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Após despejo de material químico, peixes aparecem mortos em lago no Campolim

14 de Dezembro de 2020 às 11:33
Wilma Antunes [email protected]

Moradores do bairro já haviam flagrado peixes agonizando no domingo. Crédito da foto: Vinícius Fonseca

Atualizada às 18h16

Centenas de peixes do lago situado no parque Carlos Alberto de Souza, no bairro Campolim, em Sorocaba, apareceram mortos, na manhã desta segunda-feira (14). A mortandade ocorreu três dias após o descarte criminoso de produto químico em uma boca-de-lobo na rodovia Raposo Tavares (SP-270), próximo à região.

O local ainda cheira mal e diversos peixes agonizam na superfície. O responsável por despejar o material e contaminar o lago ainda não foi identificado.

A principal suspeita é de que um caminhão tenha sido utilizado para jogar o produto químico em uma boca-de-lobo na Raposo Tavares, nas proximidades do Campolim. O caso é investigado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Moradores já haviam registrado mortes de peixes no local, na manhã do domingo (13). Eles caminhavam na pista do parque e notaram muitos peixes próximos à superfície da água, para tentar respirar.

"Fiquei chocado com a cena, passei por lá e tinha muitos peixes mortos e vários buscando por oxigênio. O cheiro de peixe morto misturado com material químico está um horror. Isso acontece por conta da poluição, parece que esperam acontecer o pior", reclama um morador do Campolim, que preferiu não ser identificado. Ele caminha na pista de caminhada do parque há cerca de 35 anos.

O responsável por despejar o material e contaminar o lago ainda não foi identificado. Crédito da foto: Vinícius Fonseca

A Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) informou que o teor de oxige?nio da a?gua diminuiu em raza?o do descarte criminoso de o?leo no lago do parque, por isso os peixes estão indo à superfície para respirar. Com a remoc?a?o do produto feita pelo Saae na quinta e na sexta-feira (10 e 11), a taxa de oxige?nio se estabilizara? naturalmente em alguns dias e os peixes então terão o ambiente normalizado, afirma a pasta.

"Na?o ha? o que se possa fazer neste momento. Retirar os peixes do lago é tecnicamente inviável agora, ja? que seria necessário contratar uma empresa para esse trabalho. Importante salientar que vamos monitorar o lago nos próximos dias e, se a situação não se estabilizar, faremos uma intervenção para a remoção dos peixes. Os peixes que morreram estão sendo retirados do lago. Tudo isso será registrado e será um agravante no processo de multa ambiental, assim que o responsável pelo ato criminoso seja identificado" informa a secretaria.

O Saae diz ter feito todo o trabalho de sucção do produto químico encontrado no lago, rastreamento e localização da área onde ocorreu o despejo criminoso (galeria de águas pluviais da ViaOeste, na marginal da Raposo) e buscas de câmeras de segurança ao redor que pudessem ter registrado a ação. “Conseguimos duas, mas as imagens não alcançaram o local do despejo. Após a sucção de todo material químico do lago, a autarquia realizou jateamento com água limpa justamente para evitar morte de peixes”, alega.

Segundo o Saae, acredita-se que o material despejado seja uma mistura de diversos produtos. Esse material foi coletado e levado encaminhado para análises nos laboratórios da autarquia.

O Coordenador do Núcleo de Estudos Ambientais (Neas) e do curso de Ciências Biológicas da Uniso, Nobel Penteado de Freitas, explicou que o óleo despejado de forma irregular causa sérios problemas ambientais. "Precisaríamos saber exatamente qual a composição deste material, mas as substâncias oleosas, por sí só, causam uma série de problemas ambientais quando lançadas em altas concentrações nas coleções hídricas, como rios e lagos", informou ele.

O biólogo relatou que o material dificulta as trocas gasosas entre a água e o ar, o que pode levar à diminuição da concentração de O2 na água. "Também podem chegar às branquias dos peixes, e diminuir ou cessar as trocas gasosas, e novamente causar mortandade", acrescentou Nobel.

"Este lago faz parte da Bacia do córrego água vermelha que é um afluente do rio Sorocaba, e portanto, este óleo poderá ser captado pela futura estação de tratamento de água", lembrou o professor.

De acordo com o coordenador do Neas, "é mais provável que apareçam casos de contaminação do que doenças, pois trata-se de um episódio isolado e, com as ações do SAAE e da própria natureza, isso deve retornar ao normal". Ele concluiu explicando que existe o risco deste material ser consumido por peixes que, depois, serão consumidos por humanos. Dessa forma, pode haver contaminação com gravidade variante da composição do óleo despejado.

No domingo (13), a Cetesb encaminhou um técnico da Agência Ambiental de Sorocaba para vistoriar a área do parque. De acordo com Companhia, não foram encontrados indícios ou evidências de um novo descarte. A provável causa foram as chuvas, que caíram na região e arrastaram o material remanescente da rede de drenagem de águas pluviais. (Wilma Antunes)