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Economia Sorocaba e Região

Dia do Trabalho: Empreendedor enfrenta a incerteza

Veja três histórias de quem arregaçou as mangas, foi trabalhar sem carteira assinada e fez valer a pena
Empreendedor enfrenta a incerteza
Ailton ficou desempregado e decidiu trabalhar por conta. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Neste 1º de Maio é comemorado o Dia do Trabalho, uma data internacional. Para lembrá-la, o Cruzeiro do Sul mostra a história de três empreendedores que decidiram arregaçar as mangas e enfrentar com garra, coragem e muitas incertezas, a aventura que é abrir uma empresa e fazer o negócio prosperar.

Seja por desemprego ou por vontade de empreender, os trabalhadores ouvidos pela reportagem contam as superações e os desafios que ainda enfrentam diariamente desde que assumiram a responsabilidade de abrir a sua própria empresa. Quando o trabalhador deixa de ser funcionário com carteira assinada para administrar o próprio negócio, é ele quem passa a ter todas as obrigações, responsabilidades e preocupações que a função exige.

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Além disso, muitos empreendedores deixam de lado as férias anuais, os descansos em feriados e finais de semana e em muitos casos ter uma empresa significa trabalhar todos os dias, com a mente ligada ao negócio praticamente 24 horas por dia. Mesmo assim, Ailton Aparecido Vita, 53 anos, Silvio Eduardo Garcia, 62 anos e Renan Tuzino Kamia, 26 anos, afirmam que todos os sacrifícios valem a pena.

‘É colocar a mão na massa e trabalhar’

Ailton Aparecido Vita, 53 anos, há 10 anos administra com a família e poucos funcionários um sacolão chamado Super Varejão Bacana, em Araçoiaba da Serra. Ele conta que a cabeça vive no negócio 24 horas por dia e que desde que deixou de ser empregado para ter sua própria empresa não sabe mais o que é ter 30 dias de férias por ano, e nem folgas em feriados e aos finais de semana. “Eu abro o sacolão todos os dias das 8h às 19h. É todo dia assim, sem descanso. E quando chega em casa não existe isso de descansar, pois ainda tem todo o trabalho administrativo e financeiro da empresa para fazer”, conta.

Ele afirma que entre três e quatro vezes por semana acorda às 4h30 para ir até a Ceagesp Sorocaba, onde compra as frutas, verduras e legumes para vender no sacolão. “Eu acordo ainda de madrugada porque tem que chegar bem cedo na Ceagesp para comprar os produtos. Toda semana é assim”, diz.

Ailton conta que chegou a trabalhar com carteira assinada quando foi motorista de caminhão por pouco mais de cinco anos. Depois perdeu o emprego e decidiu que iria trabalhar por conta própria. “No meu caso depois que eu fiquei desempregado e sem ter muito estudo, decidi trabalhar por minha conta. Criei uma marca e vendia ovos para os supermercados da cidade. Depois o negócio deixou de ser lucrativo e em 2008 decidi abrir o sacolão, e sigo na luta até hoje”, diz. Para ele, empreender ou ser empregado tem suas vantagens e desvantagens.

“Quando a gente é funcionário de uma empresa tem férias, salário todo mês, folga aos finais de semana e outros benefícios. Mas, quando você abre seu próprio negócio tem que dar conta de tudo, então, a gente trabalha muito, conta com a ajuda da família, não tem descanso e ainda tem a responsabilidade com os seus empregados. Você não desliga nunca do trabalho”, aponta. Ailton, porém, afirma que o lado bom de ter seu próprio negócio é trabalhar com o que se gosta e prestar um bom atendimento aos clientes. Para ele, os empreendedores precisam ter menos interferência do Estado e o comércio precisa ser livre, sem tanta burocracia. “Quando a gente fica desempregado não dá para ficar pensando muito. É colocar a mão na massa e trabalhar e trabalhar bastante”, aponta.

‘Não tinha a pretensão de ser o que é hoje’

Empreendedor enfrenta a incerteza
Silvio Eduardo: fazer o que gosta dá para ganhar dinheiro. Crédito da foto: Erick Pinheiro

“Se você fizer igual a todo mundo, você é só mais um no mercado”, diz Silvio Eduardo Garcia, 62 anos, proprietário do restaurante Costela da Serra, em Araçoiaba da Serra. Além de proprietário, ele foi o responsável pela ideia de resgatar os sabores da culinária tropeira paulista como diferencial para transformar seu gosto pela gastronomia em um restaurante de destaque na região. Da boa comida caipira preparada em reuniões com amigos surgiu uma taberna no centro de Araçoiaba em 2007. Depois, com o fogão à lenha, a comida rústica caiu no gosto dos clientes e o espaço ficou pequeno. E em 2014 o restaurante ganhou novo endereço e um espaço mais amplo. “Eu não faço comida. Não montei um restaurante para alimentar pessoas e ganhar dinheiro com isso. Aqui a gente tem missão e objetivo”, destaca.

Silvio conta que trabalhou em grandes empresas na área comercial e administrativa por quase 30 anos e depois decidiu empreender fazendo o que ele mais gostava que é cozinhar. “Resolvi montar um pequeno negócio, um clubinho de amigos. Não tinha a pretensão de ser o que é hoje. Eu cozinhava para os amigos e o negócio foi crescendo. A família do meu pai é de homens cozinheiros”, diz. Para montar o restaurante, Silvio afirma que resgatou a culinária rústica, caipira e tropeira por meio dos sabores com o objetivo de remeter as pessoas de volta ao passado. “A gastronomia é importante em todos os aspectos porque ela junta as pessoas. E nosso Estado é o único do Brasil que perdeu sua identidade gastronômica por conta da modernidade e da imigração. Hoje você come comida de todos os lugares do mundo em São Paulo, mas a gastronomia paulista é a tropeira. Então, eu resgatei isso e todo esse ambiente daquele tempo”, aponta.

Empreendedor enfrenta a incerteza
Espaço de Silvio faz resgate da culinária tropeira. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Ele afirma ainda que seus quase 30 anos como funcionário em grandes empresas o ajudaram muito a administrar o próprio negócio, pois participou de diversos treinamentos ao longo de sua carreira profissional. “Antigamente muita gente ganhou dinheiro abrindo uma portinha e não se preocupava com atendimento. Mas hoje não. A pessoa tem que saber, não é uma questão de sorte. A sorte anda acompanhada do conhecimento e muito trabalho”, aponta.

Embora atualmente Silvio tenha 22 empregados, sendo três deles líderes, ele conta que acompanha de perto toda a rotina do restaurante que funciona no almoço e no jantar. “É um cuidado todo especial com os sabores e com a preparação das carnes, pois não usamos temperos, mas só sal e alho. Fazemos nossas linguiças e acompanhamos desde o abate dos animais e na roça do plantio até a colheita. Tudo isso para levar o melhor para o cliente. E no dia a dia eu não fico só no caixa, mas passo de mesa em mesa para saber se o cliente está sendo bem atendido”, diz. Para Silvio o segredo do sucesso é muito trabalho e fazer o que gosta. “Fazer o que gosta é muito bom e não estranhe se você começar a ganhar dinheiro com o que gosta de fazer”, diz.

‘Fiz vários cursos de capacitação’

Empreendedor enfrenta a incerteza
Renan teve a ideia de fazer cachorro-quente em Nova York. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Depois de trabalhar vários anos como funcionário de uma rede de cafeterias em Sorocaba, o administrador de empresas, Renan Tuzino Kamia, 26 anos, aproveitou a oportunidade de participar de uma das mais importantes feiras de gastronomia de Nova York (EUA) e abriu seu próprio negócio em 2015: uma rede de franquia chamada Salch&pão, que trouxe para o Brasil o cachorro-quente norte-americano. Renan conta que quando decidiu abrir seu próprio negócio saiu do emprego e vendeu seu carro para levantar R$ 45 mil necessários para investir no negócio. Ele conta que primeiro testou o modelo de negócio do tipo carrinho de hot dog em eventos e como o resultado foi positivo decidiu investir em sua própria empresa e assim criou o marca, que virou uma rede de franquia.

Com 30 mil hot dogs vendidos por mês, Renan afirma que atualmente a franquia tem 15 operações em aeroportos, eventos e em shoppings, de seis Estados. Mas para alcançar resultado ele disse que enxergou na feira de gastronomia nos EUA uma oportunidade para empreender, e que aproveitou todo o conhecimento adquirido durante cursos de capacitação ao longo de sua carreira na área de gastronomia para abrir sua própria empresa. “Fiz vários cursos de capacitação pelo Sebrae e busquei todo o conhecimento necessário antes de abrir meu negócio. E assim que criei o primeiro carrinho de hot dog saí fazendo eventos em Sorocaba e em São Paulo para testar a viabilidade da ideia e a aceitação do consumidor”, diz.

Empreendedor enfrenta a incerteza
Carrinho de cachorro-quente já resultou em franquia. Crédito da foto: Divulgação

Renan conta que se fosse preciso faria tudo de novo para ter seu próprio negócio e que conseguiu retorno de todo o investimento inicial após dois meses de operação da empresa. “Valeu muito a pena e este ano vamos participar do Rock in Rio e outros grandes eventos, além da expansão do número de franquias. Mas tudo isso só foi possível porque eu já tinha anos de experiência na área de gastronomia enquanto era funcionário de uma rede de cafeterias e por conta disso fiz muitos cursos e treinamentos, que me ajudaram bastante”, diz. O empreendedor também destaca que foram vários finais de semana com o carrinho em eventos, ou seja, o que não falta é horário para o trabalho começar e terminar. O foco no negócio é 24 horas por dia. “Todos os produtos do hot dog são de fornecedores especiais todos escolhidos especialmente para o negócio. É preciso estar atento a todos os aspectos”, destaca Renan. (Ana Cláudia Martins)

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