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Sorocaba e Região

Após condenação, pai de Vitória Gabrielly diz que a justiça foi feita

O servente de pedreiro Júlio Cesar Ergesse foi condenado a 34 anos de prisão pelo assassinato de Vitória Gabrielly
Pai de Vitória Gabrielly diz que foi feita a justiça
O servente de pedreiro Júlio Cesar Ergesse é levado ao Fórum de São Roque. Crédito da foto: Emídio Marques (21/10/2019)

“A partir do momento em que saiu a condenação foi uma carga que saiu das nossas costas, foi feita a justiça.” Com esta declaração, Luiz Alberto Vaz, conhecido como Beto Vaz, de 35 anos, avaliou a sentença que condenou o servente de pedreiro Júlio Cesar Ergesse.

Ergesse foi condenado a 34 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da menina Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos. O crime ocorreu em junho de 2018 em Araçariguama, na Região Metropolitana de Sorocaba.

Beto é o pai da vítima. Ele e a mãe da menina, Rosana Guimarães, acompanharam o julgamento realizado segunda-feira (21) no Fórum de São Roque.

O pai de Vitória disse que desde a ocorrência do crime acompanhou todos os passos do processo. Também admitiu que esteve “muito tenso” na reta final que antecedeu o julgamento.

Isso porque viu na imprensa análises que dividiam as possibilidades entre resultados favoráveis e de condenação para o réu: “É desgastante, mas acreditando sempre no trabalho da policia, no trabalho da justiça, que fosse culminar nessa punição, nessa sentença, e foi o que aconteceu.”

A sentença condenou Júlio César a 18 anos por homicídio, 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver e 3 anos por sequestro. A condenação chega a 34 anos no total por força das qualificadoras para o crime classificadas como motivo torpe, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa e ocultação de cadáver.

Defesa

A defesa de Júlio César, representada pelos advogados Glauber Bez e Machado Ergesse, entrou com recurso contra a sentença, durante o julgamento. Também deverá apresentar as razões.

Bez disse que a defesa vai pedir a anulação do júri em todas as acusações contra o réu.

Segundo ele, não há prova com relação à acusação de homicídio e ocultação de cadáver, não houve dolo em relação ao sequestro da vítima e ele não tinha nenhum vínculo com dívida de droga que originou a tragédia. “A defesa entende e sente muito pela família da vítima, nós jamais concordamos com a morte dela, a banca dos advogados luta pela plenitude de defesa do réu”, justificou Bez.

Esperado

O advogado assistente de acusação, Roberto Guatelli, disse que a condenação de Júlio César “era o que esperávamos”. A sua expectativa é de condenação até mesmo maior para os demais acusados: o casal Bruno Marcel de Oliveira, de 33 anos, e Mayara Borges de Abrantes, 24 anos.

O casal teria sido mandado para cobrar uma dívida de drogas. Guatelli acha que o casal pode pegar pena maior por acreditar que os dois seriam os mentores do crime.

Há um quarto suspeito, identificado pela polícia como Odilan Alves, de 35 anos, apontado como comandante do tráfico na região e teria mandado sequestrar a irmã de um usuário de drogas de R$ 7 mil. E acabaram pegando a menina errada.

Demais acusados

Beto Vaz disse que tem a expectativa de condenação também para os demais acusados. Ele relatou dificuldades vividas pela família de Vitória Gabrielly após o crime, que incluíram perseguição por meio de fake news e tratamentos psicológicos: “As pessoas olham para um assassinato e acham que, depois que você enterrou, vai seguir sua vida; a gente entrou numa espiral decrescente, quase a gente chegou ao fundo do poço.”

Referindo-se a essas dificuldades, Beto disse que a família de Vitória Gabrielly agradece a assistência do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência (Navv), grupo que funciona em todo o Estado no atendimento a famílias que vivem traumas.

Também elogiou os trabalhos da promotoria pública, representada pelo promotor Washington Luiz Rodrigues Alves, e do juiz Flávio Roberto de Carvalho, que presidiu o julgamento. (Carlos Araújo)

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