Sorocaba e Região

Área do Deinter 7 convive com déficit de policiais civis

São 658 profissionais a menos na região de Sorocaba
Área do Deinter 7 convive com déficit de policiais civis
Gustavo Galvão Bueno. Crédito da foto: Fábio Rogério

Dados do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo mostram que há um déficit de policiais civis da ordem de 658 profissionais na região do Deinter 7 de Sorocaba, que abrange 78 municípios. A base de dados é de dezembro de 2018. De acordo com o sindicato, ante apenas 505 cargos ocupados, o número previsto em lei é de 1.163, o que resulta em um déficit de 658 profissionais que incluem os cargos de delegado, escrivão, investigador, agentes policiais, agente de telecomunicações, papilocopista, auxiliar de papilocopista.

O balanço foi divulgado na tarde desta sexta-feira (10) pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, durante encontro com cerca de 80 delegados de Sorocaba e região na cidade. Segundo Bueno, as consequências dessa defasagem podem ser sentidas no prejuízo aos serviços prestados à população nas unidades policiais: “O gestor tem de fazer mágica para continuar prestando um bom serviço à população.” Segundo ele, muitas vezes o cidadão vai à delegacia e a encontra fechada ou, quando ela está aberta, encontra filas porque o profissional de atendimento está sobrecarregado.

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Bueno acrescentou que a saúde mental e física dos policiais também está sendo afetada, porque o profissional tem de fazer o trabalho de dois ou três policiais. Isso prejudica o resultado do trabalho, continuou, principalmente na atividade-fim, que é a investigação criminal. “Quando a investigação criminal é insuficiente, crimes ficam sem punição, o sentimento de impunidade aumenta e passa-se a mensagem para a sociedade de que o crime compensa”.

Essa situação, analisou o presidente da Associação dos Delegados, configura um processo de “sucateamento” da Polícia Civil e é resultado “de um acúmulo de anos, de décadas de descaso, de sucateamento do governo de São Paulo para com a sua Polícia Civil, a polícia investigativa.” Também disse que isso ocorreu por diversos motivos, “mas principalmente porque nós sabemos que não é interessante a um governo fortalecer aquela polícia que pode se virar contra ele, a polícia investigativa.” Bueno também concedeu entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3.

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Na avaliação de Bueno, um bom exemplo disso é o da Polícia Federal: “Os governos do Estado de São Paulo sempre foram muito astutos em não fortalecer, em não dar condições para essa polícia crescer e fazer o seu papel constitucional, que é de investigar todos os crimes, não só os crimes do varejo mas também os crimes de corrupção, de colarinho branco, que a gente coloque também os poderosos na cadeia, seja quem for que cometa um crime, seja qual for a classe social e o cargo ocupado.”

Essas críticas foram encaminhadas no início da noite desta sexta-feira (10) ao conhecimento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, esclarece que o reforço no policiamento em todo o Estado é um dos compromissos da atual gestão, investindo incessantemente na valorização e ampliação policial.

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O órgão informou ainda que estão em andamento concursos para a contratação de 2.750 policiais civis, entre delegados, investigadores, escrivães e agentes policiais e que novos editais serão lançados, conforme a disponibilidade de recursos. O objetivo é realizar concursos anuais para todas as polícias.

Em relação ao déficit, a secretaria afirma que o dado apontado pelo sindicato leva em consideração postos de trabalho já extintos e não contabiliza a requalificação de mais de 2 mil carcereiros que passaram a ser agentes policiais, em razão da lei sancionada pelo governador em março. (Carlos Araújo)

Atualizada às 13h.

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