Sorocaba e Região

Cesta básica sorocabana aumentou 28,2%

Levantamento feito pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas da Uniso é referente ao ano de 2020
Cesta básica sorocabana aumentou 28,2%
Pesquisa da Uniso aponta que em janeiro deste ano, o alho subiu em mais de 15%, mas a ceta teve leva queda comparada com o preço de dezembro. Crédito da foto: Marcel Scinocca

A cesta básica do sorocabano, em 2020, aumentou 28,2%, entre janeiro e dezembro. É o maior aumento porcentual do período em 25 anos, segundo o Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Sorocaba. Entre janeiro deste ano e janeiro do ano passado, o aumento porcentual é parecido, de 27,35%. A pesquisa, realizada mensalmente pela universidade, foi divulgada no último dia 9. Compõe a cesta básica o conjunto dos produtos de necessidade básica para que uma família sobreviva durante um mês.

De acordo com o levantamento, o preço da cesta básica iniciou o ano passado a R$ 684,72, em janeiro, fechando o ano a R$ 881,87, em dezembro. Essa diferença, de R$ 197,15, responde pelo aumento de mais de 28% no período. Esse índice, supera até então o maior da série histórica, de 2002. Nesse ano, a variação em 12 meses, com a expectativa das eleições e da tensão da posse do então presidente eleito, foi de 23,4%.

Dentro da série histórica analisada pela Uniso, a última redução ocorreu em 2018, de 5,8%. Também foi a maior queda desde 1995. No acumulado de 2019 e 2020, a cidade apresenta alta superior a 45%. A análise é feita entre os governos federais e essa alta — em dois anos — é a maior desde Itamar Franco (1992/1994).

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Os vilões

Na lista dos grandes vilões da cesta básica do sorocabano, aparece o óleo de soja. Segundo o levantamento da Uniso, o produto aumentou 122% no decorrer do ano. Não teve jeito, a dona de casa teve que mudar alguns hábitos. “Tentei fazer menos fritura”, comenta Michele Cristina Vieira. “Mas subiu bastante coisa. Além do óleo, o arroz, o feijão, por exemplo. Hoje, não vou mais pela marca, mas pelo preço”, acrescenta a dona de casa, durante compras em um supermercado da zona leste de Sorocaba.

Realmente o óleo de soja não está sozinho. Na lista, aparece também a batata, com aumento de 112%, o arroz — 97% –, a muçarela fatiada — 70% — e a cebola, que aumentou 64%. Aliás, o arroz, como outros produtos, tem peso maior, já que o preço unitário do produto é mais caro. A velha tática da pesquisa de preço ainda é válida. “Vou em três mercados. Compro um pouco em cada lugar”, garante o aposentado Benedito José dos Santos, que já percebeu redução no preço do óleo se soja.

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“Essa forte alta se deu porque produtos que tem um grande peso na cesta, ou seja, produtos que os consumidores costumam gastar uma parcela maior da sua renda, tiveram forte alta. Foi o caso do arroz, carne de primeira, óleo de soja, carne de segunda”, comenta o economista, professor da Uniso e coordenador da pesquisa, Lincoln Diogo Lima. Ele salienta que essa ordem é dos produtos que mais contribuíram para a alta da cesta em 2020, por serem os que apresenta custo maior.

Ainda de acordo com o estudo, os dados entre janeiro deste ano com janeiro de 2020 mostram um aumento de 37,35%. Ou seja, R$ 187,29 pagos a mais pelo consumidor na hora de montar adquirir os itens da cesta básica.

Dezembro x janeiro

Essa é a notícia positiva no estudo da Uniso: quando comparado com o mês anterior (dezembro/2020 com janeiro/2021), o preço da cesta básica apresentou uma queda de -1,12%, passando de R$ 881,87, para R$ 872,01. Ou seja R$ 9,86 pagos a menos pelo consumidor. Ajudam a compor positivamente esse índice o ovo, que caiu mais de 12%, seguido pelo vinagre, cujo preço recuou mais de 6%. Dos 34 itens da pesquisa, 20 apresentaram redução. O seu Benedito tinha razão. O óleo de soja está na lista também.

Mas será que essa notícia deve mesmo ser comemorada? “Depende. Quando comparado ao ano anterior houve uma forte alta, de modo que a renda real das famílias em termos de produtos de consumo básico diminuiu fortemente, atingindo sobre tudo as famílias mais pobres que gastam a maior parte da sua renda com tais produtos”, explica o professor. “Por outro lado, a queda no valor da cesta é importante, pois indica um possível mudança de trajetória, ou pelo menos um interrupção temporária da trajetória de alta que vinha apresentando”, conclui.

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Ainda em janeiro, a cebola apresentou aumento de mais de 17%, e o alho subiu em mais de 15%. (Marcel Scinocca)

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