Covid-19 Sorocaba e Região

Dia do Enfermeiro: profissionais enfrentam dia a dia desafiador na pandemia

São 2256 profissionais de enfermagem registrados em Sorocaba, enfrentando desafios diários
Enfermeira
Mulheres são maioria entre os profissionais da enfermagem. Crédito da foto: Paula Fróes/GOVBA

Eles são heróis que não se acham heróis. E esses heróis, que ao invés de capas, usam jaleco, também voam. Sim, eles voam! Da casa para os hospitais, paras as UPAs, UPHs; das enfermarias para as UTIs e das salas de medicação para os centros cirúrgicos. Para o público em geral, depende da perspectiva,do ponto de vista. Para os pacientes, depende da necessidade de cada um, muitas delas, urgentes. O fato é que eles estão sempre lá. Em Sorocaba, há uma legião desses, são mais de 2 mil.

Conforme o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren-SP), são 2.255 profissionais de enfermagem atuando em Sorocaba, em instituições públicas e privadas. Mulheres são maioria. De acordo com os dados, 1.958. ou seja, mais de 85%.

Na lista, Sílvia Luzia de Paula Stramm, gerente de enfermagem do Hospital Santa Lucinda. “Acho uma profissão linda, nobre. Só faz enfermagem que tem vocação para cuidar do próximo”, afirma. “Temos que enfrentar. Não tem jeito. Eu posso pegar o coronavírus em qualquer lugar. A gente se apega nisso”, comenta. “O que a gente está fazendo é investir em treinamento e em EPI”, diz sobre a unidade. Questionada se acha heroína, ela é enfática. “Não me sinto heroína, me sinto em uma profissão essencial. A gente está se sentindo mais valorizado”, diz.

Na linha de frente e também enfermeiro do CHS, Doriedson José Maciel. Enfermeiro há 22 anos, ele também encara o novo vírus como um desafio. “Este vírus, por exemplo, é um desafio e tanto, pois não sabemos como ele age”, diz. Ele recebe as pessoas que estão com sintomas da Covid-19. “Gosto muito de cuidar das pessoas, de me doar ao outro. Faço com amor”, disse.

“Não me sinto herói. Não me sinto melhor ou pior que ninguém. Sou um profissional da saúde.” A mensagem dele é de esperança. “Ele — o vírus — está nos mostrando a importância da família, do trabalho em equipe, que ninguém consegue chegar em lugar algum sozinho”, que temos que lutar e enfrentar tudo. Está servindo para mostrar que ninguém é diferente de ninguém, da importância de um aperto de mão, de um abraço, coisas que deixamos muitas vezes para trás. Na enfermagem nunca podemos caminhar sozinhos”, conclui.

Apesar de mais de dois mil, os profissionais da cidade se concentram em maior número no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Lá, são 1.138. Na rede pública municipal são 235. Eles trabalham, ainda segundo o Coren, em 326 instituições diferentes. Uma delas, é a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba. Lá, atua Alessandra Paes.

Ela conta que também passou por todas as área da enfermagem, com 24 anos de carreira na área da saúde. Tudo, conforme ela, por conselho de uma irmã. Natural de Boituva, ela conta que entrou e não saiu mais da enfermagem. Na Santa Casa, ela está desde 1998, com um intervalo, passando por outras instituições, incluindo o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Teve passagem praticamente por todos os setores, incluindo UTIs e centros cirúrgicos, “Voltei com o coração feliz, apaixonada. Quem trabalha na Santa Casa é filho da Santa Casa”, garante.

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Atualmente, Alessandra Paes atua na orientação do uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e coordena UTIs direcionadas para o atendimento de pacientes infectados pela Covid-19. “A equipe estava um tanto quanto assustada. É uma doença nova, que ninguém conhece”, diz. “Bateu de novo a vontade de cuidar, me senti com vontade de retornar”, lembra. “Para mim, foi o momento de maior desafio da minha vida”, conta.

“Foram poucos dias, mas intensos dias para colocar em ação uma equipe, foi bem trabalhoso, mas ao mesmo gratificante”, relembra. Em 30 dias, conforme ela, foram implementados 20 leitos de UTI. “Isso é o suprassumo da profissão”, brinca. Orgulhosa, ela conta que o troféu do trabalho é a cura dos pacientes de Covid. Em Sorocaba, graças também aos enfermeiros, são centenas, aliás, com exatidão, até a segunda-feira (11), eram 221.

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“É seguir em frente, Tenho plena certeza de que isso vai passar”, diz esperançosa. Ela termina como enfrentará, se daqui a algum tempo, aparecer outra doença. “A gente tem que estar preparada e fortalecida para enfrentar”, termina.

Ainda conforme os dados do Coren, a média de idade dos enfermeiros de Sorocaba é de 39 anos. De acordo com o apurado pelo Cruzeiro do Sul, ao menos 27 enfermeiros se infectaram em Sorocaba pelo novo coronavírus. Felizmente, estão todos vivos.

Uma vida embalada por desafios diários

Acostumados a desafios diários, profissionais de enfermagem de Sorocaba contam que enfrentar o coronavírus está exigindo muito da categoria. Mas não é o primeiro vírus em seus currículos. Rose se Fátima Zaccharias, de 59 anos, que atua no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), formada desde 1986, conta que foi a primeira enfermeira da cidade a trabalhar, na década de 1980, diretamente com pacientes portadores de outro vírus, o HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana.

Hoje é assistente da gerência de enfermagem e está atuando no plano de contingência relacionado ao coronavírus. “Nós temos que adaptar algumas coisas, aqui. É um estrutura antiga. Estamos fazendo do possível, adaptando os fluxos, trabalhando com orientação“, explica.

Rose também participou do primeiro congresso sobre o novo coronavírus, realizado em maio. Casada e com três filhos, nunca teve dúvidas a respeito da profissão. “Desde quando me conheço por gente meu foco é enfermagem”, conta. Nascida em Itu, veio para Sorocaba com três meses.

Ela conta ainda que mudou alguns hábitos de vida com a pandemia. “Tenho muita preocupação. Meu marido fez uma cirurgia cardíaca há um ano. Tenho três filhos adultos e todos nós estamos tendo cuidado redobrado com higiene. De acordo com ela, a ordem é tirar o uniforme na garagem e ir direto para o banho.

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Flávio Gonçalves, gerente de enfermagem do CHS. Crédito da foto: Acervo pessoal

A exemplo de Rose, Flávio Gonçalves, de 37 anos, gerente de enfermagem do CHS, atualmente administrado pelo Seconci, enfrentou também o H1N1, na década passada. Conforme ele, os desafios são diferentes. “É um momento mais crucial, mais crítico”. De acordo com o profissional, é um momento em que se tem de atender a população, mas, ao mesmo tempo, proteger os enfermeiros e enfermeiras, que também são mães e pais. “Eles não podem ser mais expostos aos riscos, mais do que já estão. Esse é o desafio principal”, afirma.

Natural de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, ele veio para Sorocaba em 2014. Junto, mulher e filha. Com o novo coronavírus, ele também confirma que a rotina mudou, inclusive em casa. Aliás, como diz ele, mudou por completo. “Eu ando com uniforme privativo, que eu mandei confeccionar.Utilizo essa vestimenta durante o dia, mais as proteções que o hospital fornece. Ao chegar em casa, pelos fundos, essa roupa tem que ser imediatamente lavada. Os calçados não entram, em hipótese alguma. Já vou direto para o chuveiro. Após isso é que vou ter contato com minha filha”, explica. “Graças a Deus, até o momento não tivemos nada.”

Flávio também fala da questão de os profissionais serem considerados heróis. Para ele, qualquer ato é encarado como agradecimento. “Na verdade, quem é da área da saúde, qualquer obrigado é um reconhecimento. Só ver a pessoa saindo pela porta (recuperada) já é algo que emociona”, garante. “De fato, esse ano, está havendo um reconhecimento um pouco maior, principalmente da enfermagem. Na rua mesmo, as pessoas reconhecem. Acho muito bacana, muito válido. Está sendo algo muito árduo. É um reconhecimento em cima de muito sofrimento e muita luta mesmo”. (Marcel Scinocca)

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