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#TBT: João de Camargo

Quem passa pela avenida Barão de Tatuí encontra uma igreja no número 1.083, ao lado de um córrego
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A igreja em 1976. Crédito da foto: Projeto Memória / Jornal Cruzeiro do Sul

Uma igrejinha tranquila, onde quem entra diz sentir uma paz mansa. Um local onde se pode parar refletir sobre a vida, ouvir o canto dos pássaros, mesmo estando ao lado de uma das mais movimentadas avenidas de Sorocaba.

Quem passa pela avenida Barão de Tatuí encontra no número 1.083, ao lado de um córrego, esta igreja que é conhecida como Igreja de João de Camargo, Capela da Água Vermelha, Capela Senhor do Bonfim ou simplesmente Igrejinha de Nhô João. Mais quem foi João de Camargo?

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João nasceu em Sarapuí em 5 de Julho de 1858, ou seja, período em que a escravidão ainda era vigente no Brasil. Porém, viveu a maior parte da sua vida na cidade de Sorocaba. O Camargo de seu nome é uma herança de seu dono, pois João nasceu escravo. Trabalhou como cozinheiro, agricultor, oleiro e foi até militar. João de Camargo pode-se dizer que praticava um sincretismo muito interessante entre o catolicismo, as crenças populares e o culto aos Orixás.

João sofria de alcoolismo e era analfabeto. A versão mais popular da vida de João de Camargo conta que houve uma “profetização”, numa noite em que o ex-escravo caiu bêbado junto a uma cruz mortuária do garoto Alfredinho. João contava que no meio da noite presenciava aparições de um menino branco, uma mulher parda, um homem preto e o espírito de Monsenhor João Soares do Amaral, bispo de Sorocaba, morto quando atendia às vítimas da epidemia de febre amarela em 1900. As visões pediram para ele parar de beber e construir ali uma igreja, que deveria ter como padroeiro o Senhor Bom Jesus do Bonfim. Começava ali a criação da capela de Nhô João.

O místico usava as folhas, águas e óleo para curar quem o procurava. A fama de sua igreja e de João de Camargo se espalhou de forma rápida, levando uma multidão de seguidores até ele, fato que incomodou algumas autoridades, levando o místico a ser preso sobre alegação de curandeirismo. João de Camargo nunca desanimou e continuou a atender a quem lhe procurava. Chegou a fundar uma escola para alfabetização dos mais pobres e uma banda musical.

Para Nhô João, todas as pessoas eram importantes, mesmo aquelas que os destratavam. Em 28 de setembro de 1942, João de Camargo Barros morria aos 84 anos. Sua vida foi retratada na literatura por diversos escritores e, em 2005, o ator e diretor sorocabano Paulo Betti lançou o filme Cafundó, que traz Lázaro Ramos como estrela principal.

A Igreja de João de Camargo continua no mesmo lugar, de portas abertas e recebendo todos os dias um grande número de fiéis, que no local encontram um pouco da paz e dos ensinamentos do escravo que se tornou um santo popular.

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