Cidades
Raiva animal deixa cidades em alerta por conta da falta de vacinação
Casos de raiva animal registrados neste ano em Ibiúna, São Miguel Arcanjo e São Roque preocupam as autoridades
Casos de raiva animal registrados neste ano em Ibiúna, São Miguel Arcanjo e São Roque preocupam as autoridades municipais da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informa que não há registro de raiva humana no Estado desde 2018.
Segundo a Prefeitura de Ibiúna, a coleta realizada pelo laboratório oficial do governo estadual (o Instituto Pasteur) num animal (bovino), em fevereiro, teve resultado positivo. Em São Miguel Arcanjo, também foi confirmado um caso na semana passada, em uma anta que acabou morrendo. A transmissão teria ocorrido por mordida de morcego. Já em São Roque, outra anta também morreu em uma propriedade rural, no mês passado, e o caso é investigado como positivo para raiva.
Em 2022 e 2021 ocorreram 210 e 247, respectivamente, casos de raiva animal no Estado. “Neste ano, até o momento, houve 52 casos em todo o território estadual, sendo dois na região de Sorocaba. Os casos de raiva animal podem ocorrer em diversas espécies como anta, bovina, canina, equina, morcego e ovina. Em 2023, foram registrados 32 casos de raiva em morcego, o que representa 61,5% do total”, informou a pasta.
Conforme o Instituto Pasteur, a raiva é uma doença infecciosa aguda, causada por um vírus, que compromete o sistema nervoso central (SNC). “Pode acometer todas as espécies de mamíferos, incluindo o homem, sendo seu prognóstico fatal em praticamente todos os casos. A raiva é transmitida, principalmente, pela saliva dos animais infectados, arranhões ou lambeduras”, explica o órgão.
Por conta do caso em São Roque, servidores da Secretaria de Meio Ambiente, do Instituto Pasteur e da Vigilância Epidemiológica municipal estiveram presentes na propriedade rural. “O papel da Defesa Agropecuária nesse contexto é o de verificar a questão da presença dos morcegos hematófagos na propriedade. E também, verificar se existem possíveis abrigos ou ainda, situações que possam favorecer o aparecimento de novos casos da doença”, afirma o médico-veterinário Guilherme Shin Iwamoto Haga, gerente do Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros (PECRH).
A Prefeitura de Ibiúna alerta que há incidência de mais óbitos, principalmente de bovinos e equinos, com as mesmas características no município e na região. “No entanto, esses casos foram notificados pelos proprietários fora do prazo estipulado pela Defesa Agropecuária do Estado para a realização do exame de identificação do vírus. Em decorrência disso, optou-se por emitir um comunicado alertando aos proprietários de animais para que os mantenham vacinados, uma vez que também há conhecimento de casos positivos e suspeitos na nossa região e em outros estados brasileiros, muitas vezes subnotificados pela falta de conhecimento dos proprietários”. (Da Redação)