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Entrevista: Maria Helena é a voz de todas as tarde

08 de Novembro de 2020 às 00:01
Manuel Garcia [email protected]
Manuel Garcia [email protected]

Entrevista: Maria Helena é a voz de todas as tarde A radialista Maria Helena Silveira Amorim. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS (2/7/2015)

Ela tem uma das mais belas vozes femininas do rádio de nossa região, a radialista Maria Helena Silveira Amorim, da Cruzeiro FM, está atualmente no ar de segunda à sexta-feira, das 14h às 17h, com o “Almanaque Cruzeiro”, e às quintas-feiras das 22h a meia-noite com o “Cruzeiro em Revista”.

Premiada, e reconhecida pelo seu talento e sua credibilidade no meio jornalístico, Maria Helena, ou MH para os íntimos, conta em entrevista à Presença sobre sua infância em uma fazenda, as rádios novelas que sua avó ouvia, a qual ela ficava encantada, até a sua primeira experiência com o microfone incentivada pelo grande Salomão Pavlovsky. Conheça um pouco da vida desta grande comunicadora que é a nossa personagem da semana.

Onde você nasceu?

Sorocabana, nascida numa quinta-feira, que posteriormente fixou-se como dia Mundial da Saúde. Típica ariana.

Como foi a sua infância?

Minha família é pequena, meus pais e meu irmão mais velho. Sou afortunada por ter origem rural, meus pais após casarem foram morar em uma fazenda. Fui criada nessa fazenda, onde meu pai prosperou, chegando a administrador e seguindo nessa profissão, formando fazendas de criação de gado, cavalos e café.

Assim aprendi muito sobre a natureza e a minha própria, com uma infância muito ativa: com andanças à cavalo; pescaria; nadar no lago; tirar leite; observar estrelas, um período de muita alegria, bem como tive a oportunidade de conhecer pessoas ímpares para meu desenvolvimento.

Como conheceu seu marido? Esta casada faz quanto tempo? Tem quantos filhos?

Conheci meu marido João Antônio, quando trabalhava na rádio Vanguarda, como redatora. Desde então estamos juntos, 38 casados e somos pais do Ivan Carlos, mais velho, casado com Simone e pais da Giovana, e Marina que é casada com André.

Qual sua primeira lembrança do rádio em sua vida?

Minha mãe, Dona Gê, ouvindo rádio novela. Não havia televisão na época e o rádio era o companheiro, como até hoje. As radionovelas eram aguardadas, tinham seus ídolos e os radiouvintes todos os dias estavam alí ávidos por mais um capítulo. Nem imaginava que um dia, seria radioatriz e narradora das radionovelas na Rádio Clube de Sorocaba, tendo gravado também comerciais em formato de esquete. Ganhei textos exclusivos de Ulderico Amêndola, um dos grandes escritores do rádio que conheci.

Quando você notou que tinha um voz boa para locução?

Minhas professoras no primário achavam que tinha uma voz forte para as poesias, para os jograis, mas nunca achei a minha voz bonita. A maioria de nós não gosta da própria voz. Tive que me acostumar com isso. Quando redatora na Rádio Vanguarda, por necessidade da empresa, substitui um colega e Salomão Pavlovsky, diretor da rádio, gostou da minha voz e assim comecei, primeira mulher no FM e apresentei um programa de AM, que acabaram por mudar minha vida.

Como foi a sua formação profissional, o que você estudou e onde?

Comecei a trabalhar em rádio para pagar cursinho pré-vestibular, como redatora. Queria fazer veterinária, mas a comunicação mexeu comigo, assim abandonei a ideia de cuidar de bichos, para falar para toda gente, com o objetivo de ser útil através do trabalho. Fiz parte da turma do Senac para o curso técnico de locução, com uma galera que hoje está em grandes veículos de comunicação. Participei como docente em algumas turmas do curso, posteriormente. Mas a minha formação foi no dia a dia. Com reconhecimento pelos anos de trabalho, o jornalismo se incorporou ao meu currículo. Muitos profissionais foram estagiários, focas e hoje estão ainda desenvolvendo belos trabalhos e me alcunham como madrinha.

Quais locais já trabalhou?

Trabalhei na rádio Vanguarda, por duas oportunidades; a rádio Metropolitana hoje rádio Líder; na Rádio Clube de Sorocaba e em vários estúdios de Sorocaba e São Paulo.

Qual trabalho te marcou mais, alguma locução, eventos?

Os que fiz para a telefonia celular. Fui talento (voz escolhida padrão) da Tele Centro Oeste; Telesp; Global Star. Tudo era novidade: a cultura do celular estava iniciando junto com a internet.

As mulheres são maioria da população, porém o rádio ainda é muito dominado pelos homens. Por quê?

Sempre me pergunto “por que?” Os mais diversificados meios de comunicação, tem expressiva participação feminina, mas a comunicação rádio, ainda é muito machista e interessante que nos departamentos comerciais, administrativos são as mulheres que colocam ordem para os negócios prosperarem. Sou privilegiada por exercer a profissão e ainda me pergunto: cadê mais mulheres no rádio?

Qual sonho Maria Helena ainda não realizou?

Ser narradora de documentário para TV. Sempre gostei da narrativa documental. Fiz muitos institucionais, mas nunca para TV aberta ou paga.

O rádio passou por uma transformação nos últimos anos, a velha frequência AM vai deixar de existir e as rádios cada vez investem mais em tecnologia, o rádio agora ganhou a internet tem imagens e está quase mudado como você vê estas transformações?

A magia do rádio sempre foi quem é essa voz. Quem era o ser que dava vida àquelas palavras. Hoje com o imediatismo, característica do homem atual, se quer ver, então que se veja, mas a escolha é do ouvinte: com imagem sem imagem; pelo celular; pela televisão; pelo rádio; no carro; no trabalho; no computador; o rádio está muito mais à disposição. Detalhe importante: ainda é o mais ágil na informação!

Está há quanto tempo na Cruzeiro FM?

Estou nesta última passagem há onze anos e meio. Tendo trabalho em projetos anteriores em 1996, depois em 2004, retornando em 2009 e espero continuar como operária da comunicação, pois quando retornei estava com 49 anos, fazia 30 anos que havia falado em rádio, pela primeira vez. Em 2010, inscrevi o “Cruzeiro em Revista” no concurso da Prefeitura que no ano anterior criara o prêmio Melhor Programa Jornalístico Musical do Rádio Sorocabano em FM, ganhei o primeiro troféu do programa e ressalto que em 1990, fui a primeira mulher a ganhar o prêmio melhor programa jornalístico musical em AM, com o Ciranda da Comunicação. Foi uma grande felicidade.

Como é para você estar à frente de um programa tão influente como o seu, tanto em Sorocaba como em toda a região?

Agradeço a sua afirmação. Quando iniciei essa trajetória com o “Cruzeiro em Revista”, era um desafio, tinha que reconquistar o espaço no rádio, com as fontes necessárias e entre meus pares, então precisava de um produto com qualidade para a rádio e para que a comunidade me ajudasse a realizar o programa. O objetivo não era só a informação, que é fundamental na vida das pessoas, mas dar utilidade a informação. Um profissional que tem uma mensagem de saúde e qualidade de vida. Pessoas do bem precisam se aproximar de quem pode colaborar de alguma forma, mas nem sempre sabem como; prestação de serviço, enfim dando abrangência às demandas da cidade. Ligando pessoas, conseguimos que muitos, através da informação, também fossem úteis nas comunidades onde atuam. Mas só aconteceu pelo apoio da diretoria da Fundação Cultural Cruzeiro do Sul, mantenedora da rádio, acreditando no profissionalismo e possibilitando realizar novos projetos, como programas ao vivo com tecnologia em diversos espaços públicos e privados, fiz o primeiro programa radiofônico ao vivo transmitido de dentro do barco no rio Sorocaba, inaugurando a tecnologia 3G, com autoridades que me acompanharam.

Em quem você se inspirou, ou ainda se inspira, no meio da comunicação? O que lhe motivou a acreditar na carreira?

Na realidade num tive mulheres nas quais me inspirar. Vi algumas ao longo da trajetória que também estavam se construindo, num mundo comunicacional erguido, dirigido e conduzido por homens. Enfrentei discriminação sim, mas através do meu trabalho e do carinho que recebi e recebo dos que me ouvem, dos que acreditam no que faço, que cada dia é um novo dia e que possa levar alegria, cultura, conhecimento e entretenimento para as pessoas, podendo ser útil de alguma forma.

Qual conselho você daria para os jovens de hoje que sonham em viver da comunicação? Atualmente ainda são grandes os desafios a serem enfrentados?

Desafios sempre existiram e vão existir, mas talvez isso dê mais prazer na realização. Quando fazemos verdadeiramente o que nascemos para fazer, somos mais alegres, mais saudáveis, mais dispostos, mais simpáticos e podemos levar isso às pessoas, em qualquer área de atuação. Portanto, aquele que quer seguir na comunicação deve conhecer como é o trabalho, não se deixando levar pela glamourização do ofício, mas se a meta é o sucesso, trabalho é o início.

Entrevista: Maria Helena é a voz de todas as tarde Maria Helena ladeada pela sua família. Crédito da foto: Arquivo JCS