Covid-19 Sorocaba e Região

Coronavírus zera estoque de córneas no Banco de Olhos de Sorocaba

Redução nas doações por conta da pandemia afetou o hospital referência em transplantes no País
Banco de Olhos de Sorocaba completa 39 anos de atividades
Em função da pandemia do coronavírus, BOS está praticamente sem córneas no banco sorocabano, que é referência no Brasil e em toda a América Latina. Crédito da foto: Divulgação/Qnotícia

Atualizada às 17h34

O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) está praticamente sem córneas por conta da suspensão da captação e doações, o que já afeta inclusive os transplantes, em função da pandemia do coronavírus. A informação foi divulgada na manhã desta sexta-feira (14) pelo próprio BOS.

Segundo o Banco de Olhos, a entidade aguarda a determinação do Sistema Estadual de Transplantes para a retomada das atividades de captação e transplante de córnea, mas até o momento a Secretaria de Estado da Saúde ainda não se manifestou a respeito.

De acordo com o BOS, a situação nunca antes foi enfrentada desde sua fundação há mais de 40 anos, e há risco de faltar córnea para transplante de urgência. “O quadro alarmante é reflexo das medidas governamentais que foram adotadas em todo o País durante a pandemia do Coronavírus. No Estado de São Paulo, o governo restringiu drasticamente, desde 23 de março deste ano, os protocolos para captação de órgãos e tecidos, o que fez com que as doações caíssem para perto de zero (2% na região atendida pelo BOS, em julho deste ano). No que se refere especificamente aos tecidos, que abrangem as córneas, somente podem ser captadas aquelas cujo doador tenha constatada morte encefálica”, afirma o BOS.

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Transplantes eletivos suspensos

O BOS afirma ainda que não há mais córneas no banco sorocabano, que é referência no Brasil e em toda a América Latina. Existem apenas alguns tecidos disponíveis na unidade do BOS na capital, localizada no Hospital Municipal do Tatuapé, informa o coordenador técnico, Hudson Vergennes da Silva.

“Ainda assim, as poucas córneas existentes estão sendo conservadas em meio não ideal (glicerina) para que durem mais tempo, já que estão com seus usos severamente restritos pelos órgãos de saúde. Da forma como estão sendo mantidas, elas perdem sua qualidade e características, tornando-se meramente “paliativas”. Isto significa que, se um paciente precisar receber uma dessas córneas disponíveis atualmente, certamente ele terá que passar por um novo transplante depois, para trocar por outra com condições perfeitas”, afirma o BOS.

O Banco destaca também que os transplantes eletivos de córneas estão suspensos por determinação governamental. “Isto tem aumentado significativamente a fila de espera pelo procedimento. A projeção da fila no Estado, que antes da pandemia era de até 10 meses, já chega a quase cinco anos (55 meses). De 2.500 pessoas que estavam na fila, atualmente há 3.174. Somente na região que envolve o BOS, o número de pessoas inscritas saltou de 478 para 747. As captações de córnea também estão praticamente paradas. Antes do problema, a média de captações de córneas mensais era de 1.236 no estado e 930 pelo BOS, sendo que, agora, está em 94 e apenas 20, respectivamente, no último mês de julho”, aponta.

Com a palavra, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

A Central de Transplantes do Estado de São Paulo informa que em 2020, até a segunda quinzena de julho, foram realizados 2.946 transplantes em SP. Destes, cerca de 50% (1.427) foram realizados só se tratando de transplantes de córnea.

Por conta da pandemia, medidas de segurança e novos protocolos foram adotados. Os hospitais seguem os protocolos de triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para Covid-19 antes de qualquer procedimento, prezando pela segurança dos profissionais de saúde e pacientes receptores.

Conforme protocolo do SUS, pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos.

Por orientação do Sistema Nacional de Transplantes, as captações de tecidos, como córneas, estão temporariamente suspensas durante a pandemia. Os procedimentos eletivos serão reagendados para garantir a segurança de todos.
A Central Estadual de Transplantes monitora rigorosamente critérios técnicos e epidemiológicos da pandemia, com apoio do Centro de Contingência do Coronavírus, e acompanha os pareceres do SNT quanto à possibilidade de retomada dos transplantes de córneas para orientar os serviços de referência de SP.

Doações

Atualmente, no Estado de São Paulo, há 3.163 pacientes aguardando um transplante de córneas. A doação é fundamental para ajudar a salvar vidas. Deve ser consentida e quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar a família sobre esse desejo.

No caso dos falecidos, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. A Central de Transplantes reforça a orientação de que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos, pois isso facilita a tomada de decisão. (Ana Cláudia Martins)

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