Sorocaba e Região

Consumo de água em Sorocaba é acima da média

O Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março, mesma data reservada ao rio Sorocaba. Por isso, o Cruzeiro do Sul, publica agora uma séria de matérias sobre o assunto
Consumo de água em Sorocaba é acima da média
A ETA do Cerrado, a maior da cidade, tem capacidade para tratar 2.300 litros de água por segundo. Crédito da foto: Secom Sorocaba

O consumo de água per capita (por habitante) em Sorocaba está acima das médias estadual e da região Sudeste. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2019, os mais recentes disponíveis, cada morador da cidade utiliza, em média, 186,67 litros de água por dia. No Brasil, o consumo médio diário é de 153,9 litros. Já no Sudeste, a quantidade é de 177,4 litros. Na comparação com a média nacional, os sorocabanos consomem, diariamente, 32,77 litros a mais, enquanto, em relação ao nível estadual, são 9,27 litros a mais. O consumo também está acima da quantia recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para atender as necessidades básicas de uma pessoa: 110 litros por dia.

A água é captada de cinco fontes: Represa de Itupararanga (manancial Rio Sorocaba), Represa Ipaneminha (manancial Rio Ipaneminha), Represa do Ferraz (manancial Pirajibu-mirim) e de poços profundos (aquíferos Tubarão e Cristalino). O Saae explica que o nível de consumo varia conforme a região, em razão de diversos fatores, como densidade demográfica, características da ocupação (residencial, comercial, industrial, rural, etc), entre outros.

Já a quantidade de água produzida todos os dias é de 200.496 metros cúbicos, para abastecer a cidade. A água em condições de consumo chega para 99,50% da população sorocabana. Ao todo, há 231.585 ligações ativas.

Tratamento

Duas Estações de Tratamento de Água (ETAs), do Cerrado e do Éden, garantem a qualidade da água consumida em Sorocaba. A primeira tem capacidade para produzir 2.300 litros por segundo, enquanto a segunda trata 300 litros, no mesmo período. Atualmente, as unidades operam com o nível máximo. O volume de produção deve aumentar, com a inauguração da nova ETA Vitória Régia, que tratará mais 750 litros por segundo.

Conforme o Saae, durante o processo de tratamento, há perdas operacionais de cerca de 3%. Já no decorrer da distribuição, 36,2% do recurso hídricos são desperdiçados. Desse total, 49% referem-se às perdas reais. No País, o índice médio de perdas na distribuição é de 39,2%. Isto é, Sorocaba está abaixo da média de desperdício. De acordo com a autarquia, vários fatores e situações refletem nas perdas, como vazamentos, falhas na medição de hidrômetros, fraudes nos aparelhos e furtos de água.

Redução de perdas

Para melhorar o abastecimento na cidade e, principalmente, reduzir o volume de perda de água, são necessárias, sobretudo, ações eficazes. A população deve continuar a seguir as recomendações quanto ao uso consciente da água, para contribuir com a melhoria desses dois pontos. Além da economia doméstica, o poder público precisa ter ações para diminuir o desperdício. A avaliação é do especialista em recursos hídricos, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) — campus Sorocaba, e membro do Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê (CBH-SMT), André Cordeiro Alves dos Santos. Na análise de Santos, com a criação de estratégias eficazes, o índice de água tratada perdida poderia ser reduzida dos atuais 39,2% para apenas 15%.

Conforme o especialista, o principal problema de abastecimento na cidade está relacionado à captação do maior volume de uma única fonte. O município retira o recurso de cinco reservatórios, mas quatro deles fornecem pouca quantidade. Por isso, grande parte provém de Itupararanga. Esta é uma questão logística e não compete à autarquia e à administração municipal, esclarece Santos, pois não há outros mananciais que possam fornecer água ao município.

A resolução de problemas de captação, tratamento, distribuição e desperdício e consumo, acredita Santos, depende, essencialmente, da criação de políticas públicas e da mudança de protocolos, tanto por parte da autarquia, quanto do Executivo. Uma recomendação do especialista para a diminuição do consumo é a criação de uma lei municipal para obrigar as empresas, especificamente, a adotarem sistemas de reúso da água da chuva. Nesse sentido, igualmente poderiam ser desenvolvidas iniciativas de incentivos fiscais para os empresários.

Saae tem programa para reduzir perdas

O Saae possui um Programa de Controle e Redução de Perdas que permite a autarquia realizar diversas ações: redução das pressões nas redes de distribuição, por meio de instalações de válvulas; setorização dos centros de distribuição, com a implantação de macromedidores; combate a ligações clandestinas e fraudes; troca de hidrômetros, para minimizar a submedição; pesquisas de vazamentos não visíveis (caça-vazamentos); redução do tempo de resposta aos chamados de vazamentos; e substituição de redes antigas. A autarquia recebeu, recentemente, R$ 26 milhões do governo federal para aplicar nessa área.

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Município tem 1,3 mil nascentes catalogadas

Município tem 1,3 mil nascentes catalogadas
A maior parte das nascentes de Sorocaba está na área urbana. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (23/12/2020)

No decorrer do mapeamento das nascentes de Sorocaba, a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) já cadastrou 1.384 olhos d’água no município. O levantamento refere-se ao período entre os anos de 2018 e 2019 e, de acordo com a Sema, uma grande parte das nascentes tem algum grau de degradação, “muitos decorrentes de ação antrópica, ou seja, ação causada pelo próprio homem”. O Cadastro Ambiental das Nascentes começou em julho de 2018 e a etapa inicial foi concluída em 2019. Segundo a Sema, o levantamento ainda não foi feito apenas em duas regiões. Para o término dos trabalhos, a pasta aguarda a contratação de nova empresa especializada.

Para as análises, a cidade foi dividida em cinco áreas. A maior parte das nascentes catalogadas fica na zona urbana. Até o momento, somente as regiões da bacia do Pirajibu-mirim e Brigadeiro Tobias não foram mapeadas. Conforme a pasta, ambas possuem maior concentração de olhos d’água. Por isso, “o levantamento em campo é mais complexo”, informa a secretaria. Para a realização das análises nessas duas áreas e o término o processo de cadastramento, a Sema afirma providenciar a contratação de uma nova empresa. Um processo licitatório para a escolha da responsável pelos serviço está em andamento.

De acordo com a pasta municipal, já foi aberta a etapa para as empresas habilitadas apresentarem propostas. Agora, a secretaria aguarda os próximos passos para a conclusão da seleção. A Sema informa que o cadastro das nascentes faltantes terá início após a assinatura do contrato com a vencedora da licitação.

A primeira fase da catalogação foi efetuada pela empresa Geojá Mapas Digitais e Aerolevantamentos, com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). O valor do contrato foi de R$ 123 mil. A expectativa da pasta é de custear a maioria parte do novo contrato também com verba do Fehidro, com contrapartida de 10% do município. Porém, a confirmação sobre o modelo de contratação, assim como os valores pagos para a empresa a ser escolhida, só poderão ser obtidos depois da conclusão do processo.

Levantamento

Durante o levantamento, foram analisados parâmetros de cada nascente, como vazão, nível de degradação, proximidade de áreas construídas, ocorrência de lixo e entulho, erosão, interferências humanas, dentre outros. Segundo a Sema, o cadastramento auxilia o poder público a conhecer a situação dos olhos d’água da cidade.

Município tem 1,3 mil nascentes catalogadas
Lixo e ação humana são comuns nos entorno dos olhos d’água. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (23/12/2020)

Os dados coletados servem de base para a proteção e o planejamento de ações para a recuperação das nascentes. A depender da análise de cada uma, informa a secretaria, é possível desenvolver medidas para o controle da erosão, limpeza do entorno, realização de plantios, além de outras intervenções de conservação. “Uma questão importante e que traz desafios para a recuperação das nascentes em áreas públicas é que elas se concentram nas áreas urbanas”, afirma a secretaria por meio de nota.

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Processo de mapeamento

No processo de mapeamento, o afloramento, formado por nascentes e olhos d’água, recebe uma numeração, de acordo com a sequência das nascentes vistoriadas em campo. Cada série numérica é iniciada com a letra ‘N’, de nascente. A nascente também possui um número de identificação, relacionado ao mapeamento da Sema. A numeração ID é informada em uma ficha, na qual há duas numerações. A primeira é referente à sequência de nascentes vistoriadas em campo, seguida da numeração referente ao ID do cadastramento.

No catálogo, constam, ainda, as datas das vistorias. Os dados de cada nascente igualmente contêm o nome da sub-bacia que a nascente está localizada, seguindo o mapeamento da pasta.

As informações colhidas também levam em conta detalhes como o bairro, fluxo de água, ocorrência de chuva, tipo de nascente e a persistência do fluxo. Além disso, é verificado a presença de lixo, materiais flutuantes, óleo, espuma, esgoto e analisado o estado da vegetação do local onde o olho d’água fica.

As informações sobre as nascentes sobre o levantamento feito até o momento estão disponíveis no site da Sema (http://meioambiente.sorocaba.sp.gov.br/gestaoambiental/cadastro-ambiental-das-nascentes-de-sorocaba/). Os demais dados serão acrescentados após a conclusão dos trabalhos.

Conheça empresas que adotam economia e reúso

A economia e a contribuição para a preservação do meio ambiente são dois fatores que têm motivado, nos últimos tempos, diversas empresas de Sorocaba e região a adotar sistemas de reutilização de água. Na cidade, negócios dos mais variados segmentos, a exemplo de shopping, hospital, concessionária de transporte público e construtora, já possuem esse tipo de recurso. Os sistemas corroboram para a redução dos gastos das empresas. Como eles possibilitam o reúso de água da chuva, por exemplo, o consumo tende a cair e, consequentemente, o valor da conta também. Pela mesma razão, a prática da reutilização auxilia na redução do desperdício.

A Unimed Sorocaba — Hospital Dr. Miguel Soeiro (HMS) é uma das empresas que desenvolvem diversas ações para economizar água. A principal medida é a utilização de um filtro para a separação da água a ser usada no tratamento de hemodiálise. Implementado em 2011, o recurso recebe a água da rede regular. Em seguida, separa o volume com condições de uso para a diálise da quantidade carregada de sais minerais. Posteriormente, em vez de descartada, a água considerada inutilizável para o procedimento vai para os vasos sanitários da unidade de saúde.

Segundo Alessandra de Fátima Ferreira da Silva, gerente de hotelaria da Unimed Sorocaba, o sistema de filtragem do Centro de Nefrologia e Diálise consome, mensalmente, 945 metros cúbicos de água. Desse total, 350 metros cúbicos vão para as privadas. “Poderíamos pensar que é só uma água que sobrou (e descartá-la), mas ela é limpa, e não podemos desperdiçá-la”, pontua ela.

Desde 2014, o hospital também tem um sistema de captação de água da chuva. A coleta é feita por caixas subterrâneas, instaladas em uma área de mil metros quadrados. A água oriunda desses reservatórios é usada para regar o jardim do hospital, bem como para a higienização do abrigo de resíduos, dos contêineres de armazenamento de lixo e dos carros responsáveis pelo recolhimento dos dejetos do local.

Além disso, a unidade de saúde adotou outras medidas para evitar o desperdício. Há restritores de vazão nos chuveiros de todos os leitos de internação e nas torneiras das áreas comuns. A limpeza do piso do hospital, antes feita manualmente, agora, é realizada por máquinas com reservatório de água. Conforme Alessandra, manualmente, gastava-se 75 litros de água para limpar um corredor de 340 metros quadrados. Já o equipamento lavador de pisos precisa de apenas 24 litros, para higienizar uma área com a mesma dimensão. Ainda em relação à limpeza, a Unimed usa um detergente hospitalar específico, sem enxágue.

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Construção civil

Conheça empresas que adotam economia e reúso
Sistema de captação de água da Construtora Planeta. Crédito da foto: Divulgação

A Construtora Planeta também instala, desde 2013, sistemas de captação de água da chuva em todos os empreendimentos entregues pela empresa. Conforme explica o gerente geral de obras, Rodrigo Mikami Taneishi, o recurso faz a coleta no telhado do edifício. Por meio de calhas e tubulações, a água é levada para os reservatórios de absorção inferiores, geralmente, localizados nos subsolos dos condomínios (próximos aos estacionamentos de veículos). Nesses reservatórios, o tratamento é feito por um conjunto de filtros. Após essa etapa, a água pode ser usada nas áreas comuns dos residenciais. “Pode ser utilizada para a rega de plantas, hortas, grama, paisagismo em geral, e para limpeza de pisos e calçadas, mas não tem potabilidade para consumo humano”, esclarece.

Transporte público

A reutilização da água chuva também é feita na garagem do Grupo São João, situada em Sorocaba, há nove anos. A empresa opera o transporte público na cidade e algumas linhas metropolitanas de municípios da região de Sorocaba. O sistema do local capta toda a água proveniente da lavagem dos ônibus. Por meio de encanamentos, ela chega até piscinas coletoras. As caixas têm capacidade para armazenar mais de 70 mil litros.

Conheça empresas que adotam economia e reúso
Grupo São João capta toda a água proveniente da lavagem dos ônibus: economia de 500 mil litros por mês. Crédito da foto: Divulgação

Na sequência, a água decanta, para ficar sem impurezas. Na etapa seguinte, é tratada. Inicialmente, passa por um filtro e, depois, recebe cloro. Por fim, as espumas são extraídas. Após esse processo, pode ser usada mais de uma vez, tanto para a limpeza dos ônibus, quanto nos vasos sanitários. De acordo com o gestor de higienização do grupo, Emerson Bueno Alves, antes da implementação desse recurso, a empresa gastava 700 mil litros de água por mês. Atualmente, são apenas 200 mil.

Alves diz que cisternas igualmente devem ser implementadas em todo o telhado do prédio de manutenção da empresa.

Comércio

Com a adoção de recursos sustentáveis, boa parte da água consumida no shopping Iguatemi Esplanada provém de reúso ou de fonte própria, desde a fundação do estabelecimento, em 2013. O centro de compras possui um poço e uma Estação de Tratamento de Efluentes Industrial para Reuso. Além disso, a água da chuva é captada dos telhados e armazenada em quatro reservatórios, com capacidade para 2 mil metros cúbicos. Essa água é filtrada e usada nos vasos sanitários.

Conheça empresas que adotam economia e reúso
Iguatemi Esplanada: reservatório de água de chuva. Crédito da foto: Divulgação

Além desses sistemas, as privadas instaladas no shopping utilizam só seis litros por fluxo. Elas contam, ainda, com redutor de vazão, diminuindo em 30% o volume gasto em cada descarga. Já as torneiras dos banheiros têm arejadores. O dispositivo diminui o consumo de seis litros por minuto para 1,8 litro/minuto.

Ao todo, o Iguatemi consome 124.968 metros cúbicos de água por ano. Por conta das medidas de economia, utiliza 44% de água de produção própria, sendo 30.190 metros cúbicos (24%) do poço e 24.771 metros cúbicos (20%) de reúso. Do total consumido, cerca de 50% não gera esgoto. (Vinicius Camargo)

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