Sorocaba e Região

Continua baixo o estoque de vacina contra meningite

A vacina Meningocócica C, que protege contra uma bactéria que causa meningite, continua com estoques limitados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Sorocaba e Votorantim. Segundo o Ministério da Saúde, o problema — que atinge também outras regiões do País — acontece devido a atrasos na entrega pelo laboratório produtor, da Fundação Ezequiel Dias (Funed), e deve ser normalizada em agosto. Enquanto isso não acontece, as equipes de vigilância em saúde estão tendo que se virar com quantidades de vacinas bem menores que a demanda. Em Votorantim, já existem até filas de espera pela imunização.

As vacinas disponibilizadas na rede pública são adquiridas pelo Ministério da Saúde, que encaminha as doses para os Estados, que posteriormente distribuem aos municípios. Para Votorantim, segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Nila Puglia, são solicitadas 500 doses mensais, mas apenas uma média de 100 têm chegado. “Recebemos 110 doses na sexta feira (13) e nesta segunda e terça-feira (16 e 17) estamos distribuindo igualitariamente para as 15 UBS”, conta Nila. Diante da situação, há listas de espera, em cada UBS, de cerca de 12 pacientes — número que é flutuante e varia conforme a unidade. Já Sorocaba deixou de receber desde o início de junho, segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 6.700 doses da Meningocócica C. Por mês, o município precisa de uma média de 3.620 para atender à demanda e o último lote chegou na quinta-feira da semana passada, dia 12. A Prefeitura não informou quantas doses possui atualmente em nem confirmou que esteja tendo que recorrer a listas de espera. A fim de regularizar o estoque, o município “solicitou grade complementar do referido imunobiológico”.

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Preocupação 

A aplicação das doses da Meningocócica C é prevista no calendário nacional de vacinação em três idades: a 1º dose aos três meses de vida, a 2ª dose aos cinco meses e um reforço aos 12 meses. Dependendo do tipo de imunização que a criança teve na primeira infância, o Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece uma dose única ou reforço entre 11 e 14 anos, quando necessário.

Segundo a médica infectologista especialista em saúde pública, Rosana Maria Paiva dos Anjos, a vacina Meningocócica C é importante por proteger contra um tipo de meningite grave, o mais frequente, e com índice de letalidade que chega a 20%.

Rosana explica que não há dose perdida. Isso significa que uma criança imunizada com a 1ª dose da vacina, aos três meses, que tiver a 2ª dose atrasada, por exemplo, ficará protegida assim que tomá-la — mas é importante que tome. “As crianças com menos de um ano respondem de forma diferente à imunização. Por isso são importantes todas as doses previstas.” Para os pais cujos filhos ainda não conseguiram tomar a vacina, Rosana orienta, principalmente, evitar locais com grande aglomeração de pessoas, como restaurantes, shoppings e festas, principalmente no inverno. “Os pais têm direito de ficar preocupados, porque essa situação realmente não deveria acontecer.”

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Alegações divergentes 

Segundo o Ministério da Saúde, entre janeiro e julho deste ano foram enviadas 746 mil doses da meningocócica C para o estado de São Paulo. À reportagem, o órgão federal justificou a falta de estoques a atrasos de entrega pelo fabricante. Porém, segundo informações da Vigilância em Saúde de Votorantim, em junho uma nota técnica alegou que a chegada das doses aos Estados dependeria da disponibilidade de transporte. “Neste mês, a justificativa do Ministério é de que está sendo feita uma reserva estratégica para atender o Norte e o Nordeste que estão recebendo imigrantes”, diz nota da Vigilância.

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