa Jovem Aprendiz, que tem regras específicas de contratação. Além de roubar o direito à educação, o trabalho infantil, segundo a Unesco, ainda causa prejuízos à saúde, já que as crianças são expostas a condições insalubres e inseguras. Os transtornos psicológicos também são consequências dessa exploração, pois não raro, o trabalho infantil está relacionado ao abuso sexual.

O diretor da regional Sorocaba do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Domingues de Syllos, presente no evento, destacou a importância de oferecer oportunidade aos adolescentes. “Incentivar a aprendizagem é uma maneira digna de inserir o jovem no mercado de trabalho e buscamos sempre conscientizar as empresas sobre a importância de se abrir essa porta”, disse.

Em Sorocaba, destaca o titular da Sias, ações de conscientização sobre o trabalho infantil vem sendo promovidas em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), como realização de exposições, palestras e também as abordagens sociais. No ano passado foram contabilizadas aproximadamente 300 crianças e adolescentes trabalhando principalmente nos semáforos de grandes avenidas da cidade. “É preciso um trabalho unindo forças para proteger esses menores”, disse Calixto.

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Qualquer pessoa pode denunciar casos de trabalho infantil por meio do telefone (15) 3229-0774 ou então pelo 100, que é o disque-denúncia do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Além do seminário realizado na manhã de ontem, outros dois eventos sobre trabalho infantil foram realizados na cidade. Às 19h ocorreu a jornada de debates “Que realidade é essa?”, promovido pelo Núcleo em Educação e Estudos da Infância do campus Sorocaba da UFSCar, com a presença do juiz do Trabalho, Tarcio Vidotti. No mesmo horário, a Câmara de Vereadores realizou uma audiência pública com o objetivo de inspirar empresas sobre a importância da aprendizagem. (Da Redação)

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