Presença

Maristela Honda é referência na construção civil de São Paulo

No SindusCon-SP, ela foi a primeira mulher eleita para um cargo de diretoria
Maristela Honda é referência na construção civil de São Paulo
Com os filhos Felipe e Marcelo, e o marido Carlos Honda. Crédito da foto: Divulgação

A coluna Presença de hoje conta um pouco da história de Maristela Alves Lima Honda, que há mais de 30 anos vem desenvolvendo trabalhos no setor da construção civil, sendo vice-presidente do Serviço Social da Construção (Seconci-SP) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

No SindusCon-SP, inclusive, ela foi a primeira mulher eleita para um cargo de diretoria. Maristela Honda tem importante atuação social em sua trajetória, aos 70 anos, e prestes a se tornar avó pela primeira vez, ela é a nossa personagem da semana.

Onde você nasceu? Como foi sua infância?

Nasci em São Paulo, no dia 30 de maio de 1950, no hospital Cruz Azul. Minha infância foi um pouco em cada lugar, estudei no colégio São José em São Bernardo do Campo, depois mudei para vários locais como Taquaritinga e São Carlos, pois meu avô tinha uma pavimentadora. Costumo dizer que já nasci dentro da construção civil, meu avô fazia estradas e meu pai o ajudava, a construção de estradas é feita por etapas daí conforme a obra ia andando íamos mudando, lembro quando pequena eu caminhando no meio das máquinas e brincando com o que eu via pela frente. Eu sempre fui muito peralta eu estudava e tirava notas boas e algumas baixas, pedia pro meu pai para assinar os boletins pois minha mãe era muito brava.

E qual profissão você queira seguir?

Eu, desde pequena, sempre gostei de cozinhar, queria ser igual a Dona Benta, porém, na minha época não existia este curso ainda. Na adolescência fui me interessando pelo Direito quando me formei do colegial prestei vestibular e comecei o curso na FMU, fui estagiária e trabalhei na empresa da família na área de Direito, fiz algumas ações mais sempre voltada para área da construção civil, minha vida e de toda minha família foi pautada na construção, amo o que eu faço. Depois fui fazer um curso na área de gestão hospitalar pois sempre quis ser voluntária na área de saúde e resolvi estudar para isto e hoje eu utilizava estes conhecimentos no Seconci-SP com a gestão do Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

Você sempre gostou do voluntariado?

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Sim. Desde criança minha mãe sempre me ensinou, e aos meus irmãos também, a responsabilidade social, íamos em asilos, escolas carentes, a eventos beneficentes. Minha mãe me ensinou a valorizar a vida, e ser solidária.

Maristela Honda é referência na construção civil de São Paulo
Ainda bebê, no colo de sua mãe, Josephina Alves Lima. Crédito da foto: Divulgação

Onde você conheceu seu marido, Carlos Honda?

Conheci ele em um Carnaval, no litoral norte, estávamos em uma festa e começamos a conversar, um ano depois nos casamos, também no Carnaval. Estamos casados há 35 anos, tenho dois lindos filhos: o Felipe e o Marcelo. Estou megafeliz que vou ser avó pela primeira vez, em maio deve nascer o filho do Marcelo com a Júlia, tomara que venha dia 30 igual eu. (risos)

Como é ser a única mulher em um cargo de chefia no Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo?

Fui a única mulher no Sinduscon a dirigir o sindicato, fui a primeira mulher a ser diretora regional no Estado de São Paulo e sou a única mulher na vice-presidência do sindicato há 20 anos. Quando comecei no sindicato eu encontrei algumas barreiras e dificuldades, de machismo, mas hoje é comum ver muitas mulheres a frente de obras. Temos muitas engenheiras, e também muitas mulheres que estão dentro do canteiro de obras, como pintoras, mestre de obras e azulejista. A mulher é muito mais dedicada e delicada, o serviço da mulher na construção civil não deve em nada para o dos homens. Tem muita coisas para melhorar, uma delas é equidade entre os salários, isto em todas as áreas, porém, as mulheres estão cada vez mais conquistando o seu espaço na construção civil que até pouco tempo atrás era um espaço extremamente dominado pelos homens.

Uma de suas principais marcas à frente do Sinduscon-SP é o ConstruSER, conte um pouco sobre este projeto?

O ConstruSer é um dos projetos que eu realizei, e foi pensado na forma de fazer um trabalho com a família dos profissionais da construção civil. Eu ia até o canteiro de obras e conversava com os trabalhadores e percebia que era uma profissão que não era muito aceita pela família, parecia que eles queriam esconder isto dos amigos e tinham vergonha. O ConstruSer veio para valorizar a construção mostrar que a profissão é digna e que precisamos muito da construção civil no Brasil. Neste evento os empregados na construção civil são acolhidos com suas famílias e oferecemos serviços de saúde, odontologia, orientação jurídicas, sobre DSTs, além de educação, e valorização. O objetivo é fazer todos sentir orgulho de estarem ajudando a construir o nosso Brasil. Este ano por conta da pandemia não foi possível realizar o evento, mas é muito gratificante ver que a sementinha deu certo, graças aos parceiros chegamos a receber mais de 50 mil pessoas neste evento que é a grande festa da construção civil.

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Como está sendo o desafio do Seconci-SP na administração do Conjunto Hospitalar de Sorocaba?

O Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo — Seconci-SP é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, fundada em 1964, ela sempre atuou na questão da saúde do trabalhador da construção civil, por sua grande experiência na atenção à saúde e por já atuar como parceiro do Estado, retirando das filas do SUS milhares de usuários, foi convidado, em 1998, a participar de processo de qualificação da primeira geração de Organizações Sociais de Saúde (OSS) do País. Em São Paulo, administramos 5 hospitais de grande porte e tivemos a oportunidade de vencer uma licitação para administrar o Regional. Eu aceitei o desafio eu apesar de não ter nascido aqui em Sorocaba, me sinto sorocabana e quis encarar este desafio de administrar o hospital que é a principal referência da região para atendimentos de média e alta complexidade. No começo foi bem difícil, contratamos 1.200 funcionários e temos mais 1.100 funcionários públicos. Fizemos um trabalho de base, restruturações, o Seconci veio para o regional para ele ser mais ágil, e diminuir custos, viemos somar. Não é uma tarefa fácil, o dr Paulo é quem é responsável pelo hospital. Tem uma complexidade muito grande, são 48 cidades, é um grande desafio, mas estamos conseguindo atingir alguns objetivos. Estamos nesta gestão tem 2 anos, melhoramos a qualidade do paciente. Fizemos algumas reformas. Estamos no CHS para melhorar e para trazer bons frutos para nossa cidade.

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Maristela Honda é referência na construção civil de São Paulo
Maristela desde criança conviveu em canteiros de obra. Crédito da foto: Divulgação

Como foi seu ano de 2020?

Foi um ano difícil para todo mundo, a Covid 19 veio desconhecida para todo mundo, agora está um pouco mais conhecida, já temos algumas vacinas que em breve já vão ser aplicadas na população. Fizemos uma campanha grande nos canteiros de obras pois foi um setor que não parou e utilizando todos os recursos para dificultar a entrada da Covid-19 na construção civil. Graças a Deus, 2020 foi um ano também com muitas obras, a construção pode continuar. 2020 acabou, nos ensinou muitas coisas, infelizmente perdemos muitas pessoas, porém creio que este ano difícil nos ensinou a ter mais amor ao próximo.

Entre todas suas atividades, você foi uma das fundadoras e vice-presidente do Macs — o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, qual é sua relação com as artes?

A arte é um aprendizado, você não nasce sabendo, você estuda e aprende a admirá-la e ela te ensina a ter sensibilidade. Fundamos o Macs em 2004, foi uma grande luta, as pessoas não entendem que arte é cultura, que é muito importante ter um museu de arte. Graças a Deus, temos tido um retorno muito grande da comunidade, ministrando muitos cursos e colocamos a nossa cidade no mapa nacional da arte. Eu gostaria muito de pedir mais apoio para os governantes, para ajudar o nosso museu e também os grandes artistas de Sorocaba.

Você é exemplo para muitas mulheres, nunca quis ser candidata a algum cargo público?

Eu acho que minha contribuição é importante sendo livre e suprapartidária, realizo meus projetos, sou respeitada pelo o que eu faço, tenho personalidade forte acho que não daria certo como política (risos) eu prefiro continuar trabalhando com as minhas entidades, trabalho no qual me sinto realizada. Mas acho que temos que ter mais mulheres em cargo público e mulher tem que apoiar a mulher.

Pingue-pongue

Deus: A Maior força do universo.
Família: Importante, amor, apoio, porto seguro.
Construção civil: Meu pilar, minha história.

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