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Entrevista da semana: gestão e acolhimento em uma profissão

Entrevista da semana: gestão e acolhimento em uma profissão
Gerente-geral da Ofebas, Patrícia de Oliveira Peixoto. Crédito da foto: Fábio Rogério

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres são 45% da população economicamente ativa no Brasil, índice conquistado através do trabalho de muitos anos das profissionais em galgar espaço dentro das organizações. O IBGE também mostra que as trabalhadoras dedicam mais tempo aos estudos em comparação aos homens. Mesmo assim, a remuneração média recebida pelas brasileiras no mercado é inferior à ofertada aos pares masculinos. Em relação aos cargos de liderança nas empresas, as desigualdades persistem. De acordo com o Ministério da Economia, as mulheres detêm 42,4% das funções de gerência, 13,9% de diretoria e 27,3% de superintendência. Ou seja, quanto mais alto o nível dentro de uma companhia, menos elas estão presentes. Uma das razões do porquê as profissionais não ocupam posições de liderança sênior é que o problema vem da base. Um levantamento da Fundação Lean In, nos Estados Unidos, por exemplo, apontou que 62% dos contratados ou promovidos para a primeira gerência são homens. Em um cenário em que mulheres são maioria nas universidades isso é uma contradição. Segundo uma pesquisa da consultoria Ipsos, em 2019 três em cada dez pessoas no Brasil não se sentiam confortáveis em ter uma mulher como chefe. Os homens eram os mais resistentes (31%). As mulheres no Brasil ocupam hoje 34% dos cargos de liderança sênior (diretoria executiva) nas empresas, de acordo com a pesquisa mais recente do International Business Report da Grant Thornton, realizada com 4.812 empresas, em 32 países. O estudo aponta que o Brasil ocupa a 8ª colocação no ranking dos 32 países, que é liderado pela Filipinas (43%), seguido da África do Sul (40%), Polônia (38%) e México (37%).

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Em Sorocaba muitas empresas têm em sua liderança mulheres, entre elas está a Organização Funerária das Entidades Beneficentes e Assistências de Sorocaba (Ofebas), uma organização sem fins lucrativos, com atividades de Serviço Funerário e Assistência às famílias enlutadas. A Ofebas é a única funerária sem fins lucrativos do Brasil. A organização aplica os recursos das vendas dos seus serviços em melhorias na sua própria infraestrutura e, sobretudo, no desenvolvimento de ações sociais, por meio do projeto Ofebas Social.

Desde 2015 a entidade conta com a gerência da carioca Patrícia de Oliveira Peixoto, que chegou no Estado de São de Paulo quando tinha oito anos de idade e morou na cidade de Fernandópolis no noroeste do Estado. Patrícia tem graduação em administração na universidade Camilo Castelo Branco; especialização em gerenciamento de marketing pela faculdades integradas Dom Pedro ll e mestrado em gestão empresarial na Unifacef. Ela se mudou para Sorocaba no ano de 2009, em busca de ficar próximo à sua família que já estava morando aqui, além de ver na cidade uma promessa de crescimento profissional. Foi aqui que conheceu o professor Geraldo Almeida que a convidou para trabalhar como professora do curso de Administração de Empresas e Ciências Contábeis de uma universidade na cidade, Patrícia também trabalhou na Inova Sorocaba no Parque Tecnológico, antes de chegar na Ofebas.
“Quando escolhi fazer faculdade de administração de empresas com 16 anos eu já tinha mentores na minha vida, eu sempre tive oportunidade de conviver com pessoas que me ensinaram bastante, quando cheguei em Sorocaba fiquei quatros anos lecionando na faculdade e aprendi muito tanto com os outros professores tanto com os alunos, o Geraldo Almeida foi uma das pessoas que me ensinou muito e tenho ele como um dos meus mentores”, destacou Patrícia.

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A proposta para trabalhar na Ofebas veio em 2015 por já desenvolver projetos sociais em sua vida. “Pra mim foi uma grande surpresa o convite de trabalhar em uma funerária, era um ramo que eu não conhecia, e percebi que meus conhecimentos iam ser bem úteis na organização, considero este emprego um presente enorme tendo em vista que com ele consigo praticar o que eu mais gosto, que é gestão de empresas e o acolhimento às pessoas em seu pior momento que é o luto. Sempre com muito carinho, amor e respeito” relatou a administradora.

Patrícia junto com a diretoria da Ofebas implantou o serviço de assessoramento para entidades assistências da cidade, no qual a Ofebas presta orientações a instituições inscritas no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) em áreas como qualidade de vida e gestão empresarial disponibilizando às entidades, em suas sedes, profissionais qualificados como suporte para atender suas necessidades de informação e formação. Esse assessoramento também é sem custo para as entidades ou para os municípios. “O objetivo é fortalecer a autonomia e o protagonismo dos grupos assessorados, ajudando-os a desenvolver novos projetos, captar recursos e melhorar seus estatutos, dentre outros”, descreve Patrícia que considera este desafio profissional com um dos mais prazerosos. “Para mim este trabalho de assessoramento é minha ‘meninas dos olhos’, ele me dá oportunidade de colocar em prática algo que propus em minha vida, contribuímos com formação e, graças a Deus, está crescendo muito, esperamos ajudar mais entidades para que com o conhecimento elas possam crescer e se desenvolver e ajudar mais pessoas” frisou. Patrícia acha que o caminho da educação é um dos pilares para se conquistar uma boa profissão. “Eu acho o primordial para uma mulher se tornar poderosa, sem dúvida a educação e a formação do seu caráter, sem se esquecer principalmente do respeito. Eu acredito que tenho a oportunidade ainda de ajudar a educar muitas pessoas, eu quero poder ser feliz e inspirar muitas mulheres ainda”, concluiu a administradora de empresas que comanda uma equipe de 42 pessoas.

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Entrevista da semana: gestão e acolhimento em uma profissão
A Ofebas tem realizado uma série de mudanças em sua estrutura, uma delas é um grande painel artístico em seu muro que está sendo concluído. Crédito da foto: Divulgação
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