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Cesta básica sobe 2,05% em outubro

24 de Novembro de 2020 às 00:01
Ana Claudia Martins [email protected]

Cesta básica sobe 2,05% em outubro O arroz está entre os itens que mais subiram de preço no período. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (19/11/2020)

O preço da cesta básica sorocabana em outubro de 2020 apresentou aumento de 2,05% quando comparado com o mês anterior (setembro 2020). Com isso, o valor da cesta básica sorocabana, que é composta por 34 itens no total, passou de R$ 782,25 para R$ 798,27, ou seja, R$ 16,02 pagos a mais pelo consumidor. Os produtos que mais subiram de preço no período analisado foram a batata (55,8%), o óleo de soja (13,3%) e o arroz (12%).

Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior (outubro 2019) o aumento foi de 30,5%, ou seja, R$ 186,58 pagos a mais pelo consumidor. Os produtos que mais contribuíram para esse aumento foram: o arroz, a batata, o óleo de soja, frango e a muçarela fatiada.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor Lincoln Diogo Lima, da Universidade de Sorocaba (Uniso), os grupos de bens que compõem a cesta básica sorocabana apresentaram, em outubro de 2020, as seguintes variações de preço em relação ao mês anterior: alimentação (2,44%), limpeza (1,72%) e higiene pessoal (-2,14%). “Dos 34 itens pesquisados na cesta básica sorocabana, 19 deles apresentaram alta no preço. Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda de preço, são eles: cebola, ovos e o papel higiênico”, destaca.

Conforme a pesquisa, entre os itens que apontaram maior aumento está a batata (55,8%), passando de R$ 3,16/ o quilo em setembro para R$ 4,93 em outubro, isso após quatro meses consecutivos de quedas. “O motivo para tal aumento se deve ao fato de que em setembro as colheitas foram antecipadas, por conta das altas temperaturas e da falta de chuvas, o que resultou em menor oferta no mês de outubro, aponta o pesquisador.

Cesta básica sobe 2,05% em outubro Os itens relacionados à alimentação foram os que mais subiram de preço em outubro. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (19/11/2020)

Outro item que apresentou aumento de preço foi o óleo de soja (13,3%), passando de R$ 6,37 (a unidade de 900ml) em setembro para R$ 7,21 em outubro. “É o terceiro mês consecutivo de aumento. O principal fator para isso foi o aumento do seu principal insumo, a soja, que teve seu preço elevado devido à alta da taxa de câmbio e aumento da demanda interna e externa”, aponta Lima.

Arroz apresentou aumento

Depois de aumentar 21,5% no mês anterior, o arroz apresentou novamente aumento (12%), passando de R$ 23,39 (o pacote de 5 quilos) em setembro para R$ 26,20 em outubro. Com esse resultado o arroz apresenta a sua 9ª alta de preço no ano, acumulando em 2020 uma elevação de 73,4% e se tornando o item da cesta básica que mais contribuiu para a sua alta no ano.

Para o pesquisador, vários são os fatores que contribuíram para isso: a redução da área plantada nos últimos anos; a restrição de oferta pelo qual passam alguns países exportadores, com vistas a assegurar o abastecimento interno de seu país; a alta do dólar frente ao real que estimulou a exportação do grão; e o aumento da demanda puxada pelo pagamento do auxílio emergencial que ajudou a população mais pobre a ter mais acesso ao alimento.

Dólar alto e exportações causam aumento

Cesta básica sobe 2,05% em outubro Gledson Munhoz, diretor comercial da empresa Vencedor. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (14/11/2020)

Para o diretor comercial da empresa de alimentos Vencedor, Gledson Munhoz, a alta do dólar e as exportações do arroz e do feijão produzidos no País são as principais causas do aumento de preço desses produtos, além de outros fatores.

Munhoz comenta que a forte valorização da moeda americana incentiva a exportação desses produtos, já que o produtor rural prefere vender no exterior e lucrar mais do que abastecer o mercado interno. “Assim, como a soja e o milho, o arroz e o feijão também são commodities, produtos de qualidade e características uniformes, cujos preços são uniformemente determinados pela oferta e procura internacionais. Com o dólar alto, o produtor brasileiro ficou desestimulado a plantar o feijão carioca, por exemplo, que é mais consumido internamente, e quase não se exporta esse tipo de produto. E no caso do arroz, a produção brasileira atual já não é suficiente para abastecer o mercado interno e o pouco que tínhamos também foi vendido para o exterior”, aponta.

Munhoz disse ainda que com o cenário atual é praticamente impossível não repassar o custo para o consumidor. “A tendência é o dólar não baixar. Além disso, os insumos agrícolas também subiram, pois também são cotados em moeda americana. O preço das embalagens também aumentou, então, não tem como não repassar esse aumento, pois tudo subiu”, diz.

Produtos com queda de preços

Pelo menos alguns produtos da cesta básica sorocabana apresentaram queda de preço. O item que apresentou a maior queda de preço foi a cebola (-14,1%), passando de R$ 4,65 (o quilo) em setembro para R$ 4,00 em outubro. O principal motivo para a queda no preço foram as condições meteorológicas que levaram à maior colheita.

Os ovos também apresentaram queda de preço (-13,1%), passando de R$ 8,62 (a dúzia) em setembro para R$ 7,50 em outubro. Depois de ter apresentado forte alta no mês anterior o preço dos ovos voltaram a cair.

Em terceiro lugar está o papel higiênico, que apresentou queda de -8,4%, passando de R$ 6,30 (pacote com 8 unidades) em setembro para R$ 5,77 em outubro. Ao que tudo indica, tal queda se deve ao recuo no mercado doméstico e internacional do custo do seu principal insumo, a celulose.

O consumidor deve pesquisar o preço entre os estabelecimentos, já que outra pesquisa da Uniso, a “Olhômetro de preços”, aponta variação nos valores dos produtos. Neste mês, por exemplo, a diferença de preços chegou a 134% no preço da batata, por exemplo. (Ana Cláudia Martins)