Editorial
Os caminhos para a inflação voltar à meta
O BC deve citar a guerra na Ucrânia e a reabertura econômica pós-covid como as principais justificativas para não cumprir a meta pelo segundo ano seguido
O Brasil começa a conhecer os índices oficiais de inflação do ano de 2022. O ano começou com apostas no caos e terminou com números um pouco acima da meta prevista pelo Governo Federal. É importante destacar o importante papel do Banco Central e do Ministério da Economia em garantir que a disparada da inflação não ocorresse.
Medidas de controle de gastos, negando aumento salarial a milhares de servidores públicos, e altas na taxa básica de juros foram algumas das armas usadas. Atitudes como essa, ainda mais em ano eleitoral, produzem um gosto amargo na boca, mas são necessárias para garantir o controle financeiro das contas do país.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, fechou 2022 com uma taxa acumulada em 12 meses de 5,79%. O índice ficou bem abaixo dos 10,06% acumulados em 2021, segundo dados divulgados ontem (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Alguns fatores contribuíram para esse resultado acima da meta, a alta foi puxada, principalmente, pelos alimentos e bebidas, que tiveram aumentos de preço na casa dos 11,64% no ano, número acima do registrado em 2021, que foi de 7,94%. Também tiveram impacto na inflação os gastos com saúde e cuidados pessoais, que ficaram 11,43% mais caros.
Na outra ponta da tabela, os preços ligados aos transportes ajudaram a reduzir o avanço do IPCA em 2022. Juntos eles registraram deflação de 1,29% no ano. O resultado foi conquistado principalmente pelo corte de impostos federais na tributação dos combustíveis e a limitação dos ICMS dos Estados. Para se ter uma ideia, esse mesmo grupo, em 2021, acumulou reajustes na casa 21%, contribuindo sobremaneira para que o índice atingisse os dois dígitos.
Já em dezembro, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,62%. A taxa ficou acima do 0,41% registrado em novembro, mas abaixo do 0,73% de dezembro de 2021.
A maior alta de preços do mês veio do grupo saúde e cuidados pessoais, com 1,6%, que também teve o maior impacto na inflação oficial no período. Os itens com maior impacto nesse grupo foram produtos de higiene pessoal, em especial os perfumes que, com uma alta de 9%.
Com uma inflação de 0,66%, os alimentos e bebidas tiveram o segundo maior impacto na inflação oficial de dezembro, puxados pelas altas de preços de produtos como tomate, feijão-carioca, cebola e arroz. Produtos básicos na composição alimentar da grande maioria dos brasileiros. Em dezembro, nenhum grupo de despesas apresentou queda de preços no mês.
Divulgados esses números, o Banco Central, agora com autonomia, deve enviar o relatório ao atual ministro da Fazenda. O BC deve citar a guerra na Ucrânia e a reabertura econômica pós-covid como as principais justificativas para não cumprir a meta de inflação pelo segundo ano seguido.
Os técnicos também devem reforçar a necessidade da manutenção da taxa básica de juros, a Selic, como arma para ganhar a batalha contra a alta de preços. Essa comunicação é um procedimento necessário toda vez que a inflação fica fora do limite de tolerância da meta. Nesses casos, o BC tem de explicar por que falhou na sua principal missão: a estabilidade dos preços.
Daqui para a frente, com expectativa de divulgação dos parâmetros da nova política econômica, os analistas vão podem desenhar um caminho para o País. Vários fatores que ajudam a empurrar para cima os preços persistem. A guerra na Ucrânia continua sem data para acabar, a alta de casos de Covid 19 na China é outro ponto de preocupação para o mundo todo.
Aqui no Brasil, o maior risco para a inflação está no próprio governo. O estouro do teto de gastos, mesmo autorizado pelo Congresso, não é uma boa notícia para o sistema financeiro como um todo. Temos muitos problemas a enfrentar e a austeridade e a prudência são fatores chaves para manter nossa economia nos trilhos.