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Cidade depende, hoje, de UTIs estaduais

11 de Julho de 2020 às 00:07
Marcel Scinocca [email protected]

Cidade chega no limite de leitos para pacientes com Covid-19 Crédito da foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

 

Caso não haja desocupação nos leitos públicos municipais, Sorocaba continuará dependendo de regulação do Estado para pacientes da cidade, disputando vagas de UTI com outros 48 municípios, como ocorrido nesta sexta-feira (10). A rede municipal de Saúde tinha apenas um leito de estabilização disponível, conforme o censo divulgado pela Secretaria de Saúde (SES). São 43 no total, sendo 40 de UTI, na Santa Casa.

A rede pública tem 98 leitos públicos, contando com os do Estado. Dos 55 do Adib Jatene e do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), apenas cinco estavam disponíveis. Havia dez pacientes de Sorocaba à espera de vaga na rede estadual, além de dois munícipes de Votorantim -- ou seja, o número de pacientes em espera era o dobro das vagas livres. Eles aguardavam remoção na UPH Zona Leste (cinco pacientes), na UPH Zona Norte (quatro), no hospital de campanha (dois) e na UPH Zona Leste (um).

O médico Ademir Watanabe, secretário da Saúde. Crédito da foto: Secom /Divulgação

Não há previsão de criação de novos leitos de UTI em Sorocaba e, nesse contexto, o secretário da Saúde, Ademir Watanabe, é taxativo ao responder se o município está refém da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) gerenciada pelo Governo do Estado: “Neste momento, sim”.

Ele lembrou que não há alternativa à situação. “Quando existe recurso pelo SUS, nós temos que utilizar. Hoje eu tenho na cidade a oferta de serviço pelo SUS. Porém, eu também tenho o Cross, que me oferta serviços pelo SUS, por exemplo, a outros locais: São Paulo, Jaú, Jaboticabal. Isso tudo é uma regulação que é feita pelo Estado. Eu não posso requisitar nenhum serviço dentro da cidade enquanto eu ainda tiver esses serviços ofertados pelo Cross, porque é um serviço SUS. Caso contrário, eu cometo uma improbidade. Eu tenho que seguir os princípios do SUS. Existe portaria sobre isso, que, infelizmente me bloqueia”, lamenta.

“Agora, eu tenho que me lembrar também que nós temos leitos de estabilização em todas as nossas unidades pré-hospitalares, com respiradores”, ressaltou Watanabe, sobre as vagas das unidades de saúde que atendem emergências. Conforme ele, na semana que vem, o município receberá 13 novos respiradores: “Para a gente poder fechar esse ciclo com todas as nossas UPHs, para que exista pelo menos um equipamento para a manutenção de vida.”

Na UPH Zona Norte, há quatro leitos de estabilização com respiradores; três na UPH Oeste e três na UPA do Éden. A UPH Leste tem cinco respiradores próprios e mais três emprestados da Prefeitura. Todos esses leitos estavam ocupados, mas não necessariamente por pacientes com Covid-19.

Hospital de campanha

O hospital de campanha Douglas Barbosa de Medeiros registrou ontem (10) a primeira morte de paciente, conforme confirmado pelo secretário Ademir Watanabe. A vítima era uma mulher de 37 anos.

“Recebemos a notícia pela manhã e estamos muito chateados”, disse o secretário, informando que a paciente chegou ao local já apresentando um quadro grave de saúde. A SES detalhou que ela apresentava comorbidades, sendo obesidade e hipertensão. Não há informação de quantos dias ela passou internada no local.

O hospital de campanha de Sorocaba tem capacidade, atualmente, para 40 pacientes de enfermaria e três pacientes de estabilização. Durante a coletiva, a prefeita Jaqueline Coutinho anunciou que, na semana que vem, entre terça e sexta-feira, o local deverá ter novos leitos ativados, chegando a 84 no total -- sendo 75 clínicos e nove de estabilização. O hospital de campanha começou a receber pacientes em 22 de maio. (Marcel Scinocca)

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