Sorocaba e Região

Sorocaba passa a ser referência em quatro setores produtivos

Estado reconheceu na cidade concentração de empresas aeronáuticas, cervejeiras, metalmecânicas e de energias renováveis
Estado reconhece quatro APLs em Sorocaba
Conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o APL Aeronáutico possui 22 empresas, emprega 527 pessoas e gera R$ 120,4 milhões. Crédito da foto: Fábio Rogério (15/6/2020)

Sorocaba passou a ser referência na concentração de empresas dos setores aeronáutico, cervejeiro, de energias renováveis e metalmecânico. Isso porque os quatro setores, que reúnem mais de 90 empresas, foram reconhecidos este mês como Arranjos Produtivos Locais (APLs) pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado.

Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur) da Prefeitura de Sorocaba, as empresas dos quatro setores atualmente representam mais de R$ 2,1 bilhões na economia sorocabana. Além disso, elas geram mais de 11 mil empregos na cidade.

Conforme a Sedettur, o reconhecimento traz como principais vantagens o acesso à políticas destinadas ao fortalecimento dos APLs, como a qualificação de mão-de-obra. Possibilita ainda a participação em editais de fomento promovidos pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, o acesso à linhas de crédito específicas (públicas ou privadas) para empresas inseridas em APLs; e a possibilidade de participação em editais e demais projetos promovidos por entidades parceiras, integrantes ou não da Rede Paulista de APLs.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Oliveira, afirma também que o reconhecimento transforma a cidade numa referência quando o assunto é aqueles quatro setores.

Dados da Sedettur destacam que o APL Metalmecânico possui 24 empresas não só da cidade, mas também da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Já o APL Aeronáutico possui 22 empresas. O APL Cervejeiro (Associação Cerveja Livre) tem mais 15 empresas instaladas entre Sorocaba e em cidades da RMS. E o APL de Energia Renováveis possui cerca de 32 empresas.

Em relação à representatividade dos setores na economia de Sorocaba, a Sedettur aponta que o APL Metalmecânico é responsável por R$ 2 bilhões; o aeronáutico, R$ 120,4 milhões; e o cervejeiro, R$ 30 milhões. O valor do APL de Energias Renováveis não foi divulgado.

Em vagas de emprego atualmente geradas na cidade, o APL de Energias Renováveis tem aproximadamente 8 mil empregos; o metalmecânico, 2.359; o aeronáutico, 527, e o cervejeiro emprega 120 pessoas.

O processo de reconhecimento e recadastramento dos APLs foi iniciado no final do ano passado, quando a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico publicou um chamamento público. “A Sedettur acompanhou, auxiliou e trabalhou de forma integrada, colaborando com os APLs locais no sentido de contribuir para o sucesso nesse reconhecimento que, agora, é fato”, destaca a chefe de Divisão de Desenvolvimento Empresarial da Sedettur, Helenir Lima.

Ela lembra que há pelo menos três anos Sorocaba realiza atividades objetivando a formação de APLs e, para tanto, estabeleceu parcerias com entidades e instituições. Houve também o monitoramento das ações de incentivo dos governos estadual e federal para transformar os aglomerados em APLs, situação que credencia o município a receber recursos e oferecer maior ganho de produtividade às empresas.

APLs

Os APLs são agrupamentos de empresas que objetivam melhorar o seu desempenho produtivo com práticas de cooperação, interação e treinamento. Isso reflete no desenvolvimento da economia regional e em ganhos em competitividade e escala entre os participantes. Os APLs podem possibilitar, por exemplo, o uso compartilhado de maquinário, a organização de treinamentos e capacitações conjuntas de mão-de-obra, com a respectiva divisão de custos.

Arranjos discutem estratégias para fortalecer empresas

Aumentar a competitividade das empresas é um dos desafios dos arranjos produtivos locais (APLs). No início do mês, o APL Agrotec, que abrange os municípios de Ibiúna, Pilar do Sul, Piedade, São Roque e São Miguel Arcanjo, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), realizou um evento do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) para discutir os cenários do agronegócio durante e após a pandemia da Covid-19.

O evento foi realizado pela internet e contou com a participação de produtores rurais, membros da cadeia produtiva como feirantes, restaurantes, minimercados e empresas de alimentação fora do lar, secretários municipais, presidentes e representantes de sindicatos rurais, cooperativas e associações agrícolas. Participaram do encontro virtual o presidente do Sebrae São Paulo, Tirso Meirelles, e o gerente do Escritório Regional do Sebrae em Sorocaba, Alexandre Martins.

Por sua vez, o APL de Energias Renováveis promoveu um encontro online para debater o novo marco regulatório e estratégias de competitividade para o setor de energia solar. O evento discutiu a importância da energia solar no Brasil e reuniu especialistas do tema, representantes das agências brasileiras de energia, entidades de classes como o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), universidades e empresários do setor de energia limpa.

A coordenadora do APL, Marimar Guidorzi, afirma que o trabalho começou em 2016 e atualmente o grupo de empresas trabalha na questão da competitividade das empresas e definição de planejamento estratégico, novos mercados e negócios. “O objetivo do APL é tornar a região de Sorocaba referência no setor de energia renováveis”, diz. Já o deputado federal Vitor Lippi (PSDB) defende a energia solar como a oportunidade de geração de emprego, ampliação da indústria local e como fonte de desenvolvimento para toda a região. (Ana Cláudia Martins)

Comentários