Sorocaba e Região

Demanda reprimida afeta a Santa Casa

Segundo o gestor, padre Flávio Jorge Miguel Jr., o hospital está lotado e há grande movimento nas UPHs
Padre Flávio alerta sobre caos na saúde
As cirurgias eletivas, adiadas por conta da pandemia, se transformaram em urgência/emergência, afirma o padre. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (24/9/2020)

A situação da saúde em Sorocaba, em especial da Santa Casa e das Unidades Pré-hospitalares (UPHs), após o enfrentamento do pico da pandemia de coronavírus, foi tema de alerta do gestor e presidente do Conselho de Administração da Irmandade Santa Casa de Sorocaba, padre Flávio Jorge Miguel Júnior. O texto, que chega a falar em caos e hiperlotação em unidades de saúde, foi distribuído pelo sacerdote, conforme ele, de forma interna, mas acabou se disseminando nos meios de comunicação e nas redes sociais ontem (17). A demanda represada por outros problemas de saúde e a pausa em tratamentos e acompanhamentos médicos são apontados como os grandes problemas.

No texto, cujo é título é “porque a Santa Casa está lotada”, ele afirma que em março o Ministerio da Saúde sugeriu que os Estados cancelassem as cirurgias eletivas (não urgentes) devido à Covid-19, “que por sinal era inexpressiva naquela ocasião em nossa cidade”. O texto segue e diz que ele cansou de ver por quatro meses os leitos cirúrgicos vazios na Santa Casa. “Expressei em alto e bom tom na imprensa sorocabana que tal medida era equivocada e que causaria uma explosão até o final do ano – dito e feito. Hoje estamos com a Santa Casa 100% lotada, pois aquelas eletivas se transformaram em urgência/emergência”, afirma.

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Padre Flávio também cita outro motivo para a grande procura. “Além disso, os idosos não se trataram durante a pandemia, muitos pararam o uso de medicação ou não trocaram as receitas. Hoje, o caos está instalado. Nossos leitos clínicos estão lotados e nossas UPH’s repleta de idosos”, destaca. Ele finaliza os motivos para a situação: “Para piorar, o Conjunto Hospitalar e o Novo Regional também estão lotados e não estão aceitando novos pacientes. O Cross do Estado, que não tem nenhum bom senso, nos envia a todo momento vaga zero”. expõe. “Tal fenômeno está acontecendo em todo Brasil, portanto, peço a compreensão de todos”, conclui.

Mais tarde, ao ser questionado pelo jornal Cruzeiro do Sul, o gestor da Santa Casa voltou a enfatizar que o problema não é só em Sorocaba. Como ele já havia escrito no texto, a situação afeta várias cidades do Brasil. Para exemplificar, ele citou Itapetininga, onde a Irmandade administra outra unidade de saúde pública. “Todos os hospitais estão passando por essa hiperlotação”, comenta.

Ele ressaltou também a questão dos pacientes que deixaram de fazer acompanhamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Conforme o padre, essa situação impediu, por exemplo, a troca de receitas de medicamentos. Ele ainda deu exemplo com relação à falta de comparecimento para procedimentos. No caso da mamografia, em junho, 400 pessoas estavam agendadas. Entretanto, nem a metade das mulheres compareceu para o exame. “As pessoas estavam com medo de sair de casa”, justifica.

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Estado e município

Citados no texto do gestor da Santa Casa, Estado e Prefeitura de Sorocaba foram questionados sobre a situação. Ambas as pastas responsáveis pela saúde receberam o conteúdo escrito pelo padre. A Prefeitura de Sorocaba, por intermédio da Secretaria da Saúde (Ses), informou que desconhece a situação relatada acerca da UPH Zona Leste, que é gerida pela Santa Casa Sorocaba, mas que buscará informações sobre os relatos. “Reitera, ainda, que não tem recebido reclamações de usuários das UPH’s, bem como daquelas unidades que prestam atendimento em serviços em urgência e emergência.”

A Secretaria de Estado da Saúde lembrou que a regulação de pacientes para a unidade municipal da Santa Casa de Sorocaba está sob responsabilidade da Central de Regulação Municipal, de Sorocaba. “Quando preciso, o município pode solicitar apoio ao Estado, por meio da Cross”, acrescenta.

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Ainda conforme a Secretaria Estadual de Saúde, o Conjunto Hospitalar de Sorocaba e o Hospital Regional de Sorocaba Adib Domingos Jatene atuam com perfil regional, atendendo especialmente casos de média e alta complexidade. ”Ambos seguem aptos a assistir casos de Covid-19 e demais patologias conforme protocolos sanitários. Os atendimentos de urgência e emergência são priorizados, como ocorre em qualquer serviço de saúde, e casos eletivos são programados conforme indicação médica mediante avaliação individualizada”, comenta. “Quanto à Cross, é fundamental deixar claro que a “vaga zero” é prevista no SUS para casos com risco iminente, sendo dever constitucional dos serviços de saúde prestar atendimento a quem precisar”, finaliza. (Marcel Scinocca)

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