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Chefe de quadrilha de agiotagem é preso novamente pela Dise em Sorocaba

05 de Abril de 2019 às 08:05

A operação apreendeu armas, celulares e outros equipamentos de comunicação. Foto: Divulgação / Polícia Civil

*Atualizada às 10h

Um homem de 54 anos que já havia sido detido em maio do ano passado, mas liberado com um habeas corpus emitido pelo Supremo tribunal Federal (STF) em janeiro de 2019, voltou a ser preso em Sorocaba por extorsão. Segundo a Polícia Civil, ele é acusado de ser o chefe de uma quadrilha que, além de extorquir, praticava agiotagem e lavagem de dinheiro.

Na primeira detenção, que ocorreu durante a Operação Alquimia, da Dise, o homem foi preso com outros sete membros da quadrilha. Segundo o delegado Rodrigo Ayres, o bando era comandado por uma facção criminosa. O único a conseguir responder em liberdade era esse homem, que segundo Ayres, chefiava os crimes. Ele residia em um condomínio na zona industrial de Sorocaba e foi detido por volta das 5h desta sexta-feira (05), ao sair da residência. Segundo Ayres, o criminoso temia ser preso e através de investigação os policiais constataram que o homem saía de casa por volta das 5h e retornava após as 19h.

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A nova detenção ocorreu porque novas denúncias chegaram à delegacia especializada. Uma das vítimas do criminoso procurou a Dise e informou que sofreu uma extorsão mediante sequestro e reconheceu o homem por fotos. "Essa pessoa que nos procurou contou que uma moça da igreja tinha perguntado a ele se sabia de alguém que emprestava dinheiro e ele teria falado desse homem. Essa moça pegou o dinheiro, não pagou e sumiu. Essa pessoa que indicou foi sequestrada e só seria liberada se contasse o paradeiro da moça ou ele mesmo pagasse a dívida", conta o delegado.

O delegado Rodrigo Ayres. Foto: Emídio Marques (05/04/2019)

O delegado contou também que outro homem foi preso na quinta-feira (04), por também participar dos crimes. Na casa dele foram encontradas duas armas. Já com o homem detido nesta sexta-feira, apenas uma caminhonete foi apreendida.

Os dois tiveram a prisão temporária decretada. "Por tratar-se de crime hediondo, a temporária é de 30 dias. O Ministério Público também deve pedir a revogação do habeas corpus", contou Ayres. Os dois homens foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Sorocaba.

Operação Alquimia

A Operação Alquimia foi deflagrada em maio pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Na ocasião, foi desarticulada uma quadrilha que realizava crimes como agiotagem, extorsões, movimentações financeiras ilegais, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro na cidade. Segundo as autoridades, o grupo teria movimentado R$ 118 milhões em diversas contas bancárias.

O grupo -- liderado por esse homem de 54 anos e seu filho de 32 anos -- realizaria empréstimos com juros abusivos, que eram cobrados por meio de extorsões e ameaças, inclusive com uso de arma de fogo e agressão. Os altos valores seriam, segundo as investigações, "lavados" por meio da aquisição de veículos -- inclusive alguns modelos de luxo -- embarcações, imóveis e outros investimentos em construção civil. De acordo com Ayres, o chefe da quadrilha tinha uma conta de previdência privada que acumulava R$ 11 milhões. Essa conta foi bloqueada. (Com informações de Larissa Pessoa)