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A Cultura e a eterna falta de recursos

Futuro prefeito (a) terá que administrar a escassez em setor que muitos consideram importante
A Cultura e a eterna falta de recursos
A Secretaria da Cultura terá uma das menores parcelas no orçamento do próximo exercício. Crédito da foto: Vinícius Fonseca / Arquivo JCS (5/8/2020)

A Secretaria da Cultura de Sorocaba terá um dos menores repasses do orçamento municipal, em 2021, conforme o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA 2021). A verba para a pasta deve ficar em cerca de 0,3% do orçamento. O corte de recursos, atrelado a outros problemas recorrentes, deve potencializar os impasses no setor de Cultura e Lazer da cidade, na avaliação de especialistas. Desta forma, além de encontrar maneiras de balizar a falta de verba, o (a) novo (a) prefeito (a) do município terá pela frente o desafio de ampliar o acesso da população aos setores, com o desenvolvimento de ações efetivas. Também será necessário promover o incentivo e a valorização da classe artística e dos espaços disponíveis na cidade, apontam as fontes consultadas pelo Cruzeiro do Sul.

Sorocaba conta com instituições provedoras de Cultura, em diversos âmbitos. Contudo, para o delegado sindical do escritório de Sorocaba do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo (Sated – SP), Marcos Felipe Alcantara Sanson, eles não são suficientes para atender uma população de mais de 700 mil habitantes. Segundo ele, a criação de outros espaços possibilitaria aos sorocabanos o consumo da arte em todas as vertentes. Nesse sentido, Tetê Braga, representante do Fórum Permanente de Culturas, considera igualmente essencial a manutenção efetiva dos locais já existentes.

Para o delegado, o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao fomento cultural é de extrema importância. A arte e a cultura em si atuam como transformadoras em diversas esferas sociais. Por isso, precisam estar acessíveis a todos. “A cultura é um dos pilares de desenvolvimento de qualquer sociedade, e o Poder Público tem que ter essa visão”, diz. Diante da falta de verba própria, uma opção para o Executivo municipal elevar o orçamento da área seria a idealização de medidas de impulsionamento de doações financeiras para o Fundo Municipal de Cultura, elenca a representante do Fórum. Os repasses poderiam ser feitos tanto por empresas, quanto pessoas físicas. Nesse âmbito, as multinacionais igualmente deveriam ser estimuladas a desenvolver projetos a nível local. O Fundo poderia, ainda, receber parte dos valores arrecadados com grandes eventos, acrescenta.

Esse incentivo também deveria se dar, por exemplo, com ações nas escolas, acredita Sanson. Tetê concorda e afirma que, assim, os movimentos culturais não seriam levados apenas às instituições de ensino. Mas, também, para as comunidades. Isto poderia ser desenvolvido, por exemplo, por meio da permissão do uso dos auditórios escolares, para a realização de atividades, indica ela. “É um modo de levar a cultura para a periferia, sem precisa construir nada novo”, destaca.

Além disso, as atuações da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural deveriam ser ampliadas. O mesmo caminho vale para a relação das entidades com a classe artística Sorocaba. Os gestores públicos, fala Sanson, na condição de representantes da população, têm de estabelecer diálogo direto, ou seja, democrático, com os artistas locais. Assim, eles teriam os seus anseios ouvidos e as suas demandas atendidas, considera. “Em uma cidade que consome cultura e lazer, o governo tem como obrigação sanar as necessidades dos que a provém”, opina. É essencial estender o contato direto também para com os jovens, completa Tetê. Com a maior proximidade, a administração municipal teria conhecimento mais aprofundado sobre os desejos da juventude. A partir disso, seria possível elaborar projetos que realmente despertem interesse e gerem engajamento. Assim, evitaria-se, por exemplo, a realização dos “pancadões”. “Se o jovem tivesse espaços para se expressar e criar a cultura dele, talvez, o ‘batidão’ não gerasse todo esse impacto social”, acredita.

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Ainda para a mudança desse cenário, Tetê aponta o cumprimento do Plano Municipal de Cultura, documento norteador das ações culturais na cidade. Caso o novo (a) líder do Executivo não o faça, o trabalho continuará repleto de obstáculos e ineficaz, afirma. Para ela, o setor de Cultura e Lazer deve começar a ser encarado como prioridade, devido a sua importância. “A cultura é essencial para a educação, para a formação, para o pensamento humano. Na pandemia, inclusive, foi necessária para as pessoas manterem a sanidade”, reforça.

Parques

Entre as principais opções de lazer, os parques e praças municipais também não contemplam a demanda da cidade, considera o delegado do Sated. Além da construção de novos locais, é preciso preservar pela manutenção adequada dos atuais, informa. Com a estrutura adequada, eles poderiam ser utilizados para fins afora de passeios de fins de semana e servir de cenários para manifestações artísticas, como shows e peças teatrais e circenses, dentre outras, pontuam Tetê e Sanson.

Nessa perspectiva, tornariam-se, especialmente, palcos para os artistas de rua mostraram os seus trabalhos, dada à falta de espaços para tal, sugere Tetê. “A cultura vai além de abrilhantar dias e noites de uma sociedade. Ela realça conhecimentos e discussões de saber político, em uma sociedade democrática e livre, precisamos que a arte em geral preencha cada espaço da cidade”, complementa Sanson, sobre a mesma ideia. (Vinícius Camargo)

Carlos Péper – (Solidariedade)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Em Sorocaba, vemos uma enorme dificuldade por parte de todos que vivem da Cultura em desenvolver seus bons projetos, por falta de maior investimento e incentivos da Prefeitura, para que esses projetos possam ser viabilizados em parcerias com a iniciativa privada. Não podemos permitir que os amantes e idealizadores de produções culturais amadoras e profissionais fiquem à mercê somente de verbas da Fundec e iniciativas do Sesc e empresas privadas; o gestor público municipal é também responsável. Nossa cidade ainda é muito carente de parques públicos. Em nosso Plano de Governo, temos o formato ideal para construirmos vários espaços com estrutura para uso público, focando especialmente a cultura e o lazer para todos. Faz-se necessário investir em cultura e lazer, pois acreditamos que com isso estaremos dando nossa contribuição para valorização da nossa história no desenvolvimento dos nossos talentos. Leiam o nosso Plano de Governo e saberão que priorizamos também a Cultura o lazer e o entretenimento.

Flaviano Lima – (Avante)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Há anos, Sorocaba sente a carência de investimentos na área cultural e também no lazer. Além da falta de recursos, uma ação ativa para superar este problema, envolvendo empresas, entidades, celebrando parcerias, desenvolvendo projetos para captar recursos; enfim, uma ação criativa. Cultura não é gasto. É investimento! As entidades são desafiadas também a colaborar com a Prefeitura para buscar mais fontes de financiamento e sustentabilidade. Entendo que, mesmo com instituições de grande importância, como Sesc, Fundec, Sesi e outras que não cabem aqui, mas são importantes, Sorocaba continua sofrendo com a falta de cultura, lazer e entretenimento e, também, mais espaços. Exemplo disso são os ditos “pancadões”, manifestações legítimas dos jovens que precisam ser ouvidos, mas que ocorrem sem o apoio da Prefeitura, em áreas impróprias, prejudicando famílias com barulho excessivo, falta de segurança e outros problemas. Temos como proposta atualizar o Plano Municipal de Cultura, elaborado de forma participativa e estruturado com base em 6 eixos culturais: patrimônio cultural, gestão da cultura, fomento à produção cultural, acesso e descentralização da cultura, diversidade cultural e economia da cultura.

Jaqueline Coutinho – (PSL)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Junto com a educação, a cultura é um pilar de transformação social da população e nós sabemos dessa importância. Tanto que, em poucos meses à frente da Prefeitura, iniciamos a reforma do Teatro Municipal, que está em fase final, e remanejamos verba para fortalecer o orçamento da Secretaria de Cultura em 2021. Vamos trabalhar com gestão, inclusive buscando parcerias para revitalizar espaços culturais e criando o projeto Cidade da Cultura na área central, que abriga o prédio da antiga Estação Ferroviária. Também vamos implantar o Cultura Móvel, programa itinerante que levará eventos através de um caminhão palco e um ônibus adaptado a todas as regiões de Sorocaba, e o programa Comunidade do Lazer, para desenvolver atividades recreativas nas comunidades. Além disso, vamos fortalecer a parceria com as instituições que desenvolvem um trabalho essencial nessa área, para ampliar o programa de musicalização. Com essas ações, vamos transformar Sorocaba em uma cidade ainda mais cultural, com atividades para todos os públicos e mais desenvolvimento para os sorocabanos.

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Leandro Fonseca – (Democratas)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Todos os órgãos de apoio à cultura são importantes para o desenvolvimento social, para a saúde física e mental da população. Iremos valorizar ainda mais as manifestações culturais, pois cultura e educação são a base da sociedade. Trabalharemos para levar o máximo de manifestações culturais para todos os lugares da cidade, resgatar o respeito e valorização da cultura de nossa cidade em todas as áreas, pois são as nossas raízes. Utilizaremos anfiteatros em escolas municipais de diversos bairros, pois é preciso fomentar os espaços próximos da comunidade, com mais criatividade, gestão e parcerias. Precisamos também valorizar o profissional da cultura. Temos propostas, como a criação do NACDEM, que é o Núcleo de Artes Cênicas, Dança e Música. Vamos valorizar a Fundec e a Linc, e não podemos esquecer que o jovem também precisa de espaços para se expressar, expressar sua arte e, quem sabe, desenvolver uma nova profissão. Sorocaba precisa renovar nesse sentido e de abrir espaços de entretenimento para todas as idades e públicos.

Maria Lúcia – (PSDB)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Sorocaba está totalmente carente no que diz respeito à Cultura e Lazer. A Cultura não chega aos bairros e os parques estão abandonados, sem manutenção e escuros. Vou fazer eventos nos bairros, motivando a interação social, para que as pessoas se sintam valorizadas em suas regiões de moradia. Vamos construir um centro de eventos que comporte ao menos mil pessoas sentadas. Vou fazer um dos maiores parques urbanos do Estado, interligando o Parque das Águas, o Porto das Águas e o Jardim Botânico, por meio de passarelas e ciclovias. Sorocaba tem uma rica tradição cultural que precisa ser resgatada. Vou buscar recursos para reforma e restauração dos prédios culturais, mantendo a estrutura da Secretaria da Cultura e fomentando espaços para apresentações ao ar livre, regulamentando o uso dos espaços públicos. Irei implantar treinamentos aos artistas para busca de recursos destinados à Lei de Incentivo à Cultura, implantar gestão técnica e participativa. Além disso, vou realizar manutenção corretiva e preventiva dos equipamentos e adequação à acessibilidade.

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Raul Marcelo – (Psol)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

A Cultura é mais ampla que os espaços destinados às atividades artísticas e culturais. A Cultura é pertencimento a uma forma de vida e envolve a língua falada, a tradição alimentar, os territórios de identidade, o calendário de festividade, entre outras expressões de nossa gente. A Prefeitura precisa ter sensibilidade ao formular suas políticas de forma a envolver todas essas relações que a Cultura tem a capacidade de tocar e engrandecer. Infelizmente, as últimas gestões municipais esvaziaram a Secretaria de Cultura e a Lei de Incentivo a Cultura (Linc), alvo de cortes de recursos. Nossa proposta é reformular a Linc para que seja mais acessível e sirva de estímulo aos projetos descentralizados de apresentações culturais. Essa proposta caminha com a transformação de toda escola municipal em um ponto de cultura, esporte e lazer aos finais de semana e feriados. Além de uma opção de lazer para nossas famílias, essa é a forma mais eficiente de utilizarmos nossos próprios no sentido de tornar a cultura mais próxima dos territórios e das especificidades de nossa gente.

Renan Santos – (PDT)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

Cultura jamais deve ser encarada como gasto. Trata-se de investimento no bem-estar da população e, para isso, quero viabilizar a criação de uma fundação voltada para o desenvolvimento de projetos, cursos e realização de eventos da cultura popular nos bairros. Vou estabelecer metas legais do aumento gradativo dos recursos para investimentos no fomento da produção cultural. Vou intensificar o apoio à arte urbana em parceria com as escolas como uma estratégia de promoção de entretenimento e formação para a juventude. A cultura também é fundamental para a economia e, por isso, vou instalar o Polo de Capacitação Audiovisual, visando a formação de profissionais do setor. Reforçar o incentivo tributário às produções audiovisuais na cidade também é uma necessidade. Vou defender o patrimônio histórico, com diálogo permanente junto aos órgãos estaduais e federais; reformar o Museu Histórico Sorocabano e revitalizar o prédio do Fórum Velho, resgatando sua finalidade cultural; criar bibliotecas populares nos bairros; fortalecer a Fundec e levar as apresentações para a periferia.

Rodrigo Manga – (Republicanos)

A Cultura e a eterna falta de recursos
Crédito da foto: Divulgação

A cultura, o entretenimento e o lazer são imprescindíveis para a formação da cidadania e promoção da qualidade de vida. Infelizmente, a Cultura está esquecida na cidade. Minha administração irá mudar isso, começando pela revisão do Plano Municipal de Cultura. A ideia é ampliar os espaços e equipamentos destinados ao setor, descentralizando os investimentos e as ações, que devem estar mais acessíveis, chegando aos bairros. Avaliei alguns dos melhores exemplos em outros municípios e vi que é possível fazer muito mais, contando com a ampliação gradativa do orçamento para a pasta, parcerias com a iniciativa privada e buscando o apoio de outras esferas de governo. São exemplos: as praças públicas com múltiplos equipamentos, que oferecem infraestrutura para esporte, cultura e lazer, como palcos ao ar livre, quadras, circuito de skate e playground. É, ainda, uma forma de atrair as famílias e, com ações integradas de segurança pública, manter esses locais mais seguros. Criar torneios esportivos, incentivar o turismo e fazer a ponte entre Cultura e Educação são outros aspectos importantes.

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