Sorocaba e Região

Covid-19 promove ‘boom’ no mercado imobiliário em Sorocaba

Home office, juros baixos e localização privilegiada contribuem para melhora no setor
Despejo na pandemia: problema a donos de imóveis e inquilinos
Em Sorocaba, há falta de imóveis para venda e locação em algumas localidades. Crédito da foto: Divulgação

Na contramão do caminho seguido por muitos setores da economia, o mercado imobiliário vive uma fase de aquecimento em Sorocaba em plena pandemia de Covid-19, até mesmo com a falta de imóveis, seja para locação ou para a compra.

Tatiana Monte, enfermeira, se mudará para a cidade em maio, após seu marido conseguir um emprego em Sorocaba. Segundo ela, encontrar um imóvel foi muito difícil, sem contar que os preços eram bastante similares aos praticados na capital.

“Apartamento para alugar era mais fácil, tinha até uma oferta boa, mas o preço não era barato. O aluguel parece o mesmo preço que São Paulo. Agora, casa foi mais difícil, quando achava, já não dava nem tempo porque alguém tinha fechado antes”, iniciou.

“Foram três meses procurando e, no final das contas, acabamos vendendo um imóvel que tínhamos e compramos uma casa em um condomínio, porque valia mais a pena. O valor do metro quadrado na zona oeste de São Paulo era R$ 11 mil e em Sorocaba R$ 4 mil”, complementou.

Motivos da alta procura

Os motivos principais para essa alta procura por imóveis na região, segundo Gisele Contieri, gerente de vendas da LAG Imobiliária, são três: a queda dos juros para financiamento de imóveis, a adoção do home office durante a pandemia de Covid-19 e, por fim, a localização estratégica de Sorocaba.

“A cidade tem características do interior, mas com uma pegada urbana muito forte. Tem lazer, tem boas escolas e restaurantes, uma estrutura interessante, e ainda é próxima de São Paulo. Sorocaba tem um conjunto muito interessante. Não é uma migração só da capital, tem muitas pessoas de outros estados, não só pelo home office, mas por oportunidades mesmo”, indicou a profissional.

Segundo ela, entre janeiro e fevereiro de 2020 já existia a previsão de que o setor imobiliário passaria por um aquecimento devido a questões políticas, que acabaram por aumentar a credibilidade no Brasil. No entanto, com a chegada do vírus e das medidas que ele acarretou, houve uma queda, com alta logo no mês seguinte, como consequência dos motivos apresentados. A alta da procura em relação a compra e locação na LAG Imobiliária foi de 200% se consideradas as comparações entre janeiro de 19, 20 e 21, assim como fevereiro dos mesmos anos.

Contieri ainda afirmou que os preços não estão tão altos quanto os interessados acreditam, mas que há menos “desespero” na hora da venda ou aluguel por parte do proprietário, que não se vê na necessidade de fechar negócio rapidamente e, portanto, não dá os famosos descontos. Outro fator que parece ter influenciado na procura e também na alta dos preços foi a mudança da sede administrativa da Toyota para Sorocaba.

“A pandemia não trouxe outra alternativa a não ser investir em sua casa, que virou trabalho, escola dos filhos, restaurante, lazer e descanso… A cultura do isolamento trouxe isso do home office, olhar para a sua casa de uma outra forma. Antes, estar em casa era sinônimo de infelicidade, agora, isso mudou, o isolamento trouxe a necessidade de um lar confortável”, disse a gerente.

Dados comprovam aquecimento

Em relação às vendas de residências, os dados para a região de Sorocaba nos anos de 2020 e 2021 ainda não estão disponíveis. No entanto, na última pesquisa realizada pelo Secovi (Sindicato das Empresas de Compra Venda de Imóveis), que compreende o período entre outubro de 2019 e setembro de 2020, foram lançadas 2.751 unidades, um volume 4,6% maior do que o período anterior (2.630 residências). 

No período acumulado entre esses meses, foram comercializados 3.878 imóveis novos na cidade, resultado que representa um aumento de 30,3% em relação às 2.976 residências vendidas no levantamento passado. Além disso, Sorocaba encerrou setembro de 2020 com uma oferta de 2.241 unidades disponíveis para venda, uma redução de 12% em relação a setembro de 2019 (2.548 unidades não comercializadas), indicando maior procura. (Marina Bufon)

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