Sorocaba e Região

Cruzeiro do Sul completa 116 anos de compromisso com a notícia e o leitor

Com mais de um século de história, jornal acompanha as mudanças do mercado e investe em novas plataformas
Cruzeiro do Sul completa 116 anos de compromisso com a notícia e o leitor
Mantido pela FUA, o Cruzeiro é o maior jornal do interior paulista e abriga hoje um novo centro de formação profissional. Crédito da foto: Fábio Rogério

O jornal Cruzeiro do Sul completa hoje 116 anos de fundação e segue sua história como o mais importante da região, o maior do interior paulista, e um dos poucos que sobreviveram à crise econômica no Brasil e ainda mantém a edição impressa, sendo também um dos raros periódicos centenários no mundo. O jornal ainda é um dos poucos a ter página dedicada exclusivamente à reflexão sobre Educação e debruçar-se no jornalismo infantil, com o Cruzeirinho.

O slogan “atual, como a notícia”, é o que o define, já que ao longo do tempo o Cruzeiro vem acompanhando as mudanças e se modernizando, mas sem perder a tradição. O jornal continua prestando o importante serviço de levar informação às pessoas, independente do meio onde ela se encontra, já que tem edições nos formatos impresso e digital. As notícias também chegam aos leitores por meio das redes sociais e do portal www.jornalcruzeiro.com.br.

Fundado em 12 de junho de 1903, o periódico teve alguns proprietários até ser adquirido, em 1963, por um grupo formado por 21 integrantes da Loja Maçônica Perseverança III — que completa este mês 150 anos. Para manter o periódico, foi criada a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), entidade sem fins lucrativos. César Augusto Ferraz dos Santos, presidente do Conselho de Administração da FUA, lembra que o objetivo social da entidade, além da Comunicação, é a Educação.

Vale lembrar que o jornal deu origem ao Colégio Politécnico de Sorocaba e recentemente foi inaugurado, dentro da sede do Cruzeiro, o Centro de Educação Continuada e Aperfeiçoamento Profissional (Cecap). “É um espaço compartilhado com a redação do jornal, separado apenas por uma parede de vidro, onde os alunos de Comunicação terão a oportunidade de experimentar integração quase total com a Redação”, afirma César.

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César Ferraz, presidente do Conselho de Administração da FUA. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (19/3/2019)

O presidente da FUA afirma que o Cecap é o embrião de uma futura faculdade, que será inaugurada em breve, com cursos nas áreas de Comunicação.

Conforme César, o grande diferencial do Cruzeiro é que está ligado à FUA e por isso conseguiu sobreviver. “Conseguimos manter o jornal tão bom quanto era. O Cruzeiro continua sendo forte e influente na sociedade sorocabana, não só do ponto de vista informativo como também pelo prestígio que tem. Sorocaba é uma das poucas cidades que tem o privilégio de ter um jornal tradicional e com credibilidade.” César enfatiza a importância do jornal no que se refere ao registro da história de Sorocaba. “É indiscutível, inclusive temos nosso Projeto Memória, que mantém digitalizadas todas as edições do jornal e está disponível a todos os assinantes.”

Questionado sobre o futuro do Cruzeiro, ele afirma que a FUA não pensa em extinguir o impresso, mesmo tendo um portal com aproximadamente 4 milhões de impactos ao mês e as notícias via redes sociais atingindo um público de mais de 300 mil pessoas. “O portal vem sempre experimentando melhorias constantes a fim de facilitar a navegação do assinante. Também estamos marcando a presença do Cruzeiro nas mídias sociais como Instagram, Facebook e YouTube, nas quais o jornal vem apresentando exponencial crescimento e vamos continuar investindo, mas o impresso é tradicional e pretendemos mantê-lo por muito mais décadas, aliás não acredito no fim do impresso. Os grandes jornais vão sobreviver.”

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Romeu-Sérgio Osório, editor-chefe do jornal Cruzeiro do Sul. Crédito da foto: Fábio Rogério

O editor-chefe Romeu-Sérgio Osório, que lê o jornal desde que era um garoto, afirma que é uma honra trabalhar no Cruzeiro do Sul não apenas pelo que ele representa, mas também pela equipe que está sob sua coordenação. “É uma equipe séria”, ressalta. Conforme Romeu, o jornal tem uma forte influência e fala para o melhor público de Sorocaba, que são os formadores de opinião. O editor-chefe ainda afirma que, em meio a tanta informação, o Cruzeiro divulga as mais importantes, com fontes fidedignas. “Nosso público cobra da gente e eu procuro manter sintonia com o leitor”, comenta. Assim como o presidente da FUA, Romeu, que também é professor de Jornalismo, ressalta o diferencial do Cruzeiro em investir em Educação, mantendo para isso a página Educare — publicada todas as sextas-feiras –, uma revista anual voltada exclusivamente ao tema e o Cruzeirinho.

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Diferentes gerações estão entre os leitores

Os 116 anos do jornal Cruzeiro do Sul são acompanhados de perto pela família de dona Thereza, que prefere ser identificada apenas pelo primeiro nome. A alguns meses de completar os seus 100 anos de idade, ela afirma que cresceu com o Cruzeiro em casa, porque o pai já era um leitor assíduo. O hábito da leitura do matutino foi mantido por ela que passou essa tradição para a família composta por cinco filhos, seis netos e quatro bisnetos.

Dona Thereza optou não sair no jornal para ninguém saber sua idade. Ela confidencia que segue um conselho de seu médico cardiologista para não falar a idade para ninguém. “Ele disse que se alguém perguntar, a senhora fala que tem 60 anos. E agora vocês do Cruzeiro descobriram! Vocês são bem xeretas”, disse, rindo.

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Manuela, de 8 anos, não perde uma edição do Cruzeirinho. Crédito da foto: Cortesia / Acervo Pessoal

Um dos momentos de leitura mais surpreendentes foi quando viu uma grande amiga no jornal, na Coluna Social. Eram fotos do casamento dessa amiga, que não tinha mais notícias há anos. “Fiquei muito emocionada”, disse, revelando uma coincidência. A amiga casou em 28 de novembro e ela estava com casamento marcado para 28 de dezembro do mesmo ano. Dona Thereza disse que continua assinando o Cruzeiro porque “é muito importante a gente ter um jornal da cidade.”

Outra leitora que está crescendo com o hábito de ter em casa o jornal é a Manuela Mariano Soares, que hoje está com 8 anos. Mesmo antes de aprender a ler, a Manuela já recebia em suas mãos o “jornalzinho das crianças”. Costumava pintar e fazer passatempos, hábitos que mantém até hoje. Mas agora que sabe ler, ela também curte as dicas de livros e a coluna sobre os animais.

Manuela inclusive mantém guardado em sua casa um exemplar do Cruzeirinho, do qual gostou muito porque tinha uma notícia sobre circo, assunto pelo qual se interessa porque costuma fazer atividades circenses em uma escola de Sorocaba. Ela considera o Cruzeirinho importante porque leva informação para as crianças. (Daniela Jacinto)

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