Presença

Sobre revoltas de escravos e quilombos

Resistência. Palavra que define entre tantas, a história de luta dos escravos africanos nas Américas, de acordo com o livro “Sobre revoltas de escravos e quilombos”, de Ademir Barros dos Santos, escrito em parceria com o escritor português Nuno Rebocho. “O livro tem um recorte muito focado. Não é sobre a história da África, mas da revolta dos africanos escravizados”, disse Ademir, na ocasião do lançamento do livro, que aconteceu no último dia 28, quinta-feira, no Núcleo de Cultura Afro-Brasileira (Nucab), da Uniso.

O livro mostra o contraponto à voz oficial de narrativas dominantes, que abordam os seres humanos escravizados como “acomodados” em sua posição. “Os meios oficiais, ainda hoje, enfatizam a dominação do europeu sobre o africano que, no extremo, ainda é visto como conivente com o processo”, destaca a apresentação do livro. “A história de 400 anos de escravidão que nos contam não é exatamente o que aconteceu. Contam o que aconteceu apenas de um lado. Mas, se queremos um Brasil forte, temos que contar todos os lados da história”, destacou a coordenadora do Nucab, professora Ana Maria Souza Mendes.

Leia mais  #TBT: Votorantim

Ademir detalha também que o livro é resultado de um estudo desenvolvido em parceria com Rebocho. “O mundo virtual permitiu que esse mar que nos separa desaparecesse”, contou Ademir, adiantando que o livro deverá ser lançado também em terras portuguesas. Na pesquisa, a dupla investigou os primeiros e principais registros de revoltas de escravos, primeiramente em Cabo Verde — que abrigava o maior entreposto de escravos do século 16 — e nas Américas do Sul e Central, com os quilombos. “O maior movimento migratório registrado pela história da humanidade envolve, pelo menos, dez milhões de emigrantes involuntários, deportados, com extrema violência, do continente africano para as Américas”, abre o primeiro capítulo do livro. “E, quando dizem que houve um conformismo de toda essa gente, isso não é verdade”, completou Ademir.

Leia mais  Presença: Dose de esperança

O livro acompanha um CD produzido por Ademir em parceria com os estúdios da Comunidade do Tambor, com poemas e músicas baseados na literatura negra que, na definição do poeta Éle Semog, é aquela que exalta a negritude ou denuncia o racismo. Intitulado “O que nos abala”, o álbum reúne poesias de Semog, de Ademir (que artisticamente assina como Ed Multado), do moçambicano Morgado Mbalate e do historiador sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro. O disco conta, ainda, com músicas inéditas compostas e interpretadas por músicos sorocabanos como Cláudio Silva e Ananda Jaques. A obra pode ser adquirida com autor pelo e-mail ademirmulato@gmail.com.

Comentários