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Sorocaba e Região

Dia de Finados: Você conhece a história dos cemitérios de Sorocaba?

Os cemitérios reproduzem a sociedade que os gerou e têm origem nos costumes indígenas
Cemitério da Saudade. Crédito da Foto: Fábio Rogério (2/11/2019)

Os cemitérios reproduzem a sociedade que os gerou. Esta definição consta do folheto sobre o projeto “Passeios Culturais – Cemitério da Saudade”, idealizado pela Prefeitura de Sorocaba.

O material é entregue aos visitantes nas programações de passeio pelo pesquisador José Rubens Incao, que também é diretor da Biblioteca Infantil da cidade.

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De acordo com o folheto, as pesquisas em cemitérios permitem o conhecimento de diferentes aspectos da cidade. Esses locais são fontes de dados sobre estudos étnicos e genealógicos, qualidade de vida, religião, política, gosto artístico, padrões econômicos, tipos de reações perante a morte.

Por exemplo, o estudo de diferentes sepulturas, produzidas em épocas variadas, reflete as várias fases econômicas da cidade. O tamanho e a qualidade dos túmulos podem definir os perfis sociais da comunidade.

E os túmulos, por meio de inscrições, epitáfios, símbolos e imagens permitem mostrar como a população enfrenta ou idealiza a morte. Além de suas diferentes leituras sobre a morte conforme a faixa etária, econômica ou religiosa.

Lideranças

Túmulos, inscrições, mensagens, assinaturas, bustos ou efígies registram a presença de lideranças. Nesse aspecto, o cemitério da Saudade abriga sepulturas de muitos políticos, empresários, religiosos, que fizeram história em suas atividades durante as respectivas trajetórias de vida.

Lá estão sepultadas, entre outras figuras de projeção, João de Camargo (1858-1942), Monsenhor João Soares do Amaral (1844-1900), Francisco de Paula Xavier de Toledo, o Professor Toledo (1825-1903), Antonio Francisco Gaspar (1891-1972), Aluísio de Almeida (1904-1982).

Túmulos famosos no cemitério da Saudade atraem muito a atenção do público. Entre eles está o da menina Julieta Chaves. Morta aos 7 anos de idade em 1899, vítima de violência, ela desapareceu de casa e seu corpo foi encontrado junto ao córrego Itabacaí.

Esta morte gerou grande comoção na cidade. Os moradores se uniram para a construção de seu túmulo, feito em mármore. Tempos depois, um novo túmulo foi construído, em forma de capelinha, doação do empresário Nicolau Scarpa.

Ela também ficou conhecida como “Santinha de Sorocaba” e inspira a fé de devotos. A história de Julieta Chaves foi tema de livro do pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro.

Indígenas

O folheto da Prefeitura também informa que os primeiros cemitérios da região de Sorocaba foram deixados pelos índios. Eles dedicavam especial cuidado com os seus mortos.

Como acontece em outras culturas, acreditavam na vida após a morte. Utilizavam grandes vasos de argila — urnas funerárias — onde depositavam os mortos na posição fetal. Com essa posição, representavam o nascimento para uma nova vida.

No geral, eram enterrados no chão de suas próprias casas ou dentro do perímetro da cidade. Esta forma de sepultamento possibilitou aos pesquisadores e arqueólogos um mapeamento da presença indígena em diferentes locais do município de Sorocaba: Parque São Bento, Mineirão, Cerrado, Éden, Brigadeiro Tobias e outros.

Nas igrejas

Até o século 19, os sepultamentos eram feitos nas igrejas, informa o referido folheto. O fundador de Sorocaba, Baltasar Fernandes, construiu a primeira igreja, dedicada a Nossa Senhora da Ponte — atual igreja de Sant’Ana, junto ao Mosteiro de São Bento — com a finalidade de servir de amparo espiritual, abrigo e sepultura dos primeiros habitantes.

Neste local estão sepultados Baltasar Fernandes, Paschoal Moreira Cabral (o pai) e Frei Baraúna, entre outros líderes sorocabanos.

Outras igrejas foram construídas e muitos sorocabanos foram sepultados junto ou próximo aos altares. O entorno dos templos também era utilizado para sepultamentos. Em 1819, o Mosteiro de São Bento doou o terreno ao lado da igreja, atual praça Carlos de Campos, para o primeiro cemitério a céu aberto da cidade.

Era fechado com grades e tinha em seu interior uma capela dedicada a Santa Cruz. Esse local foi utilizado até 1863. No ano seguinte, Frei Baraúna, que era beneditino, pediu o terreno de volta.

Campo de Piques

Com o aumento da população e a preocupação com as doenças que rondavam a cidade, em 1855 foi orçada a construção de um grande cemitério no campo do Piques – o futuro cemitério da Saudade.

O local ficava distante na época, em ponto alto, sem riscos de contaminação de rios. Em 31 de janeiro de 1863 o local estava pronto e com regulamento. Era fechado na frente com muros de taipa e cercado por grades fabricadas em Ipanema.

Os locais das sepulturas eram sinalizados com tijolos numerados. Os primeiros coveiros foram Antonio Lacerda e Benedito Brisola, e o administrador era João Martins da Costa Passos. O primeiro sepultamento ocorreu em 18 de maio de 1863.

O terreno do cemitério era metade do que ocupa hoje, indo ca capela central até à rua Princesa Isabel. Em 1942, foi ampliado da atual capela central à atual praça Pedro de Toledo.

A área interna era diferenciada para sepultamento de “anjinhos” (crianças até 12 anos), escravos, virgens, adultos e vítimas da febre amarela que castigou a cidade na virada do século 19 para o século 20.

Com área de 45 mil metros quadrados, possui 7.840 sepulturas perpétuas. Dados de 2007 computavam 76.338 pessoas sepultadas no local. (Carlos Araújo)

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